Projectos em torno do rpg
Num outro fórum criado pelo Mariano discutimos o que existe de rpgs em português ou criados por portugueses. Aí foi levantada a hipótese de um projecto colaborativo neste domínio. Aqui vão algumas ideias:
1. Do meu ponto de vista a criação de um jogo é complexa. É preferível testar soluções com projectos mais limitados, estilo adaptação de um universo de jogo a um sistema já existente.
2. É preferível começar com um projecto em inglês para um jogo disponível no mercado internacional. Isto para vermos o que temos capacidade de fazer e para termos o fidebéque alargado permitido pelos fóruns existentes nessa língua.
3. Um jogo em português é para uma segunda fase mas, adiantando ideias, penso que ele: deverá ser genérico; deverá ser baseado em ficção com larga circulação e tradição na nossa língua, sejam autores clássicos (Salgari, Verne, Haggard, etc.), sejam autores só recentemente divulgados entre nós em português (Conan), sejam autores portugueses da nova geração; deverá ser bastante simples e adaptável; não precisa de ser um jogo criado aqui, pode ser a tradução/adaptação de um jogo criado lá fora.
Tomando como base estas ideias venho partilhar um projecto que tenho na fase muito inicial: TCCHA!
TCCHA! quer dizer the Tome of Colonial and Contemporary Heroic Action.
A ideia é fazer um livro que ficção de acção heróica contemporânea. Isto quer dizer várias coisas:
Sendo heróica não é super heróica nem subrenatural.
Sendo acção não é drama, investigação, romance, psicodrama, etc.
Sendo colonial e contemporânea fixa-se nos seguintes «universos»:
- Colonial (Sandokan, Tarzan, As minas do rei Salomão, vários filmes e outros livros)
- Anos 30 (há imensa coisa mas o paradigma actual é o Indiana Jones)
- Noir (policial e acção clássica, estilo filmes americanos da época)
- Segunda Guerra Mundial
- Guerra Fria (James Bond, John Le Carré, O Santo, O Fugitivo, etc.)
- Pós apocalíptico (Mad Max 1)
No que respeita a sistemas de jogo, a minha ideia pessoal é fazer um livro jogável com os meus dois sistemas favoritos, BRP e HeroQuest 2.0.
O que acham da ideia?
[EDIT] Como é evidente, este fórum pode ser alargado a outros projectos, venham eles.[/EDIT]
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Hmm...
Não me parece má apesar de achar curioso o teu enquadramento (histórico?) "Colonial". :)
O sistema é uma mistura do BRP e HQ 2.0 ou é para cada um?
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A ficção colonial existe,
A ficção colonial existe, alguma dela é bastante boa, está à venda entre nós e contínua a moldar as nossas imaginações, mesmo que isso não seja políticamente correcto... (Mas pessoalmente estou-me nas tintas para o políticamente correcto.)
Não, a ideia não é ser uma mistura de sistemas de jogo. A ideia é incluir umas guidelines sobre como jogar com um e o outro sistema e como adaptar PCs, NPCs, creaturas e outras entidades de jogo.
Sérgio Mascarenhas
OK...
De que modo o universo fantástico pode ser melhor ou pior emulado em cada um desses sistemas? E porquê o esforço em duplicado e não te concentrares apenas num?
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Não é fantástico, é
Não é fantástico, é acção em ambiente «orientalista».
O duplicado é pessoal: o BRP é o sistema com que me fiz roleplayer e continuo a achar que é um dos melhores no mercado. O HQ é o melhor no mercado (sem ser perfeito, há tanto a melhorar!). E ambos estão profundamente relacionados, como as duas faces de uma moeda. Pôr os dois no livro é para mim uma necessidade.
Sérgio Mascarenhas
De qualquer das formas,
De qualquer das formas, acho que este fórum já me ajudou a esclarecer uma questão: o que me interessa mesmo a título pessoal é a acção «colonial». Como se isso não fosse de esperar...
Sérgio Mascarenhas
Acção colonial...
Acção colonial parece interessante e diferente. Ainda bem! :)
Não conheço muito bem quer um quer outro. De qualquer modo estou pronto para ajudar no que puder. ;)
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Se estivesses preocupado
Se estivesses preocupado com o politicamente correcto (que vi que não estás ) podias substituir p termo "acção colonial" por "aventuras exóticas"...
" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"
Em rigor a expressão
Em rigor a expressão inglesa que eu tenho em mente é «Jungle Heroes»...
Sérgio Mascarenhas
Tens o dever de passar a
Tens o dever de passar a conhecer bem os 2! Eu empresto-te as minhas versões pdf de ambos se prometeres que os vais comprar...
Aliás, estou certo de que vais gostar particularmente do HQ2! Pelo que me toca continuo a digeri-lo na linha das nossas conversas na Runadrake, noutros tempos. O Robin D. Laws desenha jogos a passo de caranguejo optimista, ou seja, dois passos
a frente, um atrás. (O que tem tudo a ver com o HQ2, diga-se de passagem, mas isso só compreende quem tenha o jogo.)
Sérgio Mascarenhas
Um mais que o outro...
Se o BRP for o do Call of Cthulhu e do Stormbringer, conheço mais ou menos. Acho que tinha a nova edição do BRP por aí. Este é de licença aberta?
Quanto HeroQuest já li um pouco do HeroQuest 1.0. Ainda não consegui ler a preview de uma ponta à outra.
Quando é que escreves o pitch ou o outline do "Aventuras Selvagens"?
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O BRP é esse mesmo. Têm
O BRP é esse mesmo. Têm um esquema qualquer de licença aberta mas hoje em dia todos os sistemas têm, depois do d20. Todos menos o DD4, por sinal...
Quanto ao HQ, a nova edição é muito melhor, além de ser genérica. E entra por domínios muito interessantes, daqueles que os livros de regras normalmente nem colocam a hipótese de se aventurarem a entrar.
