4ed Core Rules - primeiras impressões

Tendo ficado anteontem disponível o Rules Compendium no D&D Insider, achei que já era altura de dizer alguma coisa após ter lido bastante extensamente os três livrinhos, experimentado a criação de uma personagem e acompanhado as habituais questões de regras que se discutem na ENWorld.

Começo por deixar já a minha recomendação. Leiam esta nova edição sem se preocuparem em fazer constantes comparações com 3.x, mesmo que elas possam ser feitas. Quarta edição é, de facto, um RPG novo com um propósito relativamente bem definido. Entre o Player's Handbook e o Monsters Manual - independentemente das reticências extra-sistema levantadas pelo Dungeon Master's Guide - este D&D, mais do que nunca, é no geral, um jogo sobre ultrapassar grandes desafios e, no particular, um jogo sobre matar monstros.

Sim senhores, está confirmado. O novo D&D abraça o seu lema de «kill monsters, take their stuff» e vai em frente sem olhar para trás. Todo o jogo está estruturado como um conjunto de desafios tácticos de combate devidamente entrecortado por outro tipo de desafios, os chamados "skill challenges". Entre os "combat encounters" e os "non-combat encounters", a história move-se em modo de "exploration", onde as novas regras de passive perception/insight ajudam os jogadores a avançar rapidamente para o encontro seguinte. O PHB refere mesmo a hipótese de o DM, em algumas situações, saltar à frente a exploração e passar para o próximo encounter. Siga em frente que atrás vem gente e ainda há muito monstro para matar :) e XPs para ganhar (e items mágicos para equipar).

O Player's Handbook é, como seria de esperar, o melhor volume entre os três. Nele fica evidente dois daqueles que eu considero serem os três elementos mais importantes do novo sistema de D&D: os poderes, o d20 + metade do nível vs uma defesa e os skill challenges. São também as três coisas que nestas primeiras impressões eu gostaria de destacar.

Sobre os poderes, em 4ed tudo é power :) Os martial heroes têem os seus "exploits", os arcane os seus "spells", os divine as suas "prayers", mas todos funcionam da mesma forma dentro do sistema. Mesmo os items mágicos vêem explicados neste formato, o que torna todo o sistema mais fácil de absorver. Os pormenores de cada habilidade, que de outra maneira teriam de ser explicados caso a caso, vêem imbutidos na própria descrição de cada poder, algo a que um jogador facilmente se habitua.

Outro elemento unificador do sistema é mecãnica base de resolução: um d20 mais metade do nível da personagem, mais os diversos modificadores, versus a defesa do inimigo que se aplicar à situação (AC, Reflex, Will, Fortitude, Perception ou Insight). Somar o half-level em todos os skill e ability checks facilita a subida de nível das personagens e permite simplificar a compra de skills (basta escolher quais delas é que são "trained", não há distribuição de pontos).

No Dungeon Master's Guide, apesar de ser o pior livro dos três, encontramos outra parte muito importante do sistema - e que é talvez a maior novidade na história de D&D - os famosos skill challenges. Este interessante elemento das regras faz com que não seja necessário ter um mini-sistema diferente para a utilização de cada skill, pois os skill challenges permitem a resolução de todos os desafios extra-combate. São integrados dentro de qualquer tipo de encounter, com XPs de recompensa como qualquer monstro.

Deixo uma última palavra sobre o Monster's Manual: simples e fácil de usar. Criar um encounter é algo que se faz rapidamente, sendo que o DM precisa de mais tempo para pensar tacticamente nos tipos de monstro e de terreno que poderão funcionar melhor entre si do que tempo a calcular níveis, quantidades e pontos de experiência.

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O que dizes confirma a

O que dizes confirma a impressão com que fiquei, ou seja, a de que esta edição produziu finalmente um jogo "limpinho". Nada que se não tenha visto noutras paragens mas que é certamente inovador no contexto D&D. O resto é marketing e do bom a funcionar. A minha costela de gestor aplaude.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

acho que já vi isto em qualquer lado

smascrns escreveu:
Nada que se não tenha visto noutras paragens mas que é certamente inovador no contexto

Sim, a Oeste nada de novo, mas o que muita gente conhece dos RPGs é só D&D e, para esses jogadores, 4 Ed quase chega a ser revolucionário. Por isso, uma campanha de marketing é essencial para, digamos, acalmar as hostes.

Concordo que de facto o

Concordo que de facto o jogo estás mais simplificado em alguns aspectos, especialmente no que diz respeito a skills, também ficou melhorsito com o retrain (pelo que ouvi dizer ja existia no PHB 2 mas nunca deitei as maos a esse por isso novidade para mim :P ). Melhor isto é, para um rookie torna-se mais facil pois se vir que algo afinal nao lhe serve, não é o fim do mundo pelo que o character planning não se torna tao estricto.

Agora existe uma coisa que ficou mais complicado e essa coisa é os poderes, apesar de que agora tudo funciona igual para todos, para um rookie isso torna-se complicado. Antes diziamos. Tens aqui o teu fighter, aconselhamos estes feats e depois vai-te divertindo que ainda tens muitos para ganhar. Ou entao dava-se um ranger e diverte-te, so tens que ir usando bem os feats. Não se dava magos, clerigos ou mesmo druidas a um rookie, era a morte do artista pois nao sabia para onde se virar. Agora com este novo sistema pode-se que "são todos magos" ou seja. Poderes para escolhar, varios para usar em combate e cada um aplicado a situação, assim como varios feats, é tanta escolha possivel que para aprender se torna mais complicado. Obviamente que qualquer jogador ja com alguns meses ou anos desbarata o livro de um ponta a outra numas horitas sem grandes problemas mas os rookies tem a vida mais complicada, de certa forma devo dizer que não espera algo de completamente novo. Apenas esperava limarem algumas arestas que permitem characters de ter o primeiro turno quase garantido, fazerem uma carga e descarregarem mais de 200 dano num ataque.

Uma coisa que gostei muito foi o facto de tiram a possibilidade doscharacters fazerem uma porrada de ataques, agora é 1 e pronto, se chorar muito pode sempre usar uma acção :P

"The heavens burned,
The stars cried out,
And under the ashes of infinity,
Hope, scarred and bleeding, breathed its last."

choose your destiny

Fate escreveu:
Não se dava magos, clerigos ou mesmo druidas a um rookie, era a morte do artista pois nao sabia para onde se virar. Agora com este novo sistema pode-se que "são todos magos" ou seja. Poderes para escolhar, varios para usar em combate e cada um aplicado a situação, assim como varios feats, é tanta escolha possivel que para aprender se torna mais complicado.

É verdade, agora todas as classes estão equilibradas e têem o seu respectivo "role" em combate definido pelas suas "class features" e powers (os feats já não se aplicam tanto a combate). É uma questão de opinião, mas eu não gosto de me virar para um principiante e lhe dizer que não pode ser um feiticeiro porque ainda não sabe jogar. Não é fixe poder abrir o PHB e dizer 'qual gostas mais'? Em 4th Ed, em vez de haverem classes mais fáceis de criar e outras mais difíceis, ficam todas na média.

Não é uma questão de se

Não é uma questão de se dizer que não pode, mas aconselha-se sempre a que não o seja porque aprender a jogar logo com algo que seja muito complicado usar por norma resulta em o jogador acabar por desistir, aconselha-se sempre um character mais simples. Mas enfim, agora falta mesmo é testar isto em jogo.

"The heavens burned,
The stars cried out,
And under the ashes of infinity,
Hope, scarred and bleeding, breathed its last."

o Character Visualizer é que deve ser o.O

Eu estou curioso é em relação ao Character Visualizer!
Por mais que goste de desenhar, gostava de ter algo que me ajudasse no processo. =)

Quanto aos poderes e a sua relação com novos jogadores. Sinceramento, acho que é só uma questão de o pessoal se dar bem com o inglês ou não. Porque isso dos poderes terem escolhas a torto e a direito... pá, é ver quanta gente já jogou Diablo II no PC ou sei lá quantos jogos na PS, X-Box ou whatever. Quantos jogos não funcionam por árvores de poderes, com pré-requisitos e o catano!? O que eu digo é: se o meu primo de 10 anos consegue perceber isso, acho que se vai dar bem com D&D 4 — o pior mesmo é o inglês! A quantidade de pessoas que jogaram comigo e se desinteressaram por não pescarem um coto de inglês!

