LeiriaCON 2014 - RESCALDO

Achei piada ao número de jogos que joguei, porque acho que esta foi mesmo a CON em que estive mais activo enquanto explicador.

E todos juntos… acho que explicamos mais jogos neste fim-de-semanana do que em qualquer outro e por isso mesmo… todos juntos… estamos todos de parabéns laugh

  Parabéns a todos os organizadores e a todos os que ajudaram a tornar isto possível. Imagino em parte o trabalho que vocês têm. Neste momento até já têm exploração de trabalho infantil.



 Ao contrário do Sr Pombeiro não considero a LeiriaCon a melhorb das nossas convenções. Mas gostos são gostos e sendo o organizador de 2 das 5 Cons existentes seria sempre complicado isso acontecer.



Penso que temos a sorte de termos 5/6 Cons bastante diferentes entre si e todas com os seus pontos de interesse, sendo maiores ou mais pequenas.



Quanto a Leiria adoro o espaço e acaba sempre por ser um excelente passeio e um fim de semana de jogos e de passeio.



 Penso que de elogios vocês já estão fartos, mas há algo que penso que tem sofrido alterações de ano para ano e claramente tem vindo a piorar.



 Estou a falar das refeições (comida), não digo que a mesma seja má (que claro que não é- muita gente nova que foi a 1ª vez a elogiou), mas para quem tem ido os últimos anos, vemos que a mesma tem alterado nos últimos anos. A variedade pelo menos tem sempre diminuido.



 O que eu acho é que entrou num ciclo vicioso, como menos gente vai às refeições a variedade diminuiu, o que leva a que menos gente vá às refeições e novamente leva a que a variedade diminua.



Não sei se é uma opção vossa ou da Quinta do Pinheiro mas se fosse possível tentava inverter este "processo"…





 Tal como o Costa disse foi notório a menor afluência relativa ao ano anterior (em que houve uma verdadeira enchente) mas penso que isto é normal na altura em que estamos.



Mais uma vez parabéns e espero que agora apareçam nas Cons do Norte e já agora nas do Sul.


Obrigado João pelas tuas palavras e pela chamada de atenção relativamente à questão menos lúdica do evento e que diz respeito às refeições.

Compreendendo o que dizes, mas gostaria de partilhar contigo e com os demais o facto de nós organização termos conseguido fazer prevalecer junto da administração da Quinta do Pinheiro os nossos argumentos e por isso mesmo nos últimos 3 anos temos conseguido manter para vocês o preço das refeições. Isso para nós é uma conquista grande, ainda que a troco de uma ligeira queda na qualidade/quantidade. Tu que organizas duas das cinco convenções do país, sabes bem que a gestão deste tipo de eventos não depende apenas de nós e não nos é possível muitas vezes meter o bedelho em assuntos que não nos dizem respeito, como é o caso da cozinha.

Aliás, após o desaparecimento da TrincaCON, a nossa convenção passou a ser a única no país que tem estas caracteristicas de termos concentrado no mesmo espaço a convenção, os alojamentos e as refeições. Esta pequena diferença muda muito a forma de gerir o evento sendo que é preciso muita articulação entre nós e neste caso, a Quinta do Pinheiro. Nas restantes convenções essa preocupação não é tão premente, não têm de se preocupar tanto com a alimentação e o alojamento. Mas isso não é um problema, é tão somente uma caraterística, nada mais que isso.



Só não queria deixar passar em branco o teu comentário, que como todos é muito importante para nós, sem pelo menos tentar explicar-te isto.



Portanto, fica aqui a nossa promessa de que para 2015 iremos melhorar tudo aquilo que houver para melhorar.



Obrigado a todos!

Tendo estado presente nas últimas LeiriaCon, fico admirado com a questão da comida, no entanto nos últimos 2 anos tinha-me queixado exactamente desta questão e posso dizer que pela primeira vez fiquei novamente convencido com a comida. Não é comida com qualidade de Bragança, claro… mas isso é difícil aqui para estes lados :wink:



Não sei se foi a mudança de espaço que fez com que houvesse mudança no processo utilizado, mas preferirei sempre esperar um pouco mais pela comida (como me aconteceu), do que a comida estar requentada não sei quanto tempo em cima da mesa, se bem que me parece que esse não era o único problema nos anos anteriores e que de facto a qualidade este ano melhorou um pouco.

 Como sabem gostos não se discutem. Não é questão de ter gostado ou não da comida. Nem gostei muito nem detestei. Penso que a comida já foi melhor.



 Mas acima de tudo acho que a variedade diminuiu muito.



 E para um gajo guloso como eu ter 4 sobremesas diferentes ou ter 10 diferentes é totalmente diferente.



 Tal como pratos penso que nos anos anteriores existiram sempre mais do que 2 opções (pelo menos sei que existiram anos com mais de 2 pratos e quase de certeza o ano passado também).



 Sei bem que não deve ser fácil coordenarem tudo com a Quinta do Pinheiro, apenas acho que isso leva a que menos pessoas comam por lá.



