101 dias de Weapons of the Gods - Considerações

Já decorreram alguns dias desde a última entrada deste blogue. Já tive tempo de ler o manual e fazer a primeira sessão. Eis algumas das minhas impressões e as dos jogadores.

O manual é bastante grande - 384 páginas cheio até ao tutano com toda a informação necessária para simular wuxia. Contém também o setting e os seus plot points. As regras básicas são simples mas os jogadores sugeriram que talvez fosse melhor copiarem para uma folha as técnicas de kung fu a que têm acesso para evitar folhear o manual durante a sessão. Foi uma boa ideia que vamos experimentar durante a próxima sessão.

Outro ponto bastante óbvio é que o autor pressupõe que os jogadores lêem TODO o manual. Uma vez que este não contém segredos (quem os cria é o GM), este pressuposto serve para que os jogadores saibam bem as regras com que se regem. Quanto mais as souberem, menos o GM tem que confirmar determinadas situações. Os plot points, por exemplo, devem considerados com antecedência durante a campanha e não cabe ao GM chamar a atenção para este ou aquele plot point, mas sim ao jogador ir seleccionando (se assim o quiser) consoante o sabor da campanha.

O facto dos jogadores e eu ainda não estarmos familiarizados com as regras causou uma certa lentidão durante o combate, mas foi suficientemente bom para os incentivar os jogadores a querer mais. Com a experiência iremos tornando os combates mais fluidos.

Até agora os jogadores pronunciaram-se a favor das personagens pré-criadas e penso que as irão usar quando começarmos a campanha a sério. Lembrem-se que a aventura Um Começo Auspicioso é apenas uma one-shot usada para determinar se gostávamos do sistema e setting. Tornou-se claro que sim, pelo que agora terei que começar a pensar na campanha, dita a sério. Para isso tenho que saber as personagens que vamos usar. O Vitor e a Cláudia deverão ficar com Liang Shui e Xiao-Li Pai. O Zé ainda não sei mas demonstrou interesse em fazer um Daoista para poder usar as Artes Secretas (influenciar paixões, criar maldições, artes divinatórias, etc.)

O que me traz ao ponto seguinte: de todas as secções, a mais ambígua é, sem dúvida, as artes secretas e aquela que mais poder dá aos jogadores em termos de influência. Com essas artes as personagens podem não só aplicar Medicina mas também influenciar paixões e emoções, profetizar acontecimentos e criar ou apaziguar maldições. A ver vamos como se comportam até porque agora só usámos as partes mais básicas do sistema.

Agora segue-se a segunda sessão e alguns filmes wuxia para abrir o apetite. O Zé emprestou-me alguns filmes e consegui arranjar outros. Logo vos direi o que acho.

Essa questão das profetizações é interessante, como, quando e porquê é que um jogador tem direito a uma profecia? se a tiver tem que se enquadrar dentro da história que já tens delineada (de um modo completamente ambíguo, como todas as boas profecia hehe) ou pode ser usada para introduzir cenas novas na história?

Já agora pensei que tinhas dito que os plot points eram páginas do livro, que os jogadores podiam ler de acordo com os pontos que comprassem, não cenas inventadas pelo GM. Podias esclarecer-me.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Os plot points fazem parte das folhas de mitologia. As folhas de mitologia reflectem o conhecimento de pessoas eruditas em determinado aspecto de Shen Zhou. Cada folha de mitologia descreve uma história ou lenda relativa a um assunto (criação do mundo, o aparecimento do kung fu, a primeira dinastia de Imperadores, etc.) Cada folha de mitologia tem um determinado número de plot points que lhe são associados.

Os jogadores devem (não são obrigados) ler as folhas de mitologia. Porquê? Para terem conhecimento dos plot points que lhe são associados para, caso surja a oportunidade, poderem comprar alguns para determinarem que elementos querem introduzir na campanha (por exemplo: descobrirem que são descendentes directos do Imperador Amarelo).

As folhas de mitologia com as suas histórias e lendas só serão do conhecimento das personagens quando estas as estudarem. Todos em Shen Zhou poderão saber que Pangu lutou contra o Vazio e criou o mundo, mas os pequenos detalhes só são conhecidos por quem compra a folha de mitologia em particular. E só têm acesso aos plot points dessa folha de mitologia, caso comprem a própria folha. Ou seja, a folha é o pré-requisito. A partir daí, acedem a todos os plot points que lhe são associados.

Os plots que o livro inclui são às centenas, mas isso impede o GM ou o próprio jogador de criar os seus próprios plots. Claro que não. Até conto com isso para ver até onde vai a imaginação dos jogadores no contexto do jogo claro.