Há uma coisa que eu neste

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"The heavens burned,
The stars cried out,
And under the ashes of infinity,
Hope, scarred and bleeding, breathed its last."

Falta de identidade?

Finalmente tive oportunidade de deitar as mãos a 4.0 e experimentar um pouco, enquanto jogador. Estava bastante interessado em testar as novidades, mas devo dizer que não acompanhou exactamente as expectativas...

Algumas coisas deixam-me a torcer o nariz, entre elas o facto de me parecer que neste momento "todas as personagens são iguais, mas com nomes diferentes". Após algumas horas de jogo, a testar níveis diferentes, fico com a sensação de que ter um fighter é a mesma coisa que ter um wizard ou ter um warlock. As acções são todas tão iguais, e as diferenças são tão mínimas que se tornam quase imperceptíveis. Chegou a uma altura em que o "defender" do grupo tinha praticamente a mesma AC que todos os outros, o dano que fazia era standardizado com as restantes classes, e a diferença de HP situava-se em menos de 8 pontos de diferença...

Pela leitura que faço, parece que o sistema se "esgota" ao fim de pouco tempo. Por um lado, gostei das regras simples, mas por outro lado, fiquei "desconfortável" ao ver toda a gente a rolar para todas as skills, ao mesmo tempo, e com resultados semelhantes. A standardização chega ao ponto de ser agonizante. Os supostos "roles" são completamente insípidos. A quantidade de "marcadores" a que é preciso ter atenção acaba por deixar o jogo quase tão complexo como era em 3.5.

Fico com sentimentos mistos em relação a 4.0. Acho que o conceito é muito bom, mas o resultado não é bem o pretendido. Ao tentarem fazer um sistema tão "limpinho", não acabaram por o tornar mais boardgame e menos role-play?

"Blog - As Crónicas de Balazanar" (D&D) http://balazanar.blogspot.com/

"Campanha D&D" http://jrc589.googlepages.com/

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"D&D" http://grou.ps/silverymoon

board play

Psygnnosed escreveu:
Ao tentarem fazer um sistema tão "limpinho", não acabaram por o tornar mais boardgame e menos role-play?

Sim, e eu acho que bem precisava. Ser mais boardgame não quer dizer que diminua o roleplay, pelo contrário. Concretamente, os skill challenges já me permitiram criar situações de roleplay muito mais interessantes do que eu imaginaria ser possível em D&D. Claro que é um roleplay gamist, mas é isso que este RPG sempre foi. Agora, finalmente, assume-se.

Skill Challenges

Por acaso os skills challenges foi uma das coisas que mais me cativaram em 4.0.

De tal forma que tenho estado a tentar introduzi-los na minha campanha de 3.5.

Como é que tens estado a preparar os SC? Eu fiquei sempre um bocado confuso com a cena das iniciativas e do repete um check, ou não repete...

Em teoria, e com os exemplos que eles usam no DMG, corre tudo muito certinho, mas na prática, a coisa não funciona de forma muito menos "polida"?

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"Blog" http://balazanar.blogspot.com/ "D&D" http://jrc589.googlepages.com/

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Na última sessão de

 

Na última sessão de D&D 4ed que tive, tivemos 2 SC que correram muito bem (embora tenhamos perdido o segundo hehe).

A meu ver funcionou de uma forma bastante directa, em cada SC tínhamos 1 ou 2 skills para usar como principais (ou seja, rolavam-se na maioria a DC 10) e depois íamos arranjando umas maneiras engraçadas de meter outras skills ao barulho, como no SC onde tínhamos que despistar uns orcs (Skills Principais: Stealth, Bluff, Nature) e o Paladino lembrou-se de usar Religion (a DC 15) para fazer uma espécie de totem ritualistico orc para os enganar a pensarem que o sitio onde estávamos era terreno sagrado orc e por isso eles não iam lá querer entrar.

Acho que aplicar os SC a 3.5 é complicado pelos seguintes motivos:

1 – A maioria das skills não permitem Try Again num espaço de tempo tão curto. No SCs de 4.0 todas as skills podem ser re-roladas no turno seguinte dos SC;

2 – Não existe uma maneira muito directa de calcular o XP que os PCs recebem ao ultrapassar o SC. Em 4.0 existe um procedimento próprio para construir as condições de vitoria e derrota no SC e o XP equivalente ao desafio. A equivalência para 3.5 deve dar para fazer, mas vais ter que perder algum tempo a transpor a mecânica.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Primeiras e superficiais

Quando há já muitos anos escrevi a minha crítica do DD3 para a RPGnet centrei a mesma nas questões de design que o jogo me levantava. A principal era a multiplicação de sistemas e subsistemas de descrição da personagem e de resolução de situações.

Devo dizer que quando folhei o DD4 pela primeira vez na FNAC fiquei com a impressão de que corrigia e muito as fraquezas do DD3 a este nível. Daí ter decidido encomendar o jogo na Amazon (quase metade do preço, portanto...). De facto o novo jogo responde a várias questões que eu levantei na minha crítica da edição anterior, tumbs up. Gosto, por exemplo, do facto de que os Saving Throws levam finalmente em conta todos os atributos. Gosto do facto de haver apenas uma escala de modificadores para todos os atributos. Do facto de os feats terem sido desenfatizados. Da simplificação das skills (o DD nunca foi um jogo baseado em skills pelo que não fazia sentido agrafar-lhe um sistema de skills demasiado complexo).

Mas a nova edição continua a ser mais complicado do que precisa e criou novos tipos de complicação.

Os poderes, por exemplo. São uma boa ideia, devo dizer desde já. Mas há coisas que me põem a coçar a cabeça. Porque não uma estrutura de poderes mais estruturada e simples? Quero dizer, com a introdução do conceito de roles era perfeitamente possível fazer-se: Poderes comuns a todos os roles e classes; poderes comuns a todos os roles; poderes específicos de cada classe. É que uma estrutura mais integrada permitiria simplificar as escolhas e a aprendizagem do sistema, por um lado, e precisar melhor o que distingue os roles e as classes entre si. Como as coisas estão deve ser fácil cair na situação em que parece que é tudo idêntico mas com nomes e roupagens diferentes.

Curiosamente o DD4 reforça algo que eu já detectara no DD3: a proximidade crescente entre o DD e os CCGs. De facto, não custa imaginar a conversão do DD4 num CCG. Isso é patente com os powers, bastava criar uma carta para cada power. Mas esse princípio pode ser estendido mesmo aos outros descritores da personagem. Esta podia compor-se de um conjunto básico de cartas: Carta de hability scores; carta de raça; carta de classe (com variantes por nível); cartas de equipamento; etc.

Tem sido muito referida a proximidade do DD4 aos rpgs de computador online. Eu nunca joguei estes jogos portanto não posso comentar. Mas penso que menos referida mas igualmente válida é a aproximação do DD4 aos CCG, como referido acima, mas também aos wargames, como é muito referido, e aos adventuring boardgames. Ora talvez isto não seja ocasional. De um ponto de vista de marketing isto abre possibilidades muito interessantes. Que tal o jogador poder levar num dia a sua personagem para um jogo tipo Magic? No dia seguinte para um jogo tipo Dugeontwister? No terceiro dia para um jogo tipo Runebound? Ou para um wargame tipo Warhammer? Esta é uma ideia que, penso, tem imenso potencial. Os jogadores deixam de estar limitados e compartimentados, passam a ter uma plataforma de jogos de fantasia épica que utilizam como entendem e gostam.

Não sei se é isto que está na mente da WotC mas fascina-me a possibilidade. Só penso que o DD4 ainda não é a ferramenta ideal para isso. Talvez lá mais para a frente, quando chegar o DD5...

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

é complicado

smascrns escreveu:
Primeiras e superficiais

Sérgio, depois do muito que já te vi escrever, podes chamar superficial ao que tu quiseres :)

Para já, li os livros, fiz uma série de personagens sozinho, criei personagens com vários jogadores diferentes para uma campanha inicial e mestrei duas sessões. Estou satisfeito e a reacção de toda a gente - mais ou menos experiente - tem sido positiva.Quando mestrar ou jogar mais algumas sessões - provavelmente quando a minha campanha já estiver lançada - deverei ter uma ideia melhor de porque é que estou a gostar e poderei fazer a minha crítica.

Citação:
Mas a nova edição continua a ser mais complicado do que precisa e criou novos tipos de complicação.