 E eu falo por mim eu se tivesse vários pratos e várias sobremesas (este é o ponto essencial) comeria (talvez- nunca vou sozinho) todas as refeições na Quinta do Pinheiro assim penso que não se justifica.



 É verdade que esteve menos gente na Con, mas eu penso que a percentagem de refeições feitas tendo em conta as participações foi menor a anos anteriores e que isto se tem notado de ano para ano.



 Costa não leves isto como uma crítica mas sim como algo que quer vocês quer a Quinta do Pinheiro podem ganhar, penso que é mau para a organização e para a Quinta do Pinheiro ter menos gente nas refeições.

Isto já vai um bocado atrasado… mas antes tarde que nunca!



Dizer que a LeiriaCon foi excelente é já um lugar comum. Todos os anos é assim, todos os anos é excelente.



O espaço é óptimo, ainda que comece a dar sinais de estar a aproximar-se do limite de lotação com o crescimento de participação. A malta da organização é impecável. Ter os designers estrangeiros presentes e um grande número de protótipos para testar são as características diferenciadoras principais desta Con e continuam a ser factores muito positivos da mesma. Enfim, coisas que se vão repetindo ano após ano.



Posto isso, creio que o melhor será dizer um pouco como foi a LeiriaCon para mim este ano. O que joguei, o que gostei daquilo que joguei e o que daí resultou em termos de aquisições e planos para aquisições futuras.



Infelizmente só pude ir na sexta à tarde para Alcobaça e isso fez com que a Con começasse efectivamente para mim um pouco mais tarde do que tinha pensado… Planeava ir logo de manhã para lá.



Depois da ronda de cumprimentos habitual ao pessoal que já não via há algum tempo, coisa que também é um dos lados positivos destes encontros nacionais, rever toda a gente e renovar as conversas, fui procurar algo para jogar.

A malta estava quase toda já a jogar alguma coisa ou ocupada a explicar outras pelo que acabei por abordar um rapazinho que estava a brincar com o Hive. Perguntei-lhe se queria aprender a jogar e lá embarcámos em duas partidas interessantes. O Hive dá-me sempre gozo, mesmo quando as partidas são um pouco mais desequilibradas. Gosto de mostrar a quem está a aprender como poderá jogar melhor, como se aperceber das sequências possíveis de jogadas e como tentar detectar armadilhas.

Depois ele foi jantar, eu também, e no regresso, depois de um rápido Crokinole com malta do Porto, veio a primeira novidade da Con para mim.

Rampage é mais uma brincadeira do que um jogo, no entanto é muito divertido. Uma mistura de destreza e táctica no meio de caos, destruição de edifícios, meeples comidos, carrinhas lançadas pelo ar pelos nossos monstros e até alguma pancadaria entre os mesmos. Parece-me uma excelente opção para demonstrações com miúdos mais pequenos.



A noite terminou com um Nations. Este jogo tipo Civ não está nada mal. Não me convence o suficiente para o querer comprar, contudo. As duas partidas que fiz até agora foram muito diferentes e no fim fico com a ideia de que o jogo pode ser um pouco táctico demais para o tipo de jogo que é. No final da primeira partida fiquei com a ideia de que o aspecto militar era essencial por definir a ordem de turno (algo importante neste jogo) e por permitir um acesso relativamente facilitado a recursos com as batalhas ao mesmo tempo que permite causar problemas aos adversários. Pareceu-me muito forte em relação à estabilidade. Numa outra mesa disseram-me o contrário… E agora desta vez foi um bocado de ondas. Houve rondas em que descurar o militar podia ter custado muito caro e outras em que ter muito poder militar serviu de muito pouco (nenhuma batalha ou guerra)… Ou seja, depende de como as cartas vão saindo. São muitas e creio que situações extremas como as desta partida serão por isso raras, mas isso dá-me a tal ideia de um jogo muito táctico num ambiente que pede mais foco em estratégia. Não ficou na lista de aquisições. Jogo-o mais vezes se me convidarem porque até gosto de o jogar. Só não o suficiente para o querer ter na minha colecção.



Sábado foi dia de começar com uma derrota violentíssima em 1830.

Para quem jogou só uma vez ou duas, estar na mesma mesa que os tubarões com quem me pus a jogar, é brutal. Não me lembrava bem das regras ou mesmo do procedimento habitual de cada ronda e tive a terrível sensação de que estava a jogar sem a mínima ideia do que estava a fazer… A falência pouco depois do regresso do almoço era um desfecho anunciado.

Por outro lado, foi uma sessão do mais divertido que se possa imaginar, a companhia era do melhor e, apesar de me terem esmagado de forma inapelável, só tenho a agradecer aos meus companheiros de mesa por umas horas bem divertidas. É bem verdade que este hobby vive do convívio e que a competição é secundária. Para quem duvide, bastará assistir a um jogo que decorra de forma semelhante a este 1830.



Depois disto foram tudo jogos novos para mim.