Queres dizer «Heróis na Selva»? Bem, bem, deixa-me acabar de por as ideias em ordem quanto ao HQ2 primeiro. (É que me dá mesmo que pensar...)
Nota que, como eu disse, o projecto pode ser colaborativo. Outras pessoas podem pegar noutros períodos históricos (anos 30, 2ª guerra mundial, guerra fria, pós-apocalipse contemporâneo) ou noutros géneros (policial, espionagem, agente secreto - não é necessariamente o mesmo que espionagem -, guerra contemporânea, sobrevivência, etc.). Pegavas em algum?
Sérgio Mascarenhas
Já agora...
Bem, bem, deixa-me acabar de por as ideias em ordem quanto ao HQ2 primeiro. (É que me dá mesmo que pensar...)
Quando é que escreves um review sobre o HQ2? :)
Nota que, como eu disse, o projecto pode ser colaborativo. Outras pessoas podem pegar noutros períodos históricos (anos 30, 2ª guerra mundial, guerra fria, pós-apocalipse contemporâneo) ou noutros géneros (policial, espionagem, agente secreto - não é necessariamente o mesmo que espionagem -, guerra contemporânea, sobrevivência, etc.). Pegavas em algum?
Sérgio Mascarenhas
Eu pegava nos anos tumultuosos do início do século XX em Portugal com anarquistas e tudo o mais. :)
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jrmariano escreveu:
Quando é que escreves um review sobre o HQ2? :)
Já pensei nisso e já deixei de pensar. A minha ideia actual é escrever uma série de colunas sobre o sistema, talvez para publicar na RPGnet. Aí descrevo a forma como funciona, apresento a minha crítica as as minhas alternativas, onde for caso disso.
Eu pegava nos anos tumultuosos do início do século XX em Portugal com anarquistas e tudo o mais. :)
Eu tenho umas notas de um jogo situado nessa altura. Combina a série de banda desenhada das Cidades Obscuras com a Lisboa do fim dos anos 20, metendo os poetas do Orfeu ao barulho e em grande, em particular Pessoa e o seu séquito de heterónimos...
Sérgio Mascarenhas
Sim, senhora!
Num outro fórum criado pelo Mariano discutimos o que existe de rpgs em português ou criados por portugueses. Aí foi levantada a hipótese de um projecto colaborativo neste domínio. Aqui vão algumas ideias:
1. Do meu ponto de vista a criação de um jogo é complexa. É preferível testar soluções com projectos mais limitados, estilo adaptação de um universo de jogo a um sistema já existente.
2. É preferível começar com um projecto em inglês para um jogo disponível no mercado internacional. Isto para vermos o que temos capacidade de fazer e para termos o fidebéque alargado permitido pelos fóruns existentes nessa língua.
Concordo perfeitamente! Para quem tem essa curiosidade eu sou terrível a desenvolver sistemas apesar de gostar da ideia de escrever sobre e para RPGs.
Li há pouco um artigo que compara os sistemas de licença aberta de RPG com os game engines dos videojogos, aos quais os developers independentes preferem acesso porque não têm recursos materiais e humanos para criarem um sistema de raíz. Acho que a solução pode ser mesmo essa, pelo menos para mim.
Pena é que por vezes o acesso ao sistema estar um pouco dificultado devido aos documentos estarem pouco legíveis e funcionais.
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A questão é dispor de um
A questão é dispor de um sistema que seja uma base de trabalho adequada, ou seja, muito simples mas, ao mesmo tempo, muito potente. É aqui que entra o HQ2...
Sérgio Mascarenhas
call me crazy, but..
Parece-me que estamos em desacordo, algo que já tem vindo a ser nosso hábito por este site fora :)
1. Do meu ponto de vista a criação de um jogo é complexa. É preferível testar soluções com projectos mais limitados, estilo adaptação de um universo de jogo a um sistema já existente.
Portanto, escrever um suplemento para um RPG que já exista? Não é isso que fazemos informalmente de cada vez que mestramos uma campanha? Entretanto, quais seriam então os problemas para os quais seria necessário "testar soluções"? São deficiências que, por exemplo, os settings para BRP ou Heroquest têem? São falhas a nível dos ambientes em si ou na forma como são escritos e apresentados?
2. É preferível começar com um projecto em inglês para um jogo disponível no mercado internacional. Isto para vermos o que temos capacidade de fazer e para termos o fidebéque alargado permitido pelos fóruns existentes nessa língua.
Podemos ter projectos quer em português, quer em inglês - deixando os RPGs mais introdutórios para a nossa língua materna e os RPGs mais pesados para o possível reconhecimento internacional.
3. Um jogo em português é para uma segunda fase mas, adiantando ideias, penso que ele: deverá ser genérico; deverá ser baseado em ficção com larga circulação e tradição na nossa língua, sejam autores clássicos (Salgari, Verne, Haggard, etc.), sejam autores só recentemente divulgados entre nós em português (Conan), sejam autores portugueses da nova geração; deverá ser bastante simples e adaptável; não precisa de ser um jogo criado aqui, pode ser a tradução/adaptação de um jogo criado lá fora.
Não precisa de ser um jogo criado aqui? Mas ambicionamos ser autores ou editores/tradutores?
Além disso - e apesar de compreender inteiramente a sua conveniência - não estou interessado em fazer/usar sistemas genéricos. Penso que já conheces aquela filosofia toda do "system matters", por isso não vou estar aqui a comparar argumentos.
De qualquer forma, criar ambientes para sistemas de regras que já existem não é simplesmente aquilo que muitos mestres-jogo fazem quando começam uma grande campanha? E que aproveitam isso para introduzir as suas próprias ideias e para melhorar certos aspectos em relação aos settings oficiais? E que, de muito fazer isso, acabam por se fartar, decidem criar o seu próprio RPG e tornam-se autores?