É verdade, apesar de estar muito mais simples em certas coisas.

Citação:
Porque não uma estrutura de poderes mais estruturada e simples? Quero dizer, com a introdução do conceito de roles era perfeitamente possível fazer-se: Poderes comuns a todos os roles e classes; poderes comuns a todos os roles; poderes específicos de cada classe.

Explica-me só como é que isso seria mais simple do que o que está agora. Em 4ed, seleccionar os poderes é escolher dois at-will de uma pequena lista de cinco, um encounter de outra e um daily de outra. Se tivesses poderes comuns a todos, seria necessário fazeres uma escolha entre várias dezenas de hipóteses - uma lista muito maior.

Desculpa lá mas não fui

Desculpa lá mas não fui claro. Superficiais são as minhas impressões, não as tuas. Eu só li o DD4 numa passagem a correr, quer o PHB quer o DMG. Comecei a criar personagens mas não acabei.

Quanto à escolha de poderes, sucede apenas que com uma estrutura de poderes em árvore (poderes gerais para todas as personagens, poderes de raça, poderes de role, poderes de classe) se economiza no número de poderes. Quer dizer, se há poderes equivalentes e semelhantes para várias classes de um role ou para várias classes de roles diferentes, porque não um único poder comum às classes ou aos roles? Eu não tenho aqui os livros comigo para dar exemplos mas quando voltar a casa de férias vou verificar e tentar exemplificar.

Se, por um lado, isto significa que o jogador tem de andar a «pescar» os poderes em diferentes sítios, isso também signfica que essa busca é mais simples (listas menores de poderes), mais clara na conceptualização da personagem (define bem o que é comum para além das diferenças cosméticas e o que é diferente e específico de cada subgrupo) e mais focalizada.

Nota que uma crítica que venho vendo ser feita ao DD4, nomeadamente nesta discussão pelo Psygnnosed, é a de que as personagens acabam por ser todas iguais mas com nomes diferentes. Penso que isso se deve, em parte pelo menos, à opção de ter listas de poderes independentes por classe. O facto é que há muita coisa que é comum às personagens independentemente da classe. Se isso é representado com poderes diferentes, estes acabam por ser substancialmente semelhantes mas com diferenças cosméticas. Faz mais sentido reconhecer que um guerreiro, um mago ou um ranger fazem coisas semelhantes e coisas diferentes, colocar num sítio comum o que é semelhante e reservar os poderes de classe para aquilo que é verdadeiramente diferente. Mesmo em termos de design isto tem vantagens pois força o designer de poderes a pensar muito mais profundamente sobre o que há de específico num poder, aquilo que só faz sentido para uma classe e não para as outras.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

De pá na mão...

cá vou eu dessenterrar este tópico.

Tenho estado a seguir uma série de posts que o Michael S. Miller tem publicado no seu blogue The Multitudinous Seas, sobre várias mecânicas de RPGs que ele considera interessantes.

Na sétima entrada desta série falou sobre os roles em D&D 4ed, considero ser uma explicação muito bem conseguida do melhoramento de funcionalidades desta nova edição de Dungeons And Dragons.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

"What you should do"...

Mais alguém acha o conceito de "what you should do" altamente castrante? :)

Eu percebo o interesse do ponto de vista de criar um grupo com todas as lacunas preenchidas, e é bom dar uma ideia aos novatos do que é esperado que eles façam quando confrontados com certas situações. Mas se um sistema de classes já é limitador, será mesmo necessário trancar ainda mais as opções do jogador numa tarefa pré-definida?

Se agora os personagens já são vistos como um aglomerado de stats, não estamos com isto dos roles a dizer que devem também ser vistos como uma inteligência artificial?

Onde está o role play?

Há quem goste e quem sou

Há quem goste e quem sou eu para dizer que jogo A ou B é mau? Por acaso até sou mas não nos fóruns. Sempre achei que, ao "empurrar" cada jogador para um papel específico como o D&D 4 o faz, obriga a que exista um número mínimo de jogadores para preencher cada papel. Não quer dizer que não existam grupos com menos de 3 jogadores, mas o sistema parece optimizado para um número mínimo de 4 para garantir a presença dos quatro tipos de funções: Striker (dps), Controller (mage), Leader (buffbot) e Tank (que nem precisa de tradução).

O roleplay continua a estar presente, penso eu, se bem que o D&D 4 não esconde a sua insistência nos combates, dungeon-delving, situações puramente a la MMORPG e toda uma panóplia de factores que, para alguns, causa uma dissociação com aquilo a que chamamos de roleplay. Não é jogo para mim, mas é para muita gente. Kudos para eles!

Não sou nem nunca fui fã

Não sou nem nunca fui fã do D&D. No entanto, se há algo que acho bem conseguido nas versões iniciais do jogo é, precisamente, o facto de merecer plenamente o seu nome ROLE playing game. A partir de certa altura, o jogo foi perdendo essa característica para seguir na onde de outros sistemas. Foi um erro. Uma das boas decisões tomadas quando do desenho do D&D 4 foi, do meu ponto de vista, voltar a um conceito nuclear do jogo.

Dizer isto não é dizer que os roles são essenciais ao rpg ou que os roles ao estilo D&D são o melhor que há, longe disso. Quer apenas dizer que para jogar um rpg sem roles ao estilo D&D não faltam hipóteses (a começar no meu sistema favorito, o BRP).

É bom que o D&D seja o D&D e não tente ser outra coisa. É bom que os outros sistemas de jogo sejam algo que o D&D não é. É bom o jogador ter as suas alternativas e jogar aquilo que no momento lhe interessa.

Por tudo isto ainda bem que o D&D voltou a pôr na mesa de forma clara os seus roles.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

estão muito bem para D&D

smascrns escreveu:
Por tudo isto ainda bem que o D&D voltou a pôr na mesa de forma clara os seus roles.

Concordo. Grande jeito me deram os roles quando fui ao D&D Game Day este último Sábado. Mesmo com classes, raças e poderes que não conhecida de lado nenhum, bastava-me saber qual era o role para ter uma ideia geral de como se jogava.

variedade

dpontes escreveu:
Mas se um sistema de classes já é limitador, será mesmo necessário trancar ainda mais as opções do jogador numa tarefa pré-definida?

Design Under Constraint: How Limits Boost Creativity - é uma abordagem válida, especialmente num jogo em que ainda continuas a ter muitas escolhas na criação ou interpretação da personagem. Se mesmo assim estas escolhas não chegarem para ti, joga outro RPG É por isso que há varios RPGs, as possibilidade são infinitas.

Isso

Não posso concordar mais. Falando por experiência própria, estou a começar uma campanha de nMage, e é complicado gerir tanta opção de Méritos e Feitiços; se entrarmos em algo como o Mutants and Masterminds, ou qualquer jogo 3.x, a quantidade de feats, poderes e feitiços é enorme e desmotivante só de pensar no tempo que terei que gastar para os ler a todos e pensar no que é melhor para a personagem no momento, no futuro, pensar como vai evoluir e em que direcção... se tiver apenas estas 4 ou 5 opções, posso orientar o meu roleplay naquelas áreas, focar-me mais e divertir-me logo desde início.

--~~--

Em breve coisinhas novas!

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

É precisamente toda essa

É precisamente toda essa quantidade de feats, poderes e feitiços que te permite fazer a TUA personagem única no mundo, e inigualável. Quando em 4E tens um "role" e - ainda pior - aqueles "paths" que "é suposto seguires", tornas-te apenas um "operador mecânica de uma quantidade de números". 3.5 é complexo, concordo, mas quando eu comecei a ser DM "a sério", já lá vão 3 anos e meio, eu nem li os feitiços todos, ou os feats, ou fosse o que fosse... Fui-os decobrindo à medida que desenvolvia o jogo. Passaram-se 3 anos e meio de campanha, estou a chegar à sessão final e tenho três personagens deslumbrantes que tiveram que se complementar da forma possível (são três melee), e encontrar formas criativas de ultrapassar as suas limitações. E porquê? Porque nenhuma dessas personagens tinha um "role" ou um "path".

E como é bom para um DM olhar para estas três personagens e pensar: "garantidamente, nunca houve na história de D&D outras personagens iguais a estas".