[quote=Dwarin]Os jogadores devem (não são obrigados) ler as folhas de mitologia. Porquê? Para terem conhecimento dos plot points que lhe são associados para, caso surja a oportunidade, poderem comprar alguns para determinarem que elementos querem introduzir na campanha (por exemplo: descobrirem que são descendentes directos do Imperador Amarelo).[/quote]

Isto é interessantíssimo; de que modo é que isto decorre, em jogo? Pode haver a situação de, por ex, os jogadores irem ser presos por alguma coisa, um deles usar um Plot Point e dizer: "nada disso, eu sou descendente do Imperador!"?

A partir do momento em que compras o plot point, para todos os efeitos o plot point é verdadeiro. Ou seja, se neste caso, compras o plot point como sendo descendente do Imperador, a personage É DE FACTO descendente do Imperador. Quanto a convencer o resto do mundo desse facto é outra história... :-)

Isto leva a toda uma nova série de complicações. Facções rivais que não pretendem um novo descendente ao trono, pessoas que querem vê-lo no trono, se convenceres as pessoas que és descendente do Imperador podes influenciar as suas acções (positiva ou negativamente). Em sumo, tudo uma boca desculpa para introduzir complicações ou alterações na história.

Hum, ok. Estava com esperança que fosse algo diferente, mas se existe a parte de “convencer os outros”, isso significa convencer-te a ti, e portanto diria que é um Mother May I.

Não deixa de ser interessante, no entanto.

Estive a ler o vosso AP: fico contente por se estarem a divertir.

[modo picar]

Agora podem experimentar um rpg a sério, como o Exalted. :wink:

[/modo picar]

Não, trata-se de convencer os NPCs. Eu, como GM, sei que a personagem é descedente do Imperador pois o plot point foi comprado e é verdadeiro. Agora, vejamos: estamos em Shen Zhou, está um Imperador no trono, aparece uma personagem vinda do nada a falar alto e bom som que ele é que é o descendente do Imperador e que tem direito ao trono.

A) Algumas pessoas exigirão prova.

B) Algumas pessoas, mesmo sem prova, poderão querer abafar a personagem, caso seja do interessa delas que o actual Imperador continue no trono.

C) Algumas pessoas, mesmo sem prova, poderão querer ajudar a colocar o verdadeiro descendente no trono.

D) Com provas, muitos NPCs poderão ter reacções positivas ou negativas.

E sim, por difícil que seja conceber, trata-se de interagir com os NPCs e não com o GM, mas isso já é um método muito próprio que o nosso grupo desenvolveu durante anos e não o vou explicar aqui.

Não estou a ver muito bem uma referência a Exalted nesta secção de WoG. Se a intenção é levar as pensar que Exalted é um jogo muito melhor, podes criar a tua secção. Aqui discute-se WoG.

Hey Hugo, estás a ser defensivo novamente, e eu não estou a atacar o WotG!

[quote=Dwarin]Não, trata-se de convencer os NPCs. Eu, como GM, sei que a personagem é descedente do Imperador pois o plot point foi comprado e é verdadeiro. Agora, vejamos: estamos em Shen Zhou, está um Imperador no trono, aparece uma personagem vinda do nada a falar alto e bom som que ele é que é o descendente do Imperador e que tem direito ao trono.

A) Algumas pessoas exigirão prova.

B) Algumas pessoas, mesmo sem prova, poderão querer abafar a personagem, caso seja do interessa delas que o actual Imperador continue no trono.

C) Algumas pessoas, mesmo sem prova, poderão querer ajudar a colocar o verdadeiro descendente no trono.

D) Com provas, muitos NPCs poderão ter reacções positivas ou negativas.

E sim, por difícil que seja conceber, trata-se de interagir com os NPCs e não com o GM, mas isso já é um método muito próprio que o nosso grupo desenvolveu durante anos e não o vou explicar aqui.[/quote]

Não vou, obviamente, discutir os métodos que o teu grupo usa há anos, nem me cabe a mim fazê-lo: não faço parte do grupo, por isso não sou lá tido nem achado.

Agora, posso é discutir padrões que se verificam nos jogos, e que me parecem vir todos dar no mesmo: quem controla os NPC's é o GM, é o GM quem decide se eles reagem da maneira A, B, ou C, e é o GM quem decide se as coisas que os jogadores fazem resultam ou não, logo, Mother May I.

[quote=Dwarin]Não estou a ver muito bem uma referência a Exalted nesta secção de WoG. Se a intenção é levar as pensar que Exalted é um jogo muito melhor, podes criar a tua secção. Aqui discute-se WoG.[/quote]

Calma, homem! Estava a fazer uma piada!