Acho que tu ainda não te fartaste, Sérgio ;)
Eu também gosto muito de BRP ou de Heroquest, mas, entre enviar o meu currículo para a Chaosium e tentar fazer os meus próprios jogos, prefiro tentar criar coisas novas. Estou interessado em ajudar qualquer iniciativa, mas a minha prioridade são projectos _de_ RPG, não "em torno do".
Compreendo a tua perspectiva...
E por vezes quando penso em mexer numa sistema já existente sinto que estou a fazer um hack caseiro, uma variação do universo de jogo consubstanciada pelas regras que eu usaria numa campanha minha.
E para não falar da chatice que é traduzir livros de jogo. Eu tenho andando a traduzir o Solar System e o Primetime Adventures e é um fardo difícil de carregar.
Por outro lado, estás a ver aquele problema do playtesting e tal? Um sistema conhecido têm fortes probabilidades de já ter sido testado e ter sido consolidado.
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Rick Danger escreveu:
Portanto, escrever um suplemento para um RPG que já exista? Não é isso que fazemos informalmente de cada vez que mestramos uma campanha? Entretanto, quais seriam então os problemas para os quais seria necessário "testar soluções"? São deficiências que, por exemplo, os settings para BRP ou Heroquest têem? São falhas a nível dos ambientes em si ou na forma como são escritos e apresentados?
Nada disso! O problema não é a esse nível. Onde é, do meu ponto de vista, necessário testar soluções é ao nível da capacidade de concretização nossa (ou pelo menos minha). As ideias são muitas, excelentes, etc., mas... e quanto à concretização? Zero? Uns pontos ligeiros acima do zero? O que eu penso é que é preferível começar com um projecto pouco ambicioso mas levá-lo até ao fim antes de partir para um projecto mais ambicioso. Só isso.
Não precisa de ser um jogo criado aqui? Mas ambicionamos ser autores ou editores/tradutores?
Do meu ponto de vista a ambição é colocar um rpg no mercado português em Portugal que tenha potencial de realmente criar um mercado e que possa dar origem a uma abordagem portuguesa ao rpg. O sistema de base até pode não ser local mas a equipa local tem de ter a capacidade de o levar no sentido que mais se adeque à nossa cultura e consumo de ficção (o que não me parece ser possível, por exemplo, com o DD). Para mim é secundário pôr na equação a construção de uns quantos egos locais...
Além disso - e apesar de compreender inteiramente a sua conveniência - não estou interessado em fazer/usar sistemas genéricos. Penso que já conheces aquela filosofia toda do "system matters", por isso não vou estar aqui a comparar argumentos.
Isso são tudo teorias (e eu até sempre defendi que o sistema é determinante, muito antes de aparecerem uns maduros a fazerem disso uma doutrina - contra os que fazem doutrina do ponto de vista oposto).
O que eu penso é que há tipos de ficção que são mais fáceis de fazer penetrar no mercado tuga porque são aqui bem conhecidas. Basta ver que o meu bem amado Salgari que estava desaparecido há 20 anos, está a regressar ao mercado! Ora são tipos de ficção que se adequam bem a sistemas genéricos como os que eu propus (BRP e HQ2).
De qualquer forma, criar ambientes para sistemas de regras que já existem não é simplesmente aquilo que muitos mestres-jogo fazem quando começam uma grande campanha? E que aproveitam isso para introduzir as suas próprias ideias e para melhorar certos aspectos em relação aos settings oficiais? E que, de muito fazer isso, acabam por se fartar, decidem criar o seu próprio RPG e tornam-se autores?
A resposta à primeira questão é que sim... para MJs experientes. Ora todos começam por outro lado, pelo início, pela utilização de material alheio. Quanto ao último ponto, é uma daquelas ideias que está excessivamente sobrevalorizada. A percentagem dos MJs que criam os seus próprios jogos deve ser muito pequena, quanto muito fazem umas regras da casa para o seu jogo favorito. Eu estou a pensar na vasta maioria de potenciais MJ tugas que não vai criar o seu sistema, vai jogar o que lhe for oferecido pelo mercado.
Eu também gosto muito de BRP ou de Heroquest, mas, entre enviar o meu currículo para a Chaosium e tentar fazer os meus próprios jogos, prefiro tentar criar coisas novas. Estou interessado em ajudar qualquer iniciativa, mas a minha prioridade são projectos _de_ RPG, não "em torno do".
Espero vê-los concretizados. Eu fui-me tornando menos ambicioso com o tempo. Os projectos que fui deixando pelo caminho demonstraram-me que é melhor começar por algo pequeno mas exequível, por exemplo um livro de jogo para sistemas que domino bem e de que gosto. Depois, e com base nessa experiência, passar para um jogo meu. Até porque eu sei que vai ser nas arcas do BRP e do HQ que eu vou colher as ideias para esse jogo...
Sérgio Mascarenhas
Hmmm...
E será que a tal ficção colonial é assim tão representativa e apelativa ao mercado que se pretende conquistar.
Porque não algo mais exequível como um RPG no espírito da velha escola capaz de atrair tanto os veteranos como os seus filhos e familiares mais jovens? Algo que concentre as novas ideias que já por aí circula e as aplique de uma maneira meio-familiar e meio-inovadora?
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só uma ideia
Só para deixar aqui uma ideia. Sou leitor assiduo de um blog de notícias sobre miniaturas, e o autor até criou um fórum. Depois teve uma óptima ideia para espalhar os novos jogos de miniaturas que vão aparecendo mas que só meia dúzia de pessoas experimentam. Criou algo a que chamou de Battle Challenge em que através de votação os leitores escolhem um jogo pouco jdivulgado para experimentar. O jogo que ganha tem lugar de destaque numa secção do fórum, onde todos os que o joguem são fortemente encorajados a pôr battle reports, reviews, ideias e opiniões. Assim os jogos divulgam-se e a pequena comunidade de cada um torna-se mais próxima e mais bem desenvolvida.