O Space Dealer foi uma experiência interessante e diferente enquanto jogo de quase tudo o que já joguei antes. Quis experimentá-lo pois cheguei a pensar comprar a nova versão Time and Space. No fim acabei por tirar daí a ideia.

Ainda que a experiência fosse positiva, não creio que fosse um jogo que fosse jogar com frequência. O aspecto de tempo real dá-lhe muita graça e a negociação está implícita de tal modo que se torna quase obrigatória. No entanto fique com a sensação de que algo não correu lá muito bem e que involuntariamente todos acabamos por cometer erros de regras. Talvez a nova versão esteja mais "apurada" e flua um pouco melhor… Se houver oportunidade de experimentar essa versão, terei muito gosto em fazê-lo.



Depois veio um Prosperity, título do mestre Knizia em parceria com Sebastien Bleasdale que teve a amabilidade de nos ensinar o jogo e jogar connosco. Foi uma agradável "surpresa" pois embora esteja sempre à espera de bons jogos de Knizia, a verdade é que este passou um pouco despercebido em Essen e o buzz tem sido pouco à sua volta. Honestamente não percebo porquê.



Tive, com este jogo, aquela sensação de descoberta que há muito não tinha. Fez-me lembrar o tempo em que descobri coisas como Amun Re, Ingenious, Hoity Toity, Carcassonne ou outros títulos em que a palavra chave será, talvez, elegância. É algo mais ou menos desdenhado actualmente neste hobbby, algo que já foi fascinante e agora parace estar "fora de moda"… É normal que coisas que envolvem o gosto tenham ciclos e creio que hoje em dia estamos num ciclo menos propenso a este tipo de jogo. Fica a perder só quem realmente segue as modas…



O jogo é muito simples do ponto de vista mecânico mas oferece vários caminhos alternativos para a vitória. Dos três que jogamos, cada um seguiu um caminho diferente. O co-autor do jogo apostou em muito rendimento financeiro no início, o vch pareceu-me andar um bocadinho a tentar fazer de tudo e eu apostei na produção de energia para ganhar dinheiro e na investigação para aceder a tecnologias mais avançadas de forma mais barata. Acabei por ganhar por um ponto, creio…

Pelo que tenho lido há quem se queixe de que a revelação de um tile que despoleta pontuação na vez de cada jogador é demasiado imprevisível mas a mim não me pareceu. Sabe-se que a cada década haverá uma pontuação de cada um dos factores por isso há que ir-se especializando sem deixar que os outros factores cheguem a situações catastróficas… A diferença entre a pontuação de cada factor de um turno para outro não será nunca muito grande porque a evolução das tecnologias é gradual.

Não creio que este timing seja algo absolutamente determinante para se vencer. Se não foi a sequência óptima de pontuações nesta ronda, na próxima provavelmente será melhor.



Ficou na lista de prováveis aquisições e só não o comprei de imediato porque o orçamento para isso era limitado e havendo só uma cópia disponível acabou por ser comprado por outra pessoa.



Por outro lado o Legacy: Testament of Duke de Crecy teve algum impacto no hobby.



Gostei do jogo. Não fiquei fascinado mas a temática está engraçada e bem implementada. Joguei-o com prazer embora não seja muito profundo em termos estratégicos. Fizemos algumas coisas mal que foram bastante limitadoras, especialmente para os meus adversários e creio que o jogo sofreu um pouco com isso. Voltarei a jogá-lo sem grandes hesitações e creio que gostarei mais jogando com as regras correctas. A revisitar.



A noite de sábado acabou com o Concordia de Mac Gerdts. Estava muito interessado em experimentar este jogo sem rondel e tinha algumas expectativas em relação ao mesmo. Foram satisfeitas e trouxe o jogo comigo, devidamente autografado (obrigado Sentieiro).

É uma excelente experiência com escolhas interessantes durante todo o jogo. A apontar-lhe algum defeito seria o facto de a pontuação ser normalmente elevada e ,só sendo contabilizada no final, implicar algum exercício de aritmética (nada de assustador) tornando o fim um pouco trabalhoso.

Isto também faz com que a ideia de estar atento ao que os outros estão a tentar fazer passe um pouco ao lado quando se joga pelas primeiras vezes. A interacção ocorre quando se constrói onde alguém o queria fazer (o que só torna a construção mais cara mas não impossível), ou se compram as cartas que outros estavam a pensar comprar (o que em partidas posteriores, estando atento às estratégias dos outros pode ser feito como forma de ataque…) diminuindo assim os seus multiplicadores de pontuação. A possibilidade de usar uma carta antes jogada por outro jogador também nos faz prestar alguma atenção ao que os outros vão fazendo.



No domingo teria gostado muito de jogar mais coisas (o Madeira… ficou por jogar o Madeira, carago!) mas a gripe ou lá que raio me apanhou nessa altura estava a ganhar-me aos pontos e acabei por só dar lá um salto para ir buscar os meus jogos, cumprimentar a malta, agradecer e dar os parabéns aos organizadores. Algo que agora repito. Parabéns e obrigado!



Para o ano lá estarei de novo!