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"D&D" http://sites.google.com/site/jrc589

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Não sinto que D&D 4ed seja

Não sinto que D&D 4ed seja mais limitativo do que 3.5 em termos de personagens, já quando jogava 3.5 nós acordavamos um role entre os jogadores e cada um desempenhava essa função e construia o seu personagem em torno disso.

Por isso acho que a formalizam deste roles na 4ed só veio trazer mais valias, visto que está mais fácil construir um personagem para preencher um determinado role dentro do funcionamento mecânico do grupo.

Agora, para além de roles e feats e poderes e o camandro, existe uma parte importante nos RPGs que é a interpretação do personagem, eu posso ter um Rogue Brutal Scoundrel (striker) exactamente igual (mecânicamente falando) ao do Zé ou da Maria ou de quem for, mas o meu personagem ser completamente diferente dos outros, ou porque tem motivações diferentes ou porque o meu é um tipo timido e o do Zé é um engatatão e bêbado de primeira, porque o meu é um seguidor ferranho da Raven Queen e o da Maria apenas presta tributo quando precisa de passar tempo...

O que quero dizer é que o que 4ed trouxe foi uma focagem mecânica mais fácil e directa no que diz respeito ao que cada personagem deve fazer num grupo de aventureiros que passam a vida à tareia, quanto a isto mando dois polegares para cima. Mas isto apenas afecta o que o personagem faz, quem ele é continua completamente nas mãos do jogador, do grupo e das histórias pelas quais vai passando.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

limites

Psygnnosed escreveu:
É precisamente toda essa quantidade de feats, poderes e feitiços que te permite fazer a TUA personagem única no mundo, e inigualável.

É verdade e muito desse potencial para originalidade perdeu-se de 3.5 para 4E, mas o sistema e criação de personagens em D&D não está voltado para tornar os protagonistas especialmente únicos. Para isso, tens RPGs como Unknown Armies ou Heroquest em que o jogador escreve mesmo pelas suas próprias palavras quais são as características que a personagem tem em vez de escolhê-las de uma lista (que até pode ser longa, mas é limitada). Dado que D&D não é esse tipo de RPG, acho que está muito bem em evoluir para a estrutura mais focada que encontramos na quarta edição.

Agora, se me disseres "mas eu quero um RPG que dê para tudo, pois este já me custou dinheiro e tempo para o aprender e não estou para passar pelo mesmo com outro jogo", compreendo, mas poucos são os RPGs que requerem o mesmo nível de investimento inicial que 3.5 exigiu de ti. Por exemplo, Primetime Adventures é outro RPG em que os próprios jogadores escrevem as características das suas personagens e o jogo vem num livrito que lês em três quartos de hora e começas a mestrar. Beast Hunters é outro exemplo de um RPG (este também de fantasia) que cria personagens absolutamente únicas e o livro lê-se em apenas duas horas dando logo para começar a jogar.

Já agora mando a minha papaia

1-O que «permite fazer a TUA personagem única no mundo, e inigualável» não é a «quantidade de feats, poderes e feitiços», mas sim o modo como interpretas o personagem. O resto certamente ajuda, mas não é nuclear à caracterização do personagem.

2- A atribuição de um role diferente a cada jogador em 4ª edição não limita de todo o modo como conduzes o personagem, apenas te dá uma ideia clara do tipo de orientação que têm os poderes. E mais! Cada jogador não tem que necessariamente ter um role diferente.Um exemplo muito simples: no D&d Day que teve lugar aqui em Coimbra recentemente, a aventura estava desenhada para se escolherem 5 personagens de uma lista de 6, tendo que ficar uma necessariamente de fora. Visto que só havia um defender, era perfeitamente possível este ficar de fora sem que isso colocasse em causa o sucesso do grupo naquela aventura.

3- Eis que uma vez mais leio que D&d é MMORPG por alegadamente ter um foco em combate... e mais uma vez discordo em absoluto. Dwarin, lá porque 4th edition tem regras de combate muito claras não quer dizer que tenhas de as utilizar! Se tens uma aventura que requeira pouco ou nenhum combate,excelente. Mas e se os personagens tiverem de reolver a coisa à porrada?Lá estão as regras para ajudar. As regras dão opções de jogo. Cabe ao DM e aos jogadores decidir que quantidade de combate querem ter. E se alguma coisa tem de ser dita sobre a nova edição é que o combate está mais rápido, o que para mim é francamente melhor.

Não estou com isto a dizer que 4ª edição é melhor que 3.5.Se é o sistema que te dá mais gozo jogar,more power to you! Eu comecei a jogar D&d em 3.5 e adorei.Mas presentemente prefiro sem sombra de dúvida jogar 4th edition. É um sistema equilibrado, acho que o combate é tacticamente mais interessante, as skill challenges são uma ideia excelente que funcionam muito bem e dão uma diversidade porreira ao jogo.

Mas o que gosto MESMO em 4th edition é a menor burocracia na hora de criar o personagem.É mais fácil e rápido na hora de subir de nível, o que adicionado aos combates mais acelerados dá-me mais tempo...para fazer roleplay e tal

tem se o compararmos a outros

Darth_TaQuinas escreveu:
Eis que uma vez mais leio que D&d é MMORPG por alegadamente ter um foco em combate... e mais uma vez discordo em absoluto.

Nunca será um MMO, mas tem - e muito bem - um grande foco em combate. Uma possível citação, entre muitas:

PHB - "How do you play? escreveu:
Basically, the D&D game consists of a group of player characters taking on an adventure presented by the Dungeon Master. Each adventure is made up of encounters - challenges of some sort that your characters face. Encounters come in two types: Combat encounters and Noncombat encounters.

A palavra combate define todos os encontros de D&D. Claro que é um RPG e de um RPG a gente faz o que a gente quiser, mas acho que se pode perfeitamente dizer que, em comparação à generalidade dos RPGs, D&D é bastante focado no combate (especialmente em 4E).

Aliás, esta afirmação só faz sentido numa perspectiva relativa de D&D entre todos os RPGs em geral. Naturalmente que, se pensarmos em absoluto, qualquer RPG dá para fazer qualquer coisa. Ou consideras que todos os RPGs, para serem bons, precisam obrigatoriamente de 30 páginas de regras específicas para combate?

Uh...

Onde é que eu alguma vez afirmei que para um rpg ser bom seriam precisas obrigatoriamente 30 páginas de regras específicas de combate?

É evidente que não é. Jogos que adoro como Mouse Guard e Cthulhu não têm essa ênfase no combate e julgo que funcionam bem. É evidente que o combate tem um papel importante em D&d pois encarnamos heróis que mais cedo ou mais tarde vão querer mostrar o que valem em situações marciais. Daí haver um capítulo no PHB dedicado a combate. Mas dizer que o foco de D&d é o combate é reduzir este rpg ao estatuto de um Descent.

Pretendia acima mostrar um ponto de vista: comparar Dungeons e MMORPG´s é, a meu ver, disparatado. A não ser que falemos do jogo de computador lançado recentemente, heh. Ao contrário de WoW e afins, D&d permite desenvolver personagens que podem ser emocionalmente complexos como em qualquer outro rpg. Não é só andar à stickada.Ponto final.

Já estive em diversas sessões de D&d 3.5 e 4th onde o foco foi a investigação, em que não se rolou um único dado para combate. Quantos MMO´s se podem gabar disso?

RPGs diferentes, focos diferentes

Darth_TaQuinas escreveu:
Onde é que eu alguma vez afirmei que para um rpg ser bom seriam precisas obrigatoriamente 30 páginas de regras específicas de combate?

Não disseste, mas tentei imaginar alguma outra razão para D&D ter 30 páginas de regras específicas de combate para além do facto de ser um RPG particularmente focado em combate - e isso não é ser um MMO ou um Descent - não deixa de ser um RPG e roleplay e combate não são mutuamente exclusivos.

Em Mouse Guard também encarnas "heróis que mais cedo ou mais tarde vão querer mostrar o que valem em situações marciais" e, para isso, o jogo não tem um detalhado sistema de combate táctico. Em comparação, D&D tem e isso é uma coisa muito fixe que certamente não deve ser confundida com o que milhões de viciados fazem sozinhos à frente do ecrã de um computador.

Pronto

«roleplay e combate não são mutuamente exclusivos» define um pouco a minha filosofia rpgista nestas questões aqui em debate. E nesse aspecto estou inteiramente de acordo contigo. Como dizes, também acho que D&d «não deve ser confundido com que milhões de viciados fazem sozinhos à frente do ecrã de um computador.». Arrumamos assim a questão do elemento MMORPG.