E porque não fazermos algo semelhante? Temos tantos títulos na calha (ver thread anterior sobre os RPGs portugueses), poderiamos fazer uma votação para elegermos um, e depois cada um que votou comprometia-se a dar uma opinião, ideia ou critica sobre o que viu. Se possível, até postar um report de uma sessão de teste.
Julgo que assim podemos dar uma força a quem precisa, e teremos a sensação que todos ajudámos a concretizar um projecto que se torna maior do que alguma vez o autor pensou ser possível, que acham?
A ficção colonial tem
A ficção colonial tem várias vantagens:
É de fácil assimilação pois baseia-se no nosso mundo e em realidades e ficções que nos são muito próximas e estão muito divulgadas.
Assenta em obras de grande divulgação e fáceis de encontrar (aqui e lá fora).
Algumas dessas obras estão no domínio público, nomeadamente na internet.
Não envolve magia nem sistemas especiais de regras, o que facilita a produção do livro.
Quanto ao sistema de regras, a velha escola é mesmo velha, em espírito e execução. Nota que não incluo na velha escola o BRP que estava avançado relativamente à sua época, embora ainda tenha algumas heranças dispensáveis mas que não incomodam. O HQ é um sistema muito mais performante. Não é perfeito mas é o melhor que há no mercado hoje em dia. Digo-o com ponderação.
Sérgio Mascarenhas
E por outro lado...
Incide sobre uma ficção tão específica que atinge apenas um nicho do mercado actual de leitores, especialmente os com tempo livre para os jogar e divulgar.
E em que obras de ficção de referência escritas por autores portugueses estavas a pensar?
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A ficção colonial pode
A ficção colonial pode ser específica mas é fácil de assimilar e está na mente de toda a gente, de uma forma ou outra. Quem não conhece o Tarzan? O Indiana Jones?
Há hoje por aí uns quantos escritores portugueses de ficção medieval. Igonoro de todo a sua qualidade (que suspeito não ser elevada, devem ser no geral meros clones locais do que se faz lá fora) mas são de cá, escrevem na nossa língua... e podem dispor-se a colaborar num projecto de jogo baseado nos seus livros.
Sérgio Mascarenhas
E já agora, explica lá
E já agora, explica lá melhor isso de «um RPG no espírito da velha escola capaz de atrair tanto os veteranos como os seus filhos e familiares mais jovens? Algo que concentre as novas ideias que já por aí circula e as aplique de uma maneira meio-familiar e meio-inovadora?»
Sérgio Mascarenhas
É fácil...
Um RPG old-school no espírito das 1ªs edições do Dungeons & Dragons e do Runequest (e outras das quais me tenha esquecido entretanto) que fosse familiar e saudosista aos jogadores veteranos o suficiente para os levar a usá-lo para correr campanhas para jogadores mais novos que se sentem atraídos por fantasia medieval e tal. Claro que para atrair os segundos e os designers da nossa praça tinha que ser algo inovador dentro essa filosofia de design.
Na América fala-se muito dos retro-clones. Faz uma pesquisa rápida na internet.
Eu por mim é até fazia um "middle-age school" muito vampiresco e lobisomensco para atrair os fãs do Crepúsculo e do True Blood. :)
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Eu tenho acompanhado essa
Eu tenho acompanhado essa onda dos retro clones e deixa-me frio, sobretudo os clones do DD original (que, aliás, tenho na edição portuguesa). Como sistemas de jogo deixam muito a desejar na sua fidelidade à matriz original e como contextos de jogo faz-se hoje melhor com jogos de tabuleiro.
No que respeita ao RQ, não é necessário recorrer a retro clones, há hoje variantes modernas que cheguem: BRP, MRQ, OpenQuest. Criar um jogo em português baseado no BRP é sempre uma hipótese mas nesse caso porque não dar o seu a seu dono e traduzir a coisa? Não, não estou a pensar no tijolo de 400 páginas, estou a pensar numa versão condensada e seleccionada do seu conteúdo.
Quanto à inovação para contentar designers locais, deixa-me rir. Eles querem atenção? Mereçam-na. Ponham os seus jogos «inovadores» no mercado em lugar de exigirem inovação do trabalho de terceiros.
Quanto à tua proposta, há assim tantos fans do Crepúsculo e do True Blood entre nós que justifique essa aposta?
Sérgio Mascarenhas
Hmmm...
Eu estava a pensar algo no espírito do retro-clone mas não propriamente igual. Nostálgico mas inovador.
É uma possibilidade mas como te disse traduzir calhamaços é chato e pouco recompensador no dia-a-dia. Mas aí onde pômos o cunho pessoal, na escolha de regras?
Ah, pensei que querias colaboração de mais pessoal potencialmente interessado em fazer design e escrever RPG...
Hmm... Não tens filhos adolescentes pois não? :D O Crepúsculo é um grande fenómenos entre os meus alunos e pessoal até mais velho. O True Blood é uma boa série de vampiros da HBO. Garanto-te que tem mais fãs que a ficção colonial. :P
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Mas porque é que há-de
Mas porque é que há-de ser inovador? Inovador no contexto português é um sólido clássico. O que o fará inovador é o simples facto de existir...
Eu não estou a pensar num calhamaço. Tomemos o BRP como referência, o que estaria em causa seria uma cuidadosa selecção de regras de entre as inumeras opções. Em rigor até podia ser o Quick Start (que a Chaosium distribui gratuitamente na versão pdf - http://catalog.chaosium.com/product_info.php?cPath=37&products_id=3700 - embora eu preferisse uma selecção algo diferente de regras). São 30 páginas de sistema e 14 de cenários em vários géneros (mais uma vez, eu preferiria uma selecção algo diferente e mais adaptada ao nosso contexto). É excelente! A questão é que ao contrário do DD o BRP não precisa de um retro clone, ele é já o seu próprio retro clone! Em suma, penso ser possível produzir para o mercado português um jogo bastante completo em 60 páginas baseado no BRP. O HQ não requer mais espaço, sobretudo numa versão compacta que retire algumas das componentes que me parecem «avançadas».
