Seguindo as últimas sugestões de criação de equipas de Wings of War para torneios nos Encontros, proponho que já nesta 5ª se faça um Recrutamento de pilotos.
Ao mesmo tempo, e para dar a conhecer aos participantes do grupo Boardgamers-Porto, se faça uma partida (ou várias!)
Depois de ouvir tanto falatório em volta deste jogo, que me deixava curioso e algo confuso (que diabo fazia os avioes deslocar-se! ?), e após o mesmo ter sido apresentado a mim e à Cris no passado Sábado (ou terá sido já no Domingo, lol) pela fámilia BeGood (hihi), à qual nós desde já agradecemos, percebo o frenesim e a ânsia de se fazerem sessões com este jogo como pano de fundo.
Fiquei maravilhado! É, de facto, um excelente jogo com uma mecânica sólida de movimentação e uma não tão sólida de danos sofridos (muito dependente do factor sorte). Contudo, a aleatoriedade dos danos sofridos permite uma expectativa atroz sobre quando o nosso avião vai cair (ou os dos adversários).
Como tal, apresento-me como piloto de testes (e a Cristy também) para os próximos "treinos". Hajam vagas nos vossos aviões "suplentes" (visto que nós não possuímos nenhum ) !
Desculpem vir meter a minha colher tão fora da minha área, mas acompanho os vossos deambulanços sempre com grande interesse e prazer.
Aquilo a que chamas sorte é nem mais nem menos que o equacionar numa mecânica de uma simulação, sendo extremamente comum em wargames (BTW: bem vindo ao mundo dos wargames de miniaturas!). Tens de ter em conta que à época os aviões em causa são práticamente papagaios de papel com motor acoplado. Onde é que causas dano num avião destes? Motor, linhas de controlo dos lemes (estamos aqui a falar de cabos com 0,5 cm de diâmetro), no piloto e alguns suportes estruturais, tudo o resto sendo lona e madeira (muitas vezes balsa). Ora num combate neste género, até se tinha o avião mesmo debaixo de mira e bastava uma rajada de vento para fazer a mira desviar-se 1mm o que correspondia a que as munições no alvo se desviassem metros e passassem por todo o lado sem tocar em nenhum componente vital, sendo o inverso também verdade. A carta de dano BUM (a que destrói imediatamente um avião) corresponde àquele tiro que contra todas as hipóteses entra pelo tubo de escape e acerta no depósito de combustivel. O controlo de qualidade das munições bem como o nível de manutenção das próprias metrelhadoras era extremamente baixo, daí teres as cartas de Jam que reflectem isso mesmo. Ora como equacionar todos estes factores dentro de uma simulação? Atravéz de uma mecânica aleatória de alocação de dano, que sabes logo à partida que se te aproximares bastante (estares a menos de metade do comprimento da régua), duplicas as tuas hitóteses de dares dano ao adversário, ao obrigá-lo a receber duas cartas de dano com um único tiro, logo tens controlo sobre o dano que infliges. Aqui entram em jogo as probabilidades, pois a probabilidade de (tendo em atenção a distribuição de cartas no deck de dano) o teu adversário não receber dano nenhum é baixissima.
Para além desta forma de equacionar o dano numa simulação nos wargames, tens ainda os CRT’s (Combat Resolution Table) via dados, sejam por comparação de forças ou por dano directo. Qualquer que seja a forma, o objectivo é sempre incorporar dentro da simulação tudo quanto não está sobre o controlo do comandante, sejam as precaridades do serviço de abastecimento que falhou crucialmente em abastecer uma divisão quando esta se lançava à conquista da travessia de um rio, seja a estupidez dos seus subordinados que erradamente não interpretaram (ou interpretaram tardiamente) as suas ordens etc, etc. Por incrivel que isto possa parecer a um eurogamer, este elemento de sorte acaba por ser terrivelmente consistente, de tal forma que um bom jogador irá invariavelmente dar no toutiço a um mau jogador.
[quote=Firepigeon]Desculpem vir meter a minha colher tão fora da minha área, mas acompanho os vossos deambulanços sempre com grande interesse e prazer.