Quanto às regras de combate, elas existem e são para quem gosta. Quem prefere ter uma abordagem mais narrada e menos baseada em regras definidas tem decerto outras opções que já foram referidas neste thread. Acho perfeitmente legítimo optar por esse tipo de jogo. RPG tem 3 três letras, a última significa «game» e esse elemento lúdico está presente em D&d também no combate. A parte que significa role-playing depende exclusivamente dos jogadores. E não acho necessário haver regras para roleplay pois a personalidade do personagem não deve estar confinada a regras.

sim sim mas

Sim, acho que na práctica estamos de acordo.

Darth_TaQuinas escreveu:
E não acho necessário haver regras para roleplay pois a personalidade do personagem não deve estar confinada a regras.

Se considerarmos que a personagem não é o único protagonista da campanha e que o seu jogador não é a única pessoa à mesa, vemos que é razoável as regras confinarem tudo o que alguém pode fazer em sessão. Num RPG, não pode ser só uma pessoa a contar a história e, assim, os limites traçados pelas regras podem ser sempre válidos independentemente de estarmos numa situação de combate ou não. Regras e roleplay não são mutamente exclusivos

Darth_TaQuinas escreveu:

Darth_TaQuinas escreveu:

D&d permite desenvolver personagens que podem ser emocionalmente complexos como em qualquer outro rpg. Não é só andar à stickada.Ponto final.

Já estive em diversas sessões de D&d 3.5 e 4th onde o foco foi a investigação, em que não se rolou um único dado para combate. Quantos MMO´s se podem gabar disso?

Pois, pois, a mesma discussão há décadas e sempre a mesma questão de fundo:

Tudo isto é possível num jogo de D&D, nem se discute e a questão não é essa. A questão é, tudo isto ocorre num jogo de D&D por causa das regras de D&D ou apesar das regras de D&D?

Trocando por miúdos, no primeiro caso é o sistema de jogo que incentiva esse tipo de jogo. No segundo caso são os jogadores que o fazem, indo contra aquilo que o sistema de jogo suporta e propõe como jogo. Quer dizer, no segundo caso podemos retirar o D&D e o jogo praticamente não muda, ao contrário do que sucede no primeiro. No segundo caso o D&D é um obstáculo àquilo que os jogadores querem jogar, no primeiro o que os jogadores querem jogar é D&D.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Palavra do Game Master, DM Guide pag 7 versiculo FUN!

The last essential component of a D&D game is fun. It's not the DM's job to entertain the players and make sure they have fun. Every person playing the game is responsible for the fun of the game. Everyone speeds the game along, heightens the drama, helps set how much roleplaying the group is comfortable with, an brings the game world to life with their imaginations. Different people have different ideas of what's fun about D&D. Remember that the "right way" to play D&D is the way that you and your players agree on and enjoy. If everyone comes to the table prepared to contribute to the game, everyone has fun.

Explicito o suficiente?

(Sem assunto)

há muitas coisas que são fun

Tularis escreveu:
Explicito o suficiente?

Sim, vai ao encontro do que o smascrns já disse e é um parágrafo que podia estar escrito na capa de qualquer RPG. Não é o que distingue D&D de outros RPGs.

Sim, sim tou-me a lembrar de muitas coisas que são fun também

Mas será que vai mesmo ao encontro do que o smascrns disse? Parece-me que o texto do DMGuide não coloca obstáculo algum aos jogadores em fazer aquilo que eles querem, bem pelo contrário. Estou-me francamente borrifando para questões de semântica como o «por causa» ou do «apesar». Se o livro das regras incentiva os jogadores e mestre de jogo a conduzir o jogo como descrito na frase que o Tularis aqui colocou, parece-me que o jogo propõe e suporta esse estilo de jogo.

Rick, a citação colocada pelo Tularis podia estar efectivamente colocada na capa de qualquer RPG, mas ninguém aqui alegou que isso destinguia D&d de outros rpg´s! Quero deixar bem claro: não estou de modo algum a tecer comparações com outros rpg´s, cada um terá os seus pontos positivos e negativos. Cabe a cada jogador perceber qual o jogo que mais se adequa a si e jogá-lo. Limitei-me a responder a 3 pontos em que senti que estava a haver alguma confusão. O 1º prendia-se com a caracterização d personagens, o 2ºprendia-se com as supostas limtações dos roles em 4ªa edição a que respondi com dados factuais do último game day e o 3º ponto com a comparação descabida entre MMO´s e D&d, onde parece já haver algum consenso.

E, no entanto...

Sobre D&D, geralmente assumo o seguinte:

1-Pode fazer-se tudo com D&D
2-Na grande maioria das vezes há jogos que fazem melhor que D&D outras coisas que não combate

Acho que é isso que o Sérgio e o Rick estão a tentar dizer.

De notar que, se ignorarmos as regras, qualquer jogo dá para fazer tudo; se formos apenas pela Regra O (que diz que se uma regra está mal, muda-se), então qualquer jogo dá para fazer tudo; se formos acrescentar/retirar/hackar regras, então qualquer jogo dá para fazer tudo. Eu até posso fazer Exalted com Gumshoe, mas geralmente prefiro o meu Exalted sobre batalhas contra exércitos/deuses/monstros-do-tamanho-de-comboios e a dominação da Criação, e não sobre investigação: Gumshoe faz investigação bem, Exalted faz semideuses bem.

Da mesma maneira, se eu for fazer um jogo sobre combate táctico, sou muito bem servido com D&D; mas se quiser um jogo sobre confiança e traição entre jogadores, E ONDE ESSA CONFIANÇA E TRAIÇÃO TENHAM MECÂNICAS EXPLICITAS E EU SEJA RECOMPENSADO POR USAR UM OU OUTRO, então se calhar The Mountain Witch/Cold City/Hot War/The Dead são melhores jogos.

Lembro-me algures de um ditado sobre como todos os problemas parecem pregos se a única ferramenta for um martelo, mas não me recordo exactamente dele.

--~~--

Em breve coisinhas novas!

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

...

Julgo ter sido claro em relação a essa questão, quando disse :

«Quero deixar bem claro: não estou de modo algum a tecer comparações com outros rpg´s, cada um terá os seus pontos positivos e negativos. Cabe a cada jogador perceber qual o jogo que mais se adequa a si e jogá-lo. Limitei-me a responder a 3 pontos em que senti que estava a haver alguma confusão. O 1º prendia-se com a caracterização d personagens, o 2ºprendia-se com as supostas limtações dos roles em 4ªa edição a que respondi com dados factuais do último game day e o 3º ponto com a comparação descabida entre MMO´s e D&d, onde parece já haver algum consenso.»

e quando mecionei...

«Quanto às regras de combate, elas existem e são para quem gosta. Quem prefere ter uma abordagem mais narrada e menos baseada em regras definidas tem decerto outras opções que já foram referidas neste thread. Acho perfeitmente legítimo optar por esse tipo de jogo.»

Parece que aqui reconheço o valor de outros rpg´s em diversas valências. NUNCA falei bem de D&d em DETRIMENTO de qualquer outro sistema, até porque gosto de diversos outros sistemas aqui mencionados. E porque obviamente ainda não ficou claro, repito: só vim dar respostas a questões onde pareciam haver mal-entendidos. Não puxei esta conversa para uma comparação com outros sistemas. Mas quando me fazem uma pergunta, respondo. Agradeço o vosso input no que diz respeito às mais-valias de outros sistemas (alguns que nem conhecia e que provavelmente vou querer conhecer), mas quem leu nos meus comentários algo do estilo «D&d é que faz tudo bem e o resto não presta», anda claramente equivocado.

Darth_TaQuinas escreveu:

Darth_TaQuinas escreveu:

Agradeço o vosso input no que diz respeito às mais-valias de outros sistemas (alguns que nem conhecia e que provavelmente vou querer conhecer), mas quem leu nos meus comentários algo do estilo «D&d é que faz tudo bem e o resto não presta», anda claramente equivocado.

Falando por mim, não li nada do que tu escreveste nesses termos, não sei onde foste colher essa impressão se a tens quanto ao que escrevi. E não leio nada de semelhante no que o Rui ou o Rick escreveram, também não me parece que eles tenham lido isso no que tu escreveste.