Sérgio Mascarenhas
Sérgio, eu respeito
Sérgio, eu respeito bastante o teu trabalho desenvolvido na rpg.net, desde o rpg (incompleto, acho eu, e pareceu-me na altura bastante complexo) do Fernão de Magalhães, até ao mais recente Gentlemen Explorers (do qual não tenho opinião formada por não ter seguido tão atentamente como o primeiro).
No entanto, não consigo perceber a tua quase obsessão pelo BRP/RQ e afins. Podes enumerar, na tua opinião de conhecedor, quais os pontos fortes e pontos fracos do sistema que atraíriam/afastariam potenciais compradores e novos utilizadores?
O que levaria alguém que nunca pegou num rpg na vida a preferir uma edição em português do Tarzan com as regras do Cthulhu, por oposição a pegar no Vampire ou no D&D 4e? E ainda alguém que, como eu, já joga rpg há vários anos e sempre consumiu rpg em inglês, a comprar um rpg sobre o Fantasma Que Caminha com regras do final dos anos 70?
Tenho outras questões, mas prefiro não as colocar agora porque estou no meu local de trabalho. :-)
--~~--
Visitem o Ideonauta, um blog sobre roleplay!
Não te metas comigo, camarada; tenho n avisos à navegação, alguns deles em público, e não tenho medo de os usar!
O BRP é o meu primeiro
O BRP é o meu primeiro sistema e um dos que conheço melhor. Quando sugiro sistemas prefiro sugerir os que conheço bem. É um sistema muito simples (na sua base) e fácil de apreender, muito mais do que o novo WoD ou o DD em qualquer uma das sua encarnações.
Para mim este ponto é essencial. Eu gosto de jogos «cartesianos», ou seja, que obedeçam aos princípios de serem claros e evidentes na sua formulação. O BRP é-o. O facto de ter 30 e tal anos é-me perfeitamente indiferente. Nesses trinta anos houve muito menos inovação do que boa gente pensa. (Afinal, eu sou daqueles que pensa que o rock and roll do Duke Ellington é muito melhor do que de 99% do que se fez desde os anos 50... e digo isto a sério.)
Como jogador gosto de sistemas que me permitem pôr uma personagem de pé em 5 minutos, levando em consideração apenas a sua caracterização essencial; mas que também me permitem detalhar essa personagem de forma desenvolvida e variada; e fazê-lo à minha maneira, não de acordo com um formato que é fornecido pelo sistema; sem prejuízo de o sistema me oferecer directivas para as direcções em que posso levar a minha personagem. O BRP permite-me isto - não o posso dizer de outros sistemas disponíveis no mercado: DD e variantes, Hero, GURPS, WoD, para não falar da miríade de sistemas menores que tenho comigo.
Como MJ gosto de ferramentas que permitem pôr de pé um jogo com um mínimo de trabalho. O BRP permite-o - razões semelhantes às do parágrafo anterior.
Eu favoreço também sistemas que facilitam o trabalho de adaptação de settings, seja na sua adaptação directa, seja enquanto fontes de inspiração para criações alternativas. Eu penso que o mercado português de rpg seria melhor servido por uma abordagem à STG (a linha GURPS) do que por uma abordagem à WotC ou WW. É bem mais difícil adaptar uma obra de ficção para o DD, o GURPS, o Hero, o WoD, o Savage Worlds do que para o BRP.
No entanto o BRP dá conta do recado mas com limitações - é um sistema mais vocacionado para ficção «realista», centrada em humanos normais; não é adequado para universos com grandes variações de capacidades.
No entanto e até por isso o BRP não é a única alternativa que eu coloco na mesa. Como disse, as 3 últimas décadas, sobretudo a última, têm visto muita novidade da moda e pouca novidade autêntica. Um sistema que eu considero ser verdadeiramente inovador e que tem vindo a melhorar de edição para edição é o HQ, daí eu o propor a par do BRP.
O mercado português de rpg não existe. Para ser criado precisa de um sistema simples mas com capacidade de crescer (afinal, o mercado do DD não começou com o DD4 e menos ainda com o DD3, começou com o «minimal» Chainmail...). O investimento num sistema para o mercado português deve ter em consideração a vantagem dos sistemas «cartesianos».
FInalmente, o BRP tem um historial que demonstra as suas potencialidades. Há imensas adaptações, regras caseiras, variantes, tudo coisas que permitem configurar diferentes alternativas a partir de um «core» bastante estável. Isto é importante para se assegurar que o sistema consegue de facto dar resposta às questões que se irão colocar num mercado sem experiência de rpg.
Quanto aos jogadores portugueses já existentes e que jogam outros sistemas, olha, não tenho nada a dizer. É como perguntar a um jogador de bridge ou de xadrez porque não muda para os jogos de tabuleiro ou de cartas que vão aparecendo no mercado... Neste domínio apenas te posso dar a minha experiência pessoal. Eu nunca gostei particularmente do DD (embora considere que a versão original e o DD4 são as melhores que surgiram) mas quando publicaram a caixa vermelha no nosso país eu comprei-a e estava disposto a suportá-la. Infelizmente não foi a lado nenhum (uma lição que deve ser estudada por quem quer que queira apostar no rpg em Portugal, diga-se de passagem).
Quero dizer, quem já joga tem de decidir se o seu hóbi é o rpg em geral e de preferência em português, se quer apoiar o desenvolvimento do hóbi no nosso país; ou se o seu hóbi é o jogo X que joga há anos com o seu grupo de amigos. No primeiro caso vai fazer o esforço de suportar o jogo que apareça em Portugal, mesmo que não seja a sua escolha mais imediata. No segundo caso vai fazer como o jogador de bridge ou de xadrez, ignorar o assunto.