[quote=Dugy]uma não tão sólida de danos sofridos (muito dependente do factor sorte)[/quote]
Aquilo a que chamas sorte é nem mais nem menos que o equacionar numa mecânica de uma simulação, sendo extremamente comum em wargames (BTW: bem vindo ao mundo dos wargames de miniaturas!). Tens de ter em conta que à época os aviões em causa são práticamente papagaios de papel com motor acoplado. Onde é que causas dano num avião destes? Motor, linhas de controlo dos lemes (estamos aqui a falar de cabos com 0,5 cm de diâmetro), no piloto e alguns suportes estruturais, tudo o resto sendo lona e madeira (muitas vezes balsa). Ora num combate neste género, até se tinha o avião mesmo debaixo de mira e bastava uma rajada de vento para fazer a mira desviar-se 1mm o que correspondia a que as munições no alvo se desviassem metros e passassem por todo o lado sem tocar em nenhum componente vital, sendo o inverso também verdade. A carta de dano BUM (a que destrói imediatamente um avião) corresponde àquele tiro que contra todas as hipóteses entra pelo tubo de escape e acerta no depósito de combustivel. O controlo de qualidade das munições bem como o nível de manutenção das próprias metrelhadoras era extremamente baixo, daí teres as cartas de Jam que reflectem isso mesmo. Ora como equacionar todos estes factores dentro de uma simulação? Atravéz de uma mecânica aleatória de alocação de dano, que sabes logo à partida que se te aproximares bastante (estares a menos de metade do comprimento da régua), duplicas as tuas hitóteses de dares dano ao adversário, ao obrigá-lo a receber duas cartas de dano com um único tiro, logo tens controlo sobre o dano que infliges. Aqui entram em jogo as probabilidades, pois a probabilidade de (tendo em atenção a distribuição de cartas no deck de dano) o teu adversário não receber dano nenhum é baixissima.
Para além desta forma de equacionar o dano numa simulação nos wargames, tens ainda os CRT's (Combat Resolution Table) via dados, sejam por comparação de forças ou por dano directo. Qualquer que seja a forma, o objectivo é sempre incorporar dentro da simulação tudo quanto não está sobre o controlo do comandante, sejam as precaridades do serviço de abastecimento que falhou crucialmente em abastecer uma divisão quando esta se lançava à conquista da travessia de um rio, seja a estupidez dos seus subordinados que erradamente não interpretaram (ou interpretaram tardiamente) as suas ordens etc, etc. Por incrivel que isto possa parecer a um eurogamer, este elemento de sorte acaba por ser terrivelmente consistente, de tal forma que um bom jogador irá invariavelmente dar no toutiço a um mau jogador.
Manuel Pombeiro a.k.a.Firepigeon LUDO ERGO SUM[/quote]
Isso é tudo muito bonito e compreensível, em termos teóricos, mas eu continuo a achar que a teorias das probabilidades, ou das médias, conforme preferires, é uma grande treta.
Naturalmente que nos jogos não há outra forma de incorporar o imprevisto, mas isso não invalida o facto de que o factor sorte existe e pode ser um detractor da qualidade de um jogo. Pessoalmente não tenho qualquer problema com a inclusão desta carta no WoW nos jogos normais. Já no torneio acho que introduz um factor de desequilíbrio demasiado grande. Em jogos tão curtos e em que se joga essencialmente pela pontuação de rajadas curtas e longas acho que se deveria retirar a mesma.
Quanto aos melhores jogadores vencerem sempre o factor sorte, acho que todos sabemos que não é bem assim. Podes argumentar que num grande número de jogos a tendência é essa, mas que interessa isso se estás a jogar um só jogo uma só vez? E é esse o problema da teoria... assenta na repetição esquecendo que essa repetição é irrelevante para o caso isolado.
Isto para já não falar daqueles casos especiais de pessoas que pedem um determinado resultado nos dados e acertam... várias vezes seguidas. Eu já vi...
Explica-me pq é que aos wargamers (como eu) não os aquece nem arrefe? Aliás a incerteza faz parte da planificação, o não-determinismo coloca exactamente a emoção no jogo, o saber de antemão que nem tudo está previsto, e que todos os planos não sobrevivem ao contacto com o adversário.
Não esquecer que essa pontuação é uma house rule que não existe nas regras. Já a retirada da carta de explosão está contemplada nas regras base como opcional para jogos em formato de torneio!!