Por outro lado, não compreendo porque é que apontar para outros sistemas pode ser entendido como um olhar depreciativo para o D&D. Pelo que me toca as comparações são sempre úteis pois colocam as coisas em perspectiva.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Darth_TaQuinas escreveu:

Darth_TaQuinas escreveu:

Mas será que vai mesmo ao encontro do que o smascrns disse? Parece-me que o texto do DMGuide não coloca obstáculo algum aos jogadores em fazer aquilo que eles querem, bem pelo contrário.

Mas desse ponto de vista o mesmo se pode dizer do Xadrez. Tenho aqui uma caixa em casa onde o livro de regras não contém o parágrafo citado ou equivalente, é verdade, mas também não precisa de o conter. O Xadrez não me coloca obstáculo nenhum a fazer o que eu quero, bem pelo contrário. Por isso, eu até posso deitar fora todas as regras do Xadrez, introduzir todas as regras que me apetecer, e usar os piões para tiro ao alvo, de acordo com a perspectiva do livro do D&D que, pelos vistos, tu partilhas, estou a jogar Xadrez.

O erro está em que o que define um jogo não é a liberdade que dá aos jogadores, é precisamente o contrário, a liberdade que lhes retira ao definir um corpo de regras. O que não está no corpo de regras não está no jogo, ponto final.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Bastante. Por exemplo, se o

Bastante. Por exemplo, se o meu conceito de «have fun» for atirar com o livro à cabeça de amigos, familiares e passantes na rua estou a jogar D&D, por esse conceito.

Explícito o suficiente?

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

credo...

Claramente estás a desconversar. Há alguns instantes atrás estava a haver estava a haver um debate saudável sobre rpg. A partir do momento em que traçamos as comparações que traçaste, caimos no campo do absurdo. Julgo que transmiti as minhas ideias de um modo claro e nada mais tenho a acrescentar. Leiam nelas o que quiserem. Não me parece que valha a pena continuar a discussão porque não me parece que dê em nada.

Despeço-me assim deste tópico com os sinceros desejos de muitas e divertidas sessões de rpg para todos, seja qual for o sistema jogado. Cumprimentos

MARCO GODINHO

Estás a levar a peito

Estás a levar a peito questões que não te dizem respeito, eu estava a responder ao Tularis, não te estava a responder a ti. O Tularis introduziu uma citação que nada adianta aos pontos que levantei, e eu limitei-me a responder recorrendo a um método argumentativo perfeitamente legítimo, a redução ao absurdo do argumento que ele invocou. Na argumentação o absurdo serve precisamente para demonstrar que um argumento que foi colocado na mesa não faz sentido. É exactamente o que sucede com o argumento do Tularis. Insisto, do Tularis, não teu.

Quanto ao que tu escreveste, limitei-me a formular um conjunto de questões. Questões, nota, não dei respostas, sem prejuízo de eu ter as minhas respostas, seja para o D&D, seja para outros jogos.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Um simples não bastava...

Parece-me então que não fui explicito. A ideia que tentava transmitir era a de que o d&d tem tanto combate quanto os jogadores quiserem que tenha. O mesmo se aplica ao Role Play. O facto de não se utilizar as regras de combate numa sessão de D&D, não quer dizer que estejamos a subverter o sentido do jogo (foi o que percebi do teu argumento em que contrapunhas o "por causa das regas" e o "apesar das regras"), simplesmente estamos a joga-lo como gostamos mais.

O teu recurso ao absurdo, é efectivamente absurdo e não vêm ajudar em nada esta discussão, porque o que citei do DM Guide mostra apenas que D&D tem tanto de hack and slash quanto os jogadores quiserem. Não vem lá escrito que fazer qualquer coisa com os livros é D&D

Quando eu contrapus o «por

Quando eu contrapus o «por causa das regras» com o «apesar das regras» estava a apontar para algo de bastante objectivo e fácil de verificar. Abre-se um livro de jogo, conta-se o número de páginas, capítulos, parágrafos, etc. dedicados a um sub-sistema, digamos o combate; faz-se a mesma operação para cada sub-sistema de jogo (magia, conflito social, conflito com a natureza, etc.); e depois compara-se em termos relativos o seu peso. Adicione-se as regras relativas ao progresso da personagem e veja-se quais os sub-sistemas de jogo que são determinantes para o avanço, e quais aqueles em que há mais atenção dada ao avanço.

Feita esta operação podemos ver aquilo que é suportado, aquilo que não é suportado e aquilo que é pouco suportado pelo sistema de jogo. Ora a verdade é que na generalidade dos sistemas de jogo de fantasia - e não apenas o D&D, diga-se de passagem - o fóco quase exclusivo está no combate. Mas, mesmo aí, há diferenças entre jogos e há excepções. Uma excepção, apenas para efeitos de comparação: o Pendragon.

Quando saímos da fantasia as coisas ficam mais nuançadas, com mais sistemas a darem atenção a outras componentes. Aí, muito por força de dois jogos: o Traveller, com a sua atenção à exploração de mundos; o Call of Cthullu.

E nota que para mim é tudo (ou pode ser tudo) roleplay. Para mim o combate é roleplay, não é necessariamente wargaming. É claro, eu teria de partir daqui para a distinção destes dois conceitos... e de outros francamente associados ao D&D. Talvez seja tempo de abrir outra discussão especificamente para debater este ponto, dado que ele foge muito ao tópico presente.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Grande Flame War que para aqui vai!

Bem, já foi dito aqui tanta coisa que nem sei por onde começar, mas vamos lá a ver. É preciso ver que há aqui gente que pelos vistos não se recorda exactamente o que RPG significa. Ora há aqui dois casos concretos, pessoas que desejam ter o Roleplay sem o Game e pessoas que pelos vistos querem o Game sem a parte de Roleplay.

O que muita gente parece não compreender ou aceitar é que D&D 4th contem ambos. Considerando que D&D foi o primeiro RPG que existiu e consultando a tão famosa Red Box que tanta polémica gerou já noutro thread, posso ver que já desde as primeiras edições que D&D apresenta um manual de regras que se centra mais na questão de character building e no combate do que explicar como fazer Roleplay ou em que o Roleplay consiste, dando apenas uns pointers para os jogadores novatos terem uma ideia do que isto se trata.

O que esta edição traz de novo é um sistema de combate melhor desenvolvido do que as edições anteriores, e sinceramente os core books mantêm a mesma organização que nas edições anteriores nunca tendo surgido um capítulo dedicado a "como fazer roleplay". Não percebo como só agora que o sistema se tornou mais refinado é que começaram a surgir as acusações de que D&D é um MMORPG ou Hack & Slash quando por essa ordem de ideias sempre o foi desde os primeiros tempos do jogo.

A verdade é que D&D tem uma máquina de marketing muito poderosa por trás e a companhia que a executa aproveita-se disso para capitalizar os rendimentos com o jogo. Nisto só posso dizer que compreendo a situação porque ao contrário do que muita gente pensa, as empresas existem com o objectivo de ter lucro e não de desenvolver e dar produtos gratuitamente aos seus consumidores.

Acho que devido a isto surge outro conceito errado que é o de D&D ser um jogo sobre matar monstros e pilhar tesouros. Ao contrário de outros jogos que são praticamente "stand alones", ou seja tens regras e ambientação e história do mundo tudo no mesmo livro, ex: Mouse Guard, D&D apresenta vários "universos" possíveis de serem utilizados, Dark Sun, Eberron, Forgotten Realms, apresentados em livros separados. Basta pegar no campaign setting de Eberron, que trata sobretudo de pulp action num ambiente muito "noir" onde a magia foi responsável pelo desenvolvimento, ao contrário da tecnologia no mundo real, e onde a intriga e conspirações predominam, para vermos que é bastante erróneo reduzir D&D a apenas um jogo sobre matar monstros. A coisa boa de D&D é que se quiserem pode ser um jogo sobre apenas isto mesmo, matar monstros, e se isso vos dá divertimento, então este apresenta o melhor sistema de jogo para o fazer. Mas na verdade D&D é bem mais do que isto.

Voltando ao meu ponto inicial, D&D é um RPG de fantasia medieval onde a componente Game está bem patente pelas regras elaboradas e se calhar frustrante para certas pessoas mais inclinadas a extravasar pseudo-intelectualismos do que passar tempo realmente a jogar um jogo. A essas pessoas recomendo antes que sejam dramaturgos ao invés de DMs ou utilizem outras formas de arte para isso.