Sérgio Mascarenhas
PS Nota o seguinte: tu jogas DD4 mas suponho que jogaste uma ou mais das edições anteriores. Ao longo dos seus 35 anos de vida o DD passou por versões muito diferentes, de tal maneira que os materiais produzidos para uma dada edição não são directamente utilizáveis com outra. Além disso, o DD ficou praticamente agarrado ao medieval fantástico, não tendo conseguido diversificar para outros géneros com uma base comum.
Agora compara com o BRP: quase tão velho como o DD, mantém-se praticamente inalterado desde o início. Cobre vários géneros e períodos históricos.
Agora compara com o GURPS ou com o Hero. São genéricos e flexíveis como o BRP (talvez até mais); e razoavelmente estáveis; mas para isso precisam de tijolos pesadíssimos com detalhadas variantes. O BRP é muito mais conciso e claro na sua forma de ser utilizado.
É por estas que eu considero o BRP uma escolha bem melhor do que por aí anda.
Eu não conheço a fundo o
Eu não conheço a fundo o BRP, mas conheço bastante bem o GURPS e algumas coisas de WoD, e posso dizer que estás errado na tua análise; se pegares no GURPS (pelo menos no Lite) consegues fazer uma personagem em menos de 5 minutos, e se calhar com mais profundidade do que com o BRP, porque as Vantagens e Desvantagens no GURPS permitem-te logo acrescentar dados da personalidade e do background da personagem, algo que o BRP não permite (pelo menos da versão do CoC) - logo isto já é uma grande vantagem; lembro-me que há vários anos atrás, quando comecei a jogar rpg a sério (leia-se diariamente) um amigo meu pegou no livro base e fez o Batman - só com o livro base. O sistema também é terrivelmente simples: rolas 3d6 e somas à tua skill. Podes depois acrescentar-lhe qualquer um dos excelentes (e não sou eu que o digo, mas as várias críticas) suplementos para ter mais regras e mais universos. Podes ainda contar com a 4ª edição, belíssima na minha opinião, e com (finalmente!) bom suporte para supers; esta 4ª edição é suficientemente sólida para também fazer um excelente jogo de skirmish táctico, ao nível do D&D 4º, algo que tenho certeza que o BRP não faz - a menos que tenha levado um grande re-vamp, e nesse caso não podemos continuar a dizer que "é o mesmo sistema há 20 anos" - mas isto eu também não posso confirmar, porque tirando o Elric! e o CoC nunca lhe peguei.
O WoD é igualmente fácil de usar, usando apenas 2 livros: o WoD básico, e o Armory Reloaded (acho que é esse o nome). Com eles tens material suficiente para te por a jogar (comuns mortais, note-se) em qualquer época que queiras; o exemplo disto é a muito boa campanha de fantasia de um dos criadores do Vampire, cujo nome me falha, e usando apenas esses 2 livros. O sistema também é extremamente simples: a soma do teu atributo com a tua skill dá-te o número de dados a rolar, cada dado que saia 7 ou mais (acho eu), é um sucesso, quantos mais sucessos melhor. Os atributos e skills podem comparar-se à classificação dos filmes, por isso sabes que se a tua Força for 5, tu és realmente dos mais fortes à face da Terra, o que para um iniciado é facílimo de apanhar.
Quero fazer um à-parte para falar do setting que propões, e que acho fraco, tendo em conta as hipóteses que estão no mercado hoje em dia.
Basta olhares para as tabelas de vendas da Fnac, Wook e Bertrand, para veres quais são os campeões, embora tenham um nome comum: Stephanie Meyers. Ou podes acreditar na minha palavra, que sou livreiro na Bulhosa do Amoreiras, e digo que vampiragem é o que vende hoje em dia, porque ao lado do Crepúsculo estão os livros do True Blood e uma outra coisa que nunca tinha ouvido falar mas é recomendada pela MTV, e que acho que se chama Marcada - ou algo assim.
Se quiseremos fazer um pouco de futurologia, podes ir pegar numa coisa chamada Temeraire, da senhora Naomi Novik. Não posso falar da qualidade da escrita da senhora porque nunca peguei num dos seus livros sem ser para o vender, mas posso dizer-te que o Peter Jackson (o do Senhor dos Anéis) já está a fazer um filme com eles. Se a questão das modas for para levar a sério (e quem quer desmentir os fãs da Britney Spears?), quando os filmes saírem a propriedade intelectual vai rebentar no preço. Ando a dizer isto há uns 2 anos, tenho certeza que não me vou enganar. Já agora, o setting é a guerra entre França e Inglaterra, mas com dragões.
Compara com o que sugeres, de heróis na selva. Até quando pode o Tarzan combater o homem branco? Até quando um gajo vestido num spandex roxo, montado num garanhão branco e com um lobo NA SELVA AFRICANA não parece ridículo? Certamente haverá outras hipóteses que não conheço, mas só estes dois exemplos, comparados com os que te mostrei atrás, são fracos e desajustados da realidade - o teu tão querido Salgari está remetido para a secção infantil, na Bulhosa, e não o consigo encontrar na Fnac do Vasco da Gama, onde estive há coisa de 2 dias.
Há outros tópicos deste assunto que quero endereçar, mas terá que ficar para outra oportunidade porque tenho que ir trabalhar. :-)
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Colocas duas questões
Colocas duas questões diferentes, uma sobre sistemas de jogo e a outra sobre universos de jogo. Vou responder aqui à segunda questão. Para a primeira abri uma discussão em separado que podes encontrar em ...
Quanto aos universos de jogo, eu cresci com universos que hoje podem ser considerados antiquados e fora de moda. Até aos anos 70 a dieta de ficção de um rapaz alimentava-se em Portugal fundamentalmente de autores do século XIX e início do século XX (Salgari, Verne, Haggard, Burroughs, Scott, Stevenson, Dumas, etc.). Junte-se a isto uma boa dose de westerns, aventuras militares baseadas na 2ª guerra mundial da treta e super heróis e temos a dieta mais ou menos composta. Está isto hoje ultrapassado? É fraco por haver hoje coisas bem melhores?