E ficaste parado à espera de que? Nessa altura é agarrar no sujeito e enfiá-lo no carro e só o largar depois de passar pelo Casino!!! Ganda noitada que isso dava!!! LOL
Sinto-me lisonjeado por um comentário meu ter servido para uma troca de argumentos onde um dos intervenientes é, nada mais, nada menos, do que um "guru" de jogos de tabuleiros português, dono de uma impressionante "jogoteca" (299 jogos!!! segundo o BGG), de seu nome Manuel Pombeiro aka Firepigeon (espero conhecê-lo num próximo encontro nacional pois infelizmente não fui a Abrantes ) e um outro que é o principal responsável pelo grupo de boardgamers do Porto, de seu nome Pedro Silva aka Mallgur (que eu felizmente conheço, pois "introduziu-me" no grupo com extrema simpatia e afabilidade).
Obrigado aos mesmos.
Quando escrevi "uma não tão sólida de danos sofridos (muito dependente do factor sorte)" deveria ter escrito "uma não linear de danos sofridos (muito dependente do factor sorte)". Assim é que deveria ter sido. Porque eu não aponto isto como defeito no jogo, como se verifica na frase seguinte "Contudo, a aleatoriedade dos danos sofridos permite uma expectativa atroz sobre quando o nosso avião vai cair (ou os dos adversários).". Não. Longe disso. Torna-o fiel ao tema (como o Firepigeon descreveu na perfeição) mas torna-o imprevisível. Eu posso infligir 10 danos num oponente e ele ter a sorte de retirar imensas cartas de danos de 0 e 1, enquanto, no momento seguinte, levar 1 dano e retirar a carta de BUM ou levar 3 danos e retirar cartas com 4 e 5 pontos de danos, acabando por ser abatido. Isso a mim não me perturba se me focar no tema. Mas pode tornar-se desinteressante para jogadores que só gostam de jogos lineares.
Daí eu não concordar com esta citação:
[quote=Firepigeon]
Por incrivel que isto possa parecer a um eurogamer, este elemento de sorte acaba por ser terrivelmente consistente, de tal forma que um bom jogador irá invariavelmente dar no toutiço a um mau jogador.
[/quote]
Até porque o bom jogador pode estar num dia de azar e o mau, num daqueles dias de sorte .
Mas esta é a minha opinião. De um principiante, diga-se.
Respeitosos cumprimentos a estes Senhores dos jogos de tabuleiro.
Não, não vou falar de cerveja. Em resposta aos posts do Dugy e do Asur se ninguem tiver problemas em pilotar aviões um pouco crivados de balas conto levar 4 modelos. Por isso em terra é que não ficam. Motor! Armas! Contacto!
Então concordemos em discordar!! E trazendo a estatistica à baila como o Pedro não gosta, qts dias em 365 é que essa situação decorreria? Básicamente não acredito que exista por aí um Gastão (o primo do pato Donald) em todos os grupos, todos os dias, em qualquer jogo.
[quote=Firepigeon] Explica-me pq é que aos wargamers (como eu) não os aquece nem arrefe? Aliás a incerteza faz parte da planificação, o não-determinismo coloca exactamente a emoção no jogo, o saber de antemão que nem tudo está previsto, e que todos os planos não sobrevivem ao contacto com o adversário.[/quote]
A mim também não me aquece ou arrefece. Jogo jogos com factores aleatórios sem problemas. Aliás disse claramente que essa era a única forma de introduzir imprevisibilidade em certos jogos. Só acho curioso que sempre que se fala do factor sorte num jogo alguém venha com a teoria das probabilidades ao barulho... Isso só faz sentido, como disse, numa grande repetição dos eventos. O que a torna irrelevante para um caso particular. Só isso.
Ah... e naturalmente que prefiro que os meus planos sejam derrotados pela perícia do meu adversário e não pela sua maior "fortuna" no lançamento de dados.
[quote]Não esquecer que essa pontuação é uma house rule que não existe nas regras. Já a retirada da carta de explosão está contemplada nas regras base como opcional para jogos em formato de torneio!![/quote]
Sim. Claro. Apenas defendo que, sendo o torneio uma situação especial em que os jogos tiveram uma curta duração e em que o sistema de pontuação poderia premiar os jogadores que manobrassem melhor para conseguir rajadas curtas, a introdução da carta de explosão foi um pouco contrária a essa ideia.
[quote] E ficaste parado à espera de que? Nessa altura é agarrar no sujeito e enfiá-lo no carro e só o largar depois de passar pelo Casino!!! Ganda noitada que isso dava!!! LOL[/quote]
30 anos depois, experimentem ver o dano que alguns aviões sofriam e mesmo assim conseguiam ainda voar: https://www.daveswarbirds.com/b-17/contents.htm
(observem bem a 3ªfoto na 2ªpágina de fuselagem)