Mas, já agora, a referência é simples: ambos se focam no kung-fu e nas descrições cool; para mim não há "jogos melhores", há gostos diferentes.

Fim de piada!

Só um reparo. Nem toda a gente conhece ou interessa-se pelos termos da Teoria de RPG quanto mais por termos menos públicos como o Mother May I. E o pessoal por vezes não se interessa sobre a catalogação não solicitada de algo que não é suposto sequer estar a ser observada à luz da Teoria.

É fácil os threads perderem a sua orientação (neste caso a thread é pessoal e sobre WOTG) se as pesssoas não contraporem os pontos e argumentos que se distanciam ou se apromximam do tema do post. Argumentar não é ser defensivo no sentido mau da coisa mas pode ser uma defesa numa conversa séria e interessante. Que as pessoas não estejam habituadas a ouvir contra-argumentações e levam isso para um "ataque" ou "defesa" é de certeza um problema de não se ensinar retórica na escola ou em casa.

Por isso a "César o que é de César": Um thread por cada temática, quer seja ela "WOTG vs Exalted" ou "WOTG à luz da Teoria de RPG". Na minha opinião claro.

Desculpem a interrupção. Carry on!

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

[quote=Rui]Hey Hugo, estás a ser defensivo novamente, e eu não estou a atacar o WotG![/quote]

É ele a ser defensivo, ou é o pessoal a jogar na ofensiva? Acho que já deu para perceber que o Hugo não está aqui minimamente interessado em certo tipo de conversas, e cada vez que faz um post sobre X, acontece sempre o mesmo, alguém leva a conversa para Y, e alguém usa as respostas a Y do Hugo para emitir julgamentos e avançar a sua agenda Z.

Considerem isto: o Hugo não está a postar no fórum de Actual Play, nem pediu opinião/ajuda sobre nada; ele está a postar no seu próprio blogue, ao género de diário de campanha. Ele está aqui claramente numa de partilhar o amor, e celebrar connosco a sua diversão, não para pedir explicações de teoria, ver questionados os seus métodos ou justificá-los.

Preciso de lembrar que nenhum de nós aqui que adoramos teoria a adoramos porque ela nos foi despejada pelas goelas? Nós é que tivémos curiosidade em saber mais sobre ela, vimos que nos podia ser estupidamente útil, e depois pedimos nós próprios para que ela nos fosse despejada pelas goelas. :wink: Esfregá-la na cara das outras pessoas… nada de bom vem daí, embora muitos professores de liceu e faculdade continuem a insistir nesse método. Por favor, sintam-se à vontade para aprender com os exemplos dos outros, para concluir deles o que bem entenderem… mas fazê-lo aqui no blogue do Hugo não me parece educado ou sequer produtivo (a menos que considerem produtivo fazer potenciais interessados na matéria ganharem alergia à teoria).

[quote=Rui]Agora, posso é discutir padrões que se verificam nos jogos, e que me parecem vir todos dar no mesmo: quem controla os NPC's é o GM, é o GM quem decide se eles reagem da maneira A, B, ou C, e é o GM quem decide se as coisas que os jogadores fazem resultam ou não, logo, Mother May I.[/quote]

Podes discutir isso à vontade… num dos fóruns ou no teu blogue. Agora analiza lá bem a conversa desde o início e vê onde é que o Hugo mencionou sequer alguém (jogadores ou GM!) controlar NPCs. Em nenhum lado, nem no post inicial, nem em nenhum dos comentários; ele nem sequer tocou no assunto, e nem sequer dá para perceber pelo que ele disse se os NPCs são controlados inteiramente pelo GM ou se os jogadores podem através do sistema obrigá-los de facto a fazer algo. Isto é o perfeito exemplo de uma conversa de alhos, levada para bugalhos a propósito de nada.

Portanto deixo aqui o apelo. Vamos a ter mais calma, sim? A teoria é fixe, dá para um gajo se entusiasmar muito, mas não vamos usá-la como arma de arremesso em cima do pessoal do site que claramente não está cá para participar nessa parte do nosso cardápio de actividades… o espírito do site é manter-se um lugar aberto e confortável para todos os roleplayers (bom, os minimamente sociáveis, pelo menos). Ok?

Obrigado pela a atenção. E se a mamã dá licença, vamos voltar ao Weapons of the Gods, e aos projectos do Hugo. Siga para Bingo!

Desculpas aos dois pelo meu entusiasmo; estou mal habituado do rpg.net, está bom de ver: lá qualquer pessoa pode mandar o seu bitaite sobre qualquer coisa!