É verdade que a ficção com que eu cresci hoje não vende. Os westerns desapareceram, a ficção colonial também. Não, não foi por ser má em termos literários. Duvido muito que hoje se escreva melhor. Hoje escreve-se muito mais - onde um livro antes tinha duzentas páginas hoje tem 500 ou 600 - mas é muito improvável que se escreva melhor.
A ficção de hoje, à base de sci-fi, super heróis, horror, fantasia, tudo de pacotilha, parece-me bem mais fraca - pelo menos do que os clássicos que citei; está ao nível da literatural de aventuras de cordel que também li, e muito, mas de que me não lembro dos autores. Só por piada alguém coloca a Sra. que escreveu o Harry Potter ao lado de Walter Scott, por exemplo.
O que mudou foi o contexto político e social. Os westerns, a ficção colonial, as aventuras históricas tinham três características que hoje são impensáveis (ou talvez não, como veremos): não metiam maricas, não metiam mulheres e tratavam os pretos, os amarelos, os vermelhos e os castanhos abaixo de cão. Hoje isso é impensável, daí que o western, e etc. tenham ido para o galheiro.
Foram substituídos por histórias de sci-fi com ou sem extraterrestres biológicos, com ou sem terrestres mecânicos; pelas histórias de fantasia; pelas histórias de vampiros. Que... não metem maricas, não metem mulheres e tratam os pretos, os amarelos, os vermelhos e os castanhos abaixo de cão. Só que para não serem acusadas de homófobas, misóginas ou racistas incluem sempre um maricas num papel secundário, uma maria rapaz e transformam as raças inferiores em raças vindas de qualquer lado excepto da Ásia, da África, da América ou da Oceânia.
O resto é marketing. Porque é que eu li os autores que li? Porque os franceses, os ingleses, os americanos conseguiam impingi-los ao resto do mundo. Porque é que os miúdos de hoje lêm o que lêm? Porque os americanos são capazes de o impingir ao resto do mundo. Porque é que não lêm ficção de aventuras portuguesa? Porque desde o Fernão Mendes Pinto e o Camões que não há ficção de aventuras portuguesa. De jeito.
Quanto às tabelas das vendas, são fabricadas. Esquecem que o Verne, o Salgari, o Scott, o Dumas, etc. já se vendem há 150 anos. E continuam a ter edições novas. Eu li o Salgari nos livros de cordel da Romano Torres. Agora estou a dar aos meus filhos em edições novas, bem melhores. Tenho a certeza de que é mais provável que se continuem a ler estes autores daqui a 150 anos do que os nomes Stephanie Meyers ou Naomi Novik (só os nomes dão arrepios de bimbalhada). A vampirada vende. No meu tempo eram os livros de western. Eu comprava uns livros pequeninos, pouco maiores do que um selo. Devorava-os. Se procurares por eles hoje e encontrares algum és um homem de sorte. Desaparaceram.
O Peter Jackson está a fazer um filme sobre o Temeraire? Vai ver quantos filmes foram feitos dos 3 Mosqueteiros ou do Robin Hood. Daqui a 50 anos ainda se estarão a fazer filmes destes...
A propriedade intelectual vai rebentar no preço? Mas porque raio sugeri eu os autores que sugeri? Quanto é que pensas que se paga ao autor para fazer um livro baseado no Ivanhoe, no Tarzan, no Fantomas? Achas que algum designer de jogos pt tem €€€ para pagar royalties? Além de que aqueles livros não metem dragões, louvados sejam!
Até quando «um gajo vestido num spandex roxo, montado num garanhão branco e com um lobo NA SELVA AFRICANA não parece ridículo?» Porquê? A cretinada dos super heróis à americana é menos ridícula? Um bimbo de colans nas ruas de Nova Iorque é menos ridículo?
Digas o que disseres acho melhor investimento a boa ficção de aventuras clássica do que a última novidade. Aquela já mostrou que sobrevive, ao tempo, às modas, ao politicamente correcto. Esta, está para ver...
Sérgio Mascarenhas
Aqui tenho que concordar
Aqui tenho que concordar com o Sérgio. A literatura de antanho é muito superior a muita coisa que é considerada popular hoje em dia, mas mudam-se os gostos e este tipo de literatura é um gosto adquirido. Tal como o Sérgio, eu lia o Mundo das Aventuras com o Fantasma e Mandrake, Tarzan (tanto em BD como em literatura). O problema é que como setting duvido que penetre cá em Portugal. Sinceramente duvido que tirando a música do Sandokan "sem cuecas nem soutien" a malta saiba quem foi o Tigre da Malásia e que até tinha um companheiro Português.
Recentemente, e apesar do Sérgio não partilhar do meu entusiasmo por Savage Worlds (não estou aqui para discutir esse gosto), joguei Solomon Kane que podemos incluir nessa linha das aventuras coloniais (o setting em si permite fazer qualquer raça de qualquer nação) e, sim, jogámo-lo politicamente incorrectamente, onde todos os jogadores eram de raça brança e tratavam os negróides como raças inferiores (infelizmente era assim na altura, e os próprios escritos de Robert E. Howard são racistas).
E ainda bem que falaste nos Três Mosqueteiros e Robin Hodd que bem serviram de inspiração aos meus combates de Solomon Kane. E prefiro As Aventuras de Robin dos Bosques de 1939 com os seus collants verdes ao filme tristonho do Kevin Costner. Uma obra-prima do cinema de aventuras com mais ritmo que 99% das porcarias que se fazem hoje em dia com cortes à MTV estilo Michael Bay. E relembro que um dos maiores êxitos dos últimos anos em termos de super-heróis foi um gajo com cuecas vermelhas e collants azuis, por isso o ridículo só está nos olhos de quem vê.
