2300AD: Marc Bronson

Bom, e este é o personagem que criei para a campanha de 2300AD do Jota. Podem ficar a saber mais sobre o processo de criação neste post que fiz no meu blogue sobre a primeira sessão.

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Marc Bronson, um fuzileiro espacial Americano ainda fresco da recruta, fez parte do contra-ataque que reclamou o planeta Aurora aos Kafers há dois anos. Entusiasmados pelos sucessos da frota lá longe no céu nocturno do planeta, ele e o resto do seu pelotão estavam confiantes e seguros de si quando desembarcaram. O seu primeiro encontro com o inimigo, as baratas odiosas, só reforçou a sua convicção em si próprios; os bichos caíram que nem moscas numa emboscada perfeita que bem podia ser decalcada de um dos livros da academia militar. Alguns deles ficavam parados no meio do fogo cruzado, outros procuravam abrigo em campo aberto, e outros ainda amontoavam-se em grupos em vez de dispersarem. Parecia tudo uma enorme trapalhada. Bronson e os seus compatriotas americanos acreditavam que aquela escaramuça, se não mesmo a batalha e até toda a guerra, acabaria em minutos, com a Humanidade a grande vencedora.

Mas heis que do nada o inimigo reorganizou-se, tomou a iniciativa e desta vez quem cometeu a maioria dos erros foram fuzileiro demasiado confiantes. O tenente e o sargento, foram os primeiros a cair perante fogo inimigo que nunca ninguém chegou a perceber de onde veio, deixando os homens sem liderança experiente. Bronson foi o único sobrevivente; isto descontando o próprio tenente, porque ficar sem um terço do seu cérebro e transformado num vegetal para toda a vida não cai na definição de Bronson de sobrevivência. Afinal nem sequer é tecnicamente correcto afirmar que eles eram os únicos humanos que ainda respiravam quando os reforços chegaram ao fim de alguns dos minutos mais longos de toda a vida de Bronson. Isto porque, no caso do tenente, nem a respirar ele estava; foram os médicos que tiveram de o ressuscitar)

A vida foi difícil para todos os soldados nessas primeiras semanas, mas também não ficou muito mais fácil ao longo dos meses que durou a campanha em Aurora. Se Bronson aprendeu alguma coisa, foi a nunca subestimar um Kafer, nem sequer um Kafer morto. Às vezes os cadáveres erguiam-se, horas ou dias após a sua morte, para arrastarem alguns soldados consigo para o inferno. O único bom Kafer, é mesmo um Kafer em pedaços bem pequenos.

Ainda hoje as hostilidades em Aurora não cessaram completamente. No planeta ainda se encontram grupos isolados de Kafers envolvidos em acções de guerrilha, mas o pior parece já ter passado. Na verdade, parece que o contra-ataque decisivo, que vai varrer os Kafers de volta para seja lá qual for o buraco negro de onde saíram, está a preparar-se no espaço em redor de Aurora. É claro que, antes disso, a frota multinacional vai ter de decidir de uma vez por todas qual dos seus comandantes dá ordens aos outros, mas também ninguém parece ter muita pressa.

Bronson de certeza que não tem nenhuma. Ao fim de dois anos, ele está de regresso ao planeta fronteiriço que o viu mudar de vida. Após 16 anos com os fuzos, ele está agora por sua conta e risco. É hoje um troubleshooter a contrato - ou empresário por conta própria, como prefere dizer – e escolhe as suas próprias batalhas. Às vezes é uma carga especial que precisa de chegar a um destino especial. Outras, compradores à procura de boas e fiéis armas americanas que ele consegue normalmente arranjar através de alguns contactos do tempo da tropa. Às vezes uma pessoa que precisa de ser protegida... ou encontrada.

Neste caso, Bronson está em Aurora para resgatar a filha de um rico e influente político americano de qualquer que seja a embrulhada em que ela se meteu desta vez. Lord Franklin Russer está a tornar-se um cliente regular; até já merecia usufruir de um desconto, mas neste ramo um desconto é algo que não existe. É que já não é a primeira vez que Bronson procura a filha dele. O Universo é um sítio bem grande para alguém se esconder, mas felizmente a rapariga nunca resiste muito tempo antes de começar a usar o seu cartão de plástico facilmente rastreável. Ainda há um ano atrás, Bronson localizou Caitlin Ann Russel a muitos anos-luz de distância do pai, num planeta de terceira a com o seu namorado desse mês. O miúdo teve a sua lição: foram apenas palavras, mas o rapaz ficou a tremer que nem varas verdes... No entanto Bronson também teve a sua, pois durante toda a viagem de regresso teve de ouvir insultos que fariam alguns sargentos de recruta corar e alguns generais de três estrelas, que poderiam pensar já ter ouvido e dito de tudo, sacar dos seus livros de anotações e acrescentar mais algumas frases ao seu vocabulário corrente. Ele era obrigado a mantê-la debaixo de olho – não fosse ela desaparecer outra vez – mas se ao menos a pudesse drogar para ela se calar... é que nem uns tampões de ouvidos pareciam manter a voz anasalada dela à distância. Houve momentos naquela longa viagem em que Bronson teve a certeza de que, a muitos anos-luz dali, o ex-namorado dela se estava a rir dele enquanto bebia, descansado, uma cerveja bem fresca, pensando na peste de que se livrara!

Nada no universo pode ser pior do que ter de aturar Caitlin dias a fio (nem sequer o pai costuma ter pressa para a reaver), sem lhe puder dar alguns estalos bem dados e dizer-lhe umas verdades... Bronson nunca teve a má sorte de muitos dos seus colegas e ser capturado por um bando de Kafers para ser torturado até à morte, mas tem a certeza de que se algum dia isso lhe acontecesse o torturador-mor Kafer ia ser a cara chapada daquela maldita rapariga.