Por outro lado há gente a querer dissociar a parte de Roleplay e ficar apenas com um Game. E nisso tenho de lamentar os últimos comments que vi aqui escritos. Pegar em frases soltas da citação do Tularis e desprover-las de contexto parece-me, isso sim, absurdo. Quando o Tularis se referiu a que cada um é que determina o que é "have fun" pode se ler nas frases anteriores da sua citação do DM guide que estávamos a falar do rácio roleplay/combate que os jogadores estão interessados em ter na sua campanha e não em actividades extra jogo como atirar livros a cabeças de pessoas... um RPG vai ter sempre uma componente que não vai aparecer nas regras ( a parte do Roleplay) mas essa componente vai fazer sempre parte do jogo na sua totalidade. Um RPG, qualquer que seja, não pode ser comparado a um Xadrez naquilo que faz parte ou não do jogo ter de vir detalhadamente nas regras, um RPG simplesmente não pode funcionar nesses parâmetros...

Mais um cavaleiro andante

Mais um cavaleiro andante em defesa da sua Dama & Donzela... vamos a isso.

Lord_of_Blades escreveu:

Bem, já foi dito aqui tanta coisa que nem sei por onde começar, mas vamos lá a ver. É preciso ver que há aqui gente que pelos vistos não se recorda exactamente o que RPG significa.

Depois de ler o teu longo texto fiquei na mesma, diga-se de passagem. Ele em nada ajuda a esclarecer o que RPG significa...

Citação:
Considerando que D&D foi o primeiro RPG que existiu e consultando a tão famosa Red Box

Há anos que leio com atenção tudo o que diz respeito à história do meu hóbi. Fiquei a saber, entre muitas outras coisas, que o D&D é tão pioneiro, mas mesmo tão pioneiro, que é anterior ao RPG. Quer dizer, ele começou por ser uma variante esquisita dos jogos de guerra, diferente o bastante para não lhe caber mais ser chamado jogo de guerra. E foi aí que alguém se lembrou de pegar numa expressão consagrada noutros contextos - role play - e chamar ao D&D um role playing game. E com muita razão, do meu modesto ponto de vista. Convém também dizer que o D&D em causa é anterior de uns anos à «famosa Red Box».

Citação:
Não percebo como só agora que o sistema se tornou mais refinado é que começaram a surgir as acusações de que D&D é um MMORPG ou Hack & Slash

Dou-te um «pointer»: os MMORPG são posteriores ao D&D. Outro «pointer»: os MMORPG procuram fundamentalmente transpor para um jogo de computador a experiência de jogar D&D (ou o tipo de rpg normalmente associado ao D&D). Ainda outro «pointer»: a expressão «Hack & Slash» surgiu para identificar uma certa forma de jogar D&D.

Citação:
Acho que devido a isto surge outro conceito errado que é o de D&D ser um jogo sobre matar monstros e pilhar tesouros.

Ainda no domínio dos «pointers», vai aos manuais das sucessivas edições de D&D, em particular das mais antigas, e vê qual é o critério fundamental para a progressão das personagens. Depois vem-me dizer que o «conceito errado» surgiu do nada ou das mentes perversas dos detractores de D&D...

Citação:
D&D apresenta vários "universos" possíveis de serem utilizados, Dark Sun, Eberron, Forgotten Realms, apresentados em livros separados.

E que são todos tão velhos como o D&D original, não é?

Citação:
A coisa boa de D&D é que se quiserem pode ser um jogo sobre apenas isto mesmo, matar monstros, e se isso vos dá divertimento, então este apresenta o melhor sistema de jogo para o fazer. Mas na verdade D&D é bem mais do que isto.

Eu até tenho a «Red Box» na sua versão portuguesa. Não, não encontro la muita coisa que seja «bem mais do que isto». E tenho o D&D4. É verdade, há lá «mais do que isto», o que não há lá é «bem mais do que isto». Quer dizer, o rácio de regras para combate vs. as regras para tudo o resto é tão desequilibrado a favor das regras para combate que não posso de forma alguma dizer que D&D4 «é bem mais do que isto».

Citação:
Quando o Tularis se referiu a que cada um é que determina o que é "have fun" pode se ler nas frases anteriores da sua citação do DM guide que estávamos a falar do rácio roleplay/combate que os jogadores estão interessados em ter na sua campanha e não em actividades extra jogo como atirar livros a cabeças de pessoas...

Pois, só que uma citação retirada ao calhas de um livro de jogo e descontextualizada do todo diz-nos Zero sobre esse todo. O D&D bem pode mostrar as mais belas intenções sobre um role playing abrangente que dá para tudo. Se depois não concretiza isso nas regras, a afirmação citada é completamente vácua.

Citação:
um RPG vai ter sempre uma componente que não vai aparecer nas regras ( a parte do Roleplay) mas essa componente vai fazer sempre parte do jogo na sua totalidade.

Há aqui uma premissa falsa, a de que o «Roleplay» não é para aparecer nas regras. Há imensos jogos com regras ou outras formas de tratar o roleplay. Há até jogos que são basicamente regras para roleplay, quase sem regras específicas para combate. Um que me vem sempre à mente, o HeroQuest (por sinal criado por um fulano que teve uma longa campanha de D&D4 e que contribuiu para várias publicações dedicadas ao D&D, nomeadamente ao D&D4, da WotC).

Citação:
Um RPG, qualquer que seja, não pode ser comparado a um Xadrez naquilo que faz parte ou não do jogo ter de vir detalhadamente nas regras, um RPG simplesmente não pode funcionar nesses parâmetros...

Porque... A afirmação é categórica, sim senhor, mas carece de demonstração.

Mais alguns dados:

O que eu mais gosto no D&D é aquilo que lhe é normalmente apontado como «defeitos» - roles, classes, níveis, etc. O que eu não gosto é a implementação concreta desses conceitos.

O que aqui se discute sobre o D&D é partilhado por muitos outros jogos de que eu gosto mais. Por exemplo, o meu jogo favorito de fantasia é o RuneQuest. Ora este tem também um forte desequilíbrio a favor do combate. É certo que vai muito além do D&D (qualquer edição) na cobertura de tudo o que não é combate, mas mesmo assim há um desequilíbrio.

Eu não considero que combate é jogo de guerra, não é jogo de personagens. Se a personagem é um guerreiro e é isso que eu quero jogar, ainda estou no domínio do jogo de personagens. Apenas, trata-se de personagens altamente especializadas, é tudo.

Simplesmente, quando comparo jogos tenho que ver o que cada um deles tem para dar. Assim, posso dizer por exemplo que do meu ponto de vista o RuneQuest tem as melhores regras de combate; cobre de forma adequada as acções que não são de combate. Que o Ars Magica tem as melhores regras de magia mas não cobre tão bem outras componentes do jogo. Que o HeroQuest tem o sistema mais flexível de criação de personagens, mas não me dá aspectos do combate que para mim são importantes. E por aí fora.

O que eu não entendo é porque é que os fans do D&D são tão sensíveis a qualquer comparação do seu jogo com outros e reagem: ou negando a comparabilidade; ou tentando à viva força dizer que o D&D faz tudo e mais um par de botas; ou atirando-se aos outros acusando-os de pseudo-intelectuais e coisas do género. Não dá.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Lord_of_Blades escreveu:

Lord_of_Blades escreveu:
um RPG vai ter sempre uma componente que não vai aparecer nas regras ( a parte do Roleplay) mas essa componente vai fazer sempre parte do jogo na sua totalidade.

Na verdade, isto também me faz muita confusão. A ideia errada que o roleplay nunca surge nas regras e não é quantificável mecanicamente. Existem bastantes roleplays, alguns deles superlativos, com regras especificas para fazer o roleplay das personagens. Vêm-me à ideia três: Mouse Guard onde os Beliefs e Instincts são o que definem a personalidade / instintos da personagem e recebem uma classificação em função de serem ou não cumpridos durante o jogo; Unknown Armies onde cada personagem tem uma Obsessão e os vários medidos de Insanidade permitem gerir o roleplay e Hollow Earth Expeditions onde cada personagem tem uma forte Motivação que cada vez que é cumprida é recompensada. Para além destes, nunca li The Shadow of Yesterday mas, pelos posts aqui no AoJ, parece-me que as Keys (acho que assim se chamam) definem o tipo de acções adequadas a cada situação.

