Versão curta: Excelente! Melhor ainda pelo aumento de afluência, bem merecido desde há várias edições.
Versão longa
Uma das coisas que acho mais curiosa nestes encontros nacionais em Portugal é que quase todos eles têm características únicas em redor dos denominadores comuns que são os jogos e o convívio.
Leiria tem os designers convidados, Abrantes o espaço aprazível, Aveiro o torneio Dá-lhe Ku Dedo e agora Bragança a inexcedível hospitalidade da organização e o seu esforço para mostrar um dos aspectos dominantes da cultura transmontana, a gastronomia. Aliás, este encontro de Bragança começa a merecer o epíteto de encontro Ludo-Gastronómico.
A mudança para Agosto da data desta RuralCon foi uma brilhante ideia. Permitiu, creio, uma maior afluência de membros de regiões mais distantes. O calor foi um problema menor à luz de tudo o resto.
Só partimos para Bragança no Sábado perto das 8:30 o que, com a IP4 em obras a obrigar-nos a ir por Espanha, implicou que chgássemos já muito perto do meio-dia, ou seja, tarde demais para jogar algo ainda na manhã, mas bem a tempo do almoço.
Esperava-nos uma ida ao Poças onde pude apreciar uma excelente Alheira, apesar de ter ficado bem tentado pelo Bacalhau à Zé do Pipo que experimentei no ano passado. Pelo que ouvi, o bacalhau estava muito bom.
A tarde lançou-me na primeira experiência com o sistema 18XX, tendo como mestre o Pombeiro e a sempre agradável companhia da Elsa, Pedro e Nuno. Estava preparado e mentalizado para uma retumbante derrota. Um sistema conhecido pela sua complexidade, adversários mais experientes e tudo à volta de um mercado accionista que é um ambiente onde habitualmente me dou mal, eram factores favoráveis a tal resultado.
Talvez pela minha soberba incapacidade para avaliar acções e gerir empresas, acabei por causar alguma surpresa por ter levado um empresa à beira da falência e a ter entregue de bandeja ao Nuno que acabou por não a conseguir recuperar. Como os outros jogadores contavam com mais algumas rondas, acabei por ganhar com 730 dólares de capital! Foi, para mim, a surpresa da Con. Gostar e, principalmente ganhar, um jogo deste sistema.
Depois o 7 Wonders com a expansão Leaders que, francamente, não me convenceu. Continua a ser um jogo levezinho, tipo filler, que se joga com agrado mas que está longe de justificar alguma da histeria que tem provocado. Se não vier aí uma inundação de expansões, como aconteceu com Dominion, terá o destino que este merecia, o esquecimento relativamente rápido excepto como pioneiro na utilização de uma mecânica de forma bem sucedida comercialmente (eu sei que outros usaram drafting antes, mas não tiveram o mesmo impacto no mercado).
O meu Molkky feito em casa estava pronto a tempo de ser levado para Bragança e lá consegui convencer alguns a jogar comigo. Ao Robin_Graves, Guilherme Pombeiro e Joao104, o obrigado por entrarem no espírito. Foi por jogar com vocês que a curiosidade dos outros foi despertada e agradou-me muito ver que várias pessoas o foram jogando no encontro por iniciativa própria.
Algures aqui pelo meio veio a visita ao Jorjáo para mais uma dose de carne. Boas entradas, apesar do presunto ter levantado voo mais rápido do que eu pude agarrá-lo, e os pratos principais bem agradáveis. Dos quatro restaurantes que visitámos ao longo da Con, terá sido, talvez, o mais fraco mas, ainda assim, comeu-se muito bem.
A noite de Sábado terminou com um Piece o' Cake em que a Juliana mostrou aos homens, Dugy, Nogud e eu, que quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte. Ela não é tola nenhuma e teve muita arte para nos derrotar. Foi uma boa sobremesa para fechar o primeiro dia, já depois das 2 da manhã.
Domingo de manhã foi dedicado a explicar Puerto Rico, entre alguma conversa, aos visitantes Espanhóis, Pepe e Laura. Um casal muito simpático que lidou muito bem com o meu Portunhol.