Sérgio: estou contigo. Conta comigo para te dar ideias para a criação de um setting de aventuras na época colonial (1500-1930). Eu preferia uma coisa ao estilo das histórias do Salgari (mais séc. XIX para trás) com piratas, negróides, aventuras em terras exóticas, a África Negra e desconhecida, os mares da China e os seus piratas, mas lembra-te que estás a lutar uma batalha algo inglória. Hoje em dia a malta pende mais para vampiros enfeminados e terror de pacotilha.
Boa!
Já tens um voluntário para o projecto que partilha as tuas ideias e referências portanto não é uma ideia pródiga. Toca a recrutar e a trabalhar nisso. :)
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Óptimo! Quanto à
Óptimo! Quanto à viabilidade do projecto, penso que é maior do que pode parecer à primeira vista. A verdade é que continuam a aparecer periodicamente filmes de aventura colonial (só que agora em cenário pós-colonial): Piratas das Caraíbas, A Esmeralda Qualquer Coisa, o Indiana Jones, etc. Mesmo o Tarzan nunca desapareceu do radar.
O Salgari é óptimo porque pode ser usado à vontade, sem problemas de direitos de autor. E estão a ser reeditados os seus livros, inclusivamente pela Círculo de Leitores. Suspeito que parte das compras são por «velhotes» como nós que já não conseguem pegar na edição Romano Torres mas eu tenho encontrado os livros à venda na Barata ou na FNAC nas secções para jovens. Onde o Salgari é um problema é no mundo anglo-saxónico. No seu tempo nunca foi traduzido para inglês, sem dúvida porque não pintava os agentes de Sua Magestade como heróis impolutos, antes dava deles o retrato daquilo que eles eram... O Sandokan só há poucos anos teve tradução feita por um carola italiano que não deve ter vendido grande coisa.
Quanto ao Robin Hood, é curioso que há uma discussão na RPGnet de um filme inglês do mesmo ano do do Costner e que parece que é muito melhor. Infelizmente, passou completamente despercebido. Eu lembro-me vagamente de que terá passado nos cinemas aqui por estes lados mas não o vi.
Quanto ao projecto, vou abrir um fórum para discussão de ideias, setei tunede.
Sérgio Mascarenhas
descobrir a pólvora
O primeiro que conseguir fazer um RPG sobre futebol ganha este tópico
isso resolve-se pega no PTA
isso resolve-se pega no PTA e faz uma serie sobre futebol :p
ha mais do que uma forma de esfolar o gato :p
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issues
isso resolve-se pega no PTA e faz uma serie sobre futebol :p
Sim, PTA dá para tudo: podes ter o que quiseres à volta que o jogo vai ser sempre sobre os dramas dos protagonistas. Acho que o pesssoal ficaria desapontado quando descobrisse que não rolava dados para fintar, passar, rematar ou defender um penalty :)
É um bocado como se fizesses uma versão PTA de Harry Potter quando os teus jogadores querem poder lançar um dado, dizer "Expeliarmus!" e ver se a varinha faz alguma coisa - não querem só saber se o Harry acaba com a Ginny.
o futebol é sobre drama
o futebol é sobre drama dos fantasticos 22 actores em campo atrás do esférico :p
acho que de facto apanharia bem os espirito da coisa lolol :p
mas sim eu falei no PTA pq basicamente dá pa td o que queremos independente do que isso for, mas facilmente desenrasca-se algo para um pequeno freeform, em vez de se lancar dados para tudo apenas se lanca dados para se ver o resultado de uma situação deixando a narração para o jogador seguindo o resultado.
Num rpg de futebol tb não se poderia girar a volta dos jogos mas sim a volta dos jogadores =)
(mas acho que tamos um cado off-topic e peço desculpa)
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Projecto já em curso,
Projecto já em curso, amigo:
http://ideonauta.blogspot.com/2009/05/tokyo-super-sports-star-316000.html
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Não te metas comigo, camarada; tenho n avisos à navegação, alguns deles em público, e não tenho medo de os usar!
sexo, drogas e futebol
(mas acho que tamos um cado off-topic e peço desculpa)
Não é assim tão off-topic se tivermos em conta que futebol e telenovelas é a única coisa que se "lê" em Portugal.
Os westerns, a ficção colonial, as aventuras históricas tinham três características que hoje são impensáveis (ou talvez não, como veremos): não metiam maricas, não metiam mulheres e tratavam os pretos, os amarelos, os vermelhos e os castanhos abaixo de cão.
Assumes então que queres fazer um RPG em que uma jogadora tem de jogar de homem?
Eu acho que é possível
Eu acho que é possível criar mulheres neste estilo de aventuras coloniais. Os autores não sempre eram "realistas" e introduziam personagens femininas lado a lado com os protagonistas e, mesmo na vida real, houve uma série de mulheres que ousaram quebrar as limitações da época e tornaram-se piratas, aventureiras, soldados e outras que tais. Claro que estou a pensar em épocas mais remotas. Já no séc. XX é mais fácil fazer personagens femininas mais aceites pelos seus companheiros masculinos.
Rick Danger escreveu:
Assumes então que queres fazer um RPG em que uma jogadora tem de jogar de homem?
Seguramente que não. Há imensas personagens femininas na ficção colonial - ainda ontem apontei a Mrs. Branican ao Steve Darlington num thread da RPGnet. Sucede que então, como hoje, é tremendamente estreita a oportunidade para personagens femininas no sentido tradicional do termo. O que há é personagens maria-rapaz, o que é uma coisa diferente. As mulheres estão a evoluir para serem todas maria-rapaz, ou ao menos um pouco maria-rapaz? Seja. Força. Perde-se algo, ganha-se algo.
Sérgio Mascarenhas
Em súmula...
Todo o esforço que gastámos a escrever sobre o que vamos criar já dava para ir começando um projecto qualquer. :P
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