Recordações antigas (Flashback Alonso #1)
Narrador: Alonso fecha-se no banheiro e joga alguma água no rosto, para relaxar um pouco. Depois apoia as mãos na bancada, e olha fixamente para seu reflexo no espelho — Quem diabos és tu? — pensa, ao ver o estranho que o encara, com o rosto pingando água.
Narrador: Ele fica assim mais alguns segundos, pensativo, depois olha para a bancada, observando os itens sobre ela: alguns perfumes e cremes, escovas de cabelos e pentes, um copo com um tubo de pasta e uma escova de dentes, algumas pequenas velas para decoração...
Narrador: Seu olhar pára sobre um segundo copo, mais no canto da bancada, com uma lâmina de barbear e espuma para barba. A luz faz um reflexo engraçado na lâmina, e ele começa a observá-la, interessado.
Alonso: — Pai! Vamos apostar uma corrida até o casarão! — diz o miúdo de cerca de 8 anos, com uma aparência estranhamente familiar.
Ele tem uma expressão feliz nos olhos. Uma felicidade total, sem preocupações, como só mesmo as crianças conseguem ter.
Alonso: Está um dia lindo, e Alonso encontra-se numa praia, aparentemente deserta. Ele olha com um sorriso para o rapaz, mas uma preocupação ensombra-lhe a alma — Ainda não lhes contei. Mas tenho que fazê-lo, mais cedo ou mais tarde...
Mas não hoje. Vou deixá-los aproveitar ao máximo este dia! — pensa, afastando a preocupação
Alonso: O miúdo cansa-se de esperar por Alonso e corre em direcção a um antigo casarão, que nos seus dias deveria ser uma bela casa, pela localização e tamanho. Hoje, entretanto, é apenas uma construção velha, caindo aos pedaços, com a maioria das janelas quebradas e a madeira apodrecida.
Alonso: “Veste um casaco, está vento!” — diz uma voz suave, por trás de Alonso; ele vira-se, e uma rapariga ruiva dá-lhe um casaco e um sorriso. Ele parece derreter-se ao olhar para ela, observando cada pequeno detalhe de seu rosto, cada reflexo do sol em seus brincos. Enquanto Alonso fixa seus olhos, o tempo parece congelar.
Narrador: Alonso sente seu corpo tremer e se vê de novo no casarão.
Narrador: — Por que estamos aqui, pai? — Pergunta Alonso — Por que voltamos sempre aqui? Não gosto de casa velhas...
Alonso: Como... Porquê estou a ver através dos olhos da criança? Será que... — pensa Alonso
Narrador: A casa desaparece e Alonso se vê com o pai numa sala ampla de formato bastante moderna...
Uma mulher vestida com roupas extremamente diferentes surge do nada próximo a Alonso e o Pai - Deseja alguma coisa, senhor?
— Já está na hora de jantarmos, providencie a comida! Guioza e yakisoba de legumes para mim... Takeshi sai à mãe... prefere grelhados. Seja rápida que tenho fome. - O pai olha para António enquanto a mulher volta simplesmente a desaparecer.
Alonso: Takeshi... Esse sou eu?...
Narrador: — Não tem a ver com gostar ou não gostar... aquela casa é um refúgio, é um local de extrema importância, é uma sombra que perdurará por séculos. Gostes ou não gostes tens de voltar áquela casa todos os dias, divertir-se lá, perderes tempo lá, dormires lá, e te habituares a ela como te habituastes a esta casa.
Alonso: Porquê um local de refúgio, pai? Qual a importância deste lugar?
Alonso pode sentir o que o pequeno Takeshi pensa, e ao mesmo tempo seu receio em expressar a pergunta em voz alta.
Narrador: [off] Sorry... isso é um flashback... no interation allowed.[/off]
Narrador: A mulher volta a surgir do nada e com ela uma mesa com a comida pedida pelo pai e um enorme bife grelhado.
— Está pronto, senhor!
— Òptimo! Agora vá... quero que a partir de agora, Takeshi durma todos o dias na casa. Todos os dias, compreendestes? — O pai olha para Alonso, que deixa de ver o local onde estava e volta a ver o espelho da casa de Eva.
Alonso: Alonso sente a preocupação esvair-se de Takeshi — O pai sabe o que é melhor. Não gosto muito desta casa, mas... Não deve ser tão má assim.
— Humm! Este bife parece apetitoso!
Alonso: No instante seguinte, Alonso está de volta ao banheiro, segurando nas mãos uma toalha. Ele olha para a frente, e um estranho com a barba recém-feita olha de volta para ele, com uma expressão espantada — Que diabo!
Alonso: Ele passa a mão pelo rosto, sentido a pele lisa e perfumada. Sobre a bancada agora estão um frasco de after-shave com a tampa aberta e a lâmina. Alonso olha mais uma vez para o rosto, virando para a direita e para a esquerda. Sem entender ainda o que aconteceu, guarda a lâmina, a toalha e o after-shave e sai do banheiro, intrigado.
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