Fomos entretanto à que será, talvez, a melhor Pizzaria do país. O pão de alho é aqui insuperável, quase uma mini-pizza em si mesmo. A pizza estava excelente e uma sobremesa de gelado de limão em vodka coroou de êxito mais uma excelente refeição.
Talvez por efeito da vodka, talvez por estar mais preocupado em orientar bem nuestros hermanos, do que concentrado nas minhas jogadas, perdi clamorosamente o Puerto Rico.
Entretanto o Joao104 e o tmgd dispuseram-se a experimentar o meu Manobras de Dados. Obrigado pela disponibilidade e, caso não vos seja muito trabalhoso, mandem-me algum feedback por favor. Já foi útil saber o resultado final tendo em conta os lançamentos iniciais (ganhou quem rolou mais baixo, o que receava fosse difícil).
Também o joguei com o Strilar (o meu obrigado também). Este teste foi interessante e, mais uma vez, ganhou quem tinha rolado números menores. Parece que a mobilidade pode não ser demasiado determinante o que é bom para o que pretendo do jogo.
Pude também jogar Trench com o Strilar. Apesar de uma pequena vantagem nas primeiras capturas dele, uma maior presença na zona de trincheira acabou por me dar vantagem. Este jogo está muito bem conseguido tanto do ponto de vista estético como do ponto de vista lúdico. Creio que junto da comunidade gamer, será necessários algum distanciamento em relação à inspiração na Primeira Guerra Mundial. Ainda que se perceba a relação entre esta inspiração e as opções táctico-estratégicas do jogo, a experiência de jogo é eminentemente abstracta. Tal como no Xadrez, podemos falar de uma espécie de encenação de guerra, mas a comunidade gamer não deixará de ver este jogo como um abstracto puro.
Eu gostei de o jogar e não sou grande adepto do Xadrez, por exemplo. O Strilar jogou rápido, algo que, definitivamente, para mim, é mais interessante. Uma das coisas que me chateia no Xadrez é o potencial para tempos de espera longos. Por isso o jogo tão mal... gosto de jogar rápido.
Nesta noite fizemos uma visita ao Roberto, onde comi uma excelente posta de vitela. A companhia à mesa foi da melhor e o longo jantar traduziu-se num momento de convívio e diversão onde, como sempre, brilhou a excelência da companhia que é esta comunidade.
Terminei a RuralCon com uma visita inacabada ao War of Honor. Um híbrido entre CCG e jogo de tabuleiro. Honestamente penso que é uma excelente opção para quem quer iniciar-se no Legend of Five Rings, porém, com jogadores inexperientes como eu torna-se demasiado longo pois somos obrigados a ler bastante texto nas cartas para estarmos cientes das possibilidades em jogo. E não temos que saber só que fazem as nossas. A facilidade com que as alianças entre os jogadores mudam, um aspecto brilhante do jogo, implica que saber o que os outros podem fazer é também um factor importante. Jogámos mais de duas horas e não estávamos sequer a meio do jogo. Um dos que fica para outras situações mais vantajosas. Obrigado ao Strilar por mo ter ensinado e aos outros adversários por terem aturado a minha lentidão.
No dia seguinte ainda ficaria para uma visita à Feira Medieval no castelo e almoço por lá.
Para o ano estarei de volta. Um fim-de-semana (3 dias) destes custou-me menos de 200 € para duas pessoas. Tendo em conta a qualidade das refeições, a possibilidade de ter ganho alguns jogos (desta vez não saiu grande coisa mas houve quem viesse com muito bons prémios), o convívio e a jogatina que até poderia ter sido bem mais (deixei aqui de fora pequenas sessões de explicação), foi algo raro. Uma excelente escapadinha por um preço muito acessível.
Aspectos negativos? Não haver nada para dizer mal...
Um enorme obrigado ao João e a todos os outros que o ajudaram na organização. Foram inexcedíveis no esforço de nos proporcionarem as melhores condições (sempre a trazer água fresca, sumos, leite achocolatado, folar e bolinhos para irmos petiscando).
Até para o ano, certamente!