Quem fala destes fala de outros, nomeadamente Burning Empires (independentemente da qualidade ou não das regras e do setting) tem extensas regras de roleplay onde o que interessa para a história é os Beliefs e Motivações das personagens.

O D&D vem beber de uma escola mais antiga, onde se dá primazia ao combate. Claro que existem os skills challenges mas nem todos os skills challenges são sociais, ao passo que resmas e resmas de poderes (dezenas de páginas) são dedicadas ao combate. É claro que cada jogador / grupo mete mais ou menos roleplay como bem entende mas a filosofia do jogo é a do combate e a do confronto físico. Isso por si não tem nada de mal. Afinal de contas, eu sou fã de sistemas que privilegiam o confronto físico, a acção e o aspecto táctico dos combates mas concordo com o Sérgio quando ele diz que os fãs de D&D têm a tendência para se sentirem atacados quando se compara o D&D a outros roleplay e se fala na sua vertente de combate.

Aproveito para responder a uma questão anterior

O facto de D&D ter roles, é uma benece na minha opinião porque ajuda o jogador a perceber qual o papel que terá que desempenha na party. No entanto será isso "castrador "como diziam aí em cima? Não me parece. Falo por experiência própria pois já fiz vários personagens, onde o role que é atribuido á classe difere enormemente do role que é desempenhado posterriormente no jogo pelo personagem. Deixo como exemplo concreto o fighter que consegue sem dificuldade cumprir o role de striker.

No entanto ( e não quero que pensem que é a minha opinião pessoal ) como é que não acham que limitar um personagem a 2 ou 3 beliefs, ou a uma ou duas frases curtas e bonitas não é castrador, e atribuir-lhe um role ou classe sim?

Pelo que me toca, eu sou

Pelo que me toca, eu sou daqueles que entendem que os roles (ou funções) do D&D são uma das qualidades do sistema, não são um dos seus defeitos! A razão é que o jogo de personagens, tal como a escrita dramática (seja o romance, o teatro, o cinema, a tv, a BD), obriga a simplificar e extremar as personagens, reduzir as nuances a acentuar os traços extremos. E isto por várias razões: Como já li algures, quem tem interesse em histórias banais de gente banal? Por outro lado, num filme que dura hora e meia não há tempo para nos dispersarmos por demasiada riqueza de caracterização nem por demasiadas linhas de acção. O mesmo se pode dizer de um jogo que dura algumas horas.

Em termos de jogo, é de toda a conveniência uma clara funcionalização da personagem. Isso não deve querer dizer, por outro lado, que essa definição clara de roles deva ser fixa e imutável. Num jogo continuado, onde a personagem vive uma sequência de situações dramáticas, é muito interessante a personagem evoluir. Mas a cada momento, em cada situação de jogo, convém que esteja bem definida a função da personagem. Assim como convém que esteja bem definido o seu objectivo, os obstáculos, enfim, os elementos básicos de um enredo. Se isto não estiver bem definido ou se os vários elementos não forem coerentes entre si, o jogo será desinteressante.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

só um ponto rápido

Tularis escreveu:
No entanto ( e não quero que pensem que é a minha opinião pessoal ) como é que não acham que limitar um personagem a 2 ou 3 beliefs, ou a uma ou duas frases curtas e bonitas não é castrador, e atribuir-lhe um role ou classe sim?

Daquilo que percebi, as mesmas pessoas que dizem bem das beliefs são as que também acham que os roles são uma excelente ideia (eu incluído).


smascrns escreveu: Mais

smascrns escreveu:

Mais um cavaleiro andante em defesa da sua Dama & Donzela... vamos a isso.

O que dizer a isto?...enfim... adiante...

Citação:
Depois de ler o teu longo texto fiquei na mesma, diga-se de passagem. Ele em nada ajuda a esclarecer o que RPG significa...

Eu não disse que ia explicar o que é um RPG, acho que quem está a participar neste thread deve conhecer o conceito...

Citação:
Dou-te um «pointer»: os MMORPG são posteriores ao D&D. Outro «pointer»: os MMORPG procuram fundamentalmente transpor para um jogo de computador a experiência de jogar D&D (ou o tipo de rpg normalmente associado ao D&D). Ainda outro «pointer»: a expressão «Hack & Slash» surgiu para identificar uma certa forma de jogar D&D.

Aqui houve uma falha de expressão minha, o que eu queria dizer é: Porquê a 4th edition é considerada MMORPG ou Hack & Slash e as edições antigas não o são pelos jogadores actuais, tanto que muitos jogadores actualmente preferem continuar a jogar as edições anteriores (3.5, 2nd e anteriores).

Citação:
Ainda no domínio dos «pointers», vai aos manuais das sucessivas edições de D&D, em particular das mais antigas, e vê qual é o critério fundamental para a progressão das personagens. Depois vem-me dizer que o «conceito errado» surgiu do nada ou das mentes perversas dos detractores de D&D...

Fui eu próprio que referi que os manuais antigos se centram nisso mesmo... mas lendo o que vem em seguida...

Lord of Blades escreveu:
D&D apresenta vários "universos" possíveis de serem utilizados, Dark Sun, Eberron, Forgotten Realms, apresentados em livros separados.

Citação:
E que são todos tão velhos como o D&D original, não é?

D&D teve sempre ao longo dos anos core rules, centradas sim em combate, e expansões em livros separados, com ambientação e histórias, os chamados Campaign Settings. Os que dei como exemplo são os que estão a ser usados na 4th edition e realmente não são tão velhos como o D&D original. Mas... já que gostaste tanto da palavra "pointers" e pareces estar tão bem informado deste hobbie, vou te dar mais um pointer então. Conheces Greyhawk e Blackmoor? Greyhawk foi o set de regras que deu a independência de D&D em relação às regras do jogo Chainmail, e sim, a existência de Campaign Settings é tão velha (ou quase tão velha se quisermos ser absolutamente precisos) como o D&D original. Mas vê então o ano de lançamento destes settings... olha mais um pointer podes usar o google para isso....

Citação:
Eu até tenho a «Red Box» na sua versão portuguesa. Não, não encontro la muita coisa que seja «bem mais do que isto». E tenho o D&D4. É verdade, há lá «mais do que isto», o que não há lá é «bem mais do que isto». Quer dizer, o rácio de regras para combate vs. as regras para tudo o resto é tão desequilibrado a favor das regras para combate que não posso de forma alguma dizer que D&D4 «é bem mais do que isto».

Eu também tenho a Red Box e todas as edições desde essa à 4th ed. E mais uma vez digo que eu afirmei que as core rules de D&D sempre se centraram na questão do combate e que actualmente a única edição de D&D considerada MMORPG e Hack & Slash por muitos é a mais recente, facto o qual não compreendo.

Nos campaigns settings actuais, por exemplo Eberron, encontramos um livro de quase 300 páginas que nos fala de um mundo e da sua história e política e das personagens que fazem parte desse mundo. Nestas 300 páginas não vejo lá nada sobre matar monstros e explorar dungeons e pilhar tesouros, nem de regras de combate.

Citação:
Pois, só que uma citação retirada ao calhas de um livro de jogo e descontextualizada do todo diz-nos Zero sobre esse todo. O D&D bem pode mostrar as mais belas intenções sobre um role playing abrangente que dá para tudo. Se depois não concretiza isso nas regras, a afirmação citada é completamente vácua.

D&D não é um RPG abrangente que dá para tudo. É simplesmente um RPG sobre fantasia medieval e se o objectivo é usar outro tipo de ambientes, sejam Sci-fi, Cyberpunk ou o que seja, existem outros jogos bem melhores para isso.

Lord of Blades escreveu:
]Um RPG, qualquer que seja, não pode ser comparado a um Xadrez naquilo que faz parte ou não do jogo ter de vir detalhadamente nas regras, um RPG simplesmente não pode funcionar nesses parâmetros...

Citação:
Porque... A afirmação é categórica, sim senhor, mas carece de demonstração.

Um RPG inclui a utilização de uma coisa chamada Imaginação como utensílio para interpretar uma personagem e imaginar as situações descritas pelo DM. Haverá sempre aqui este elemento que não se pode confinar em regras. Um jogo de tabuleiro, como o Xadrez é isso mesmo, um jogo de tabuleiro, é o que está no tabuleiro e não passa daí, logo as regras têm que definir isso mesmo e o que se pode ou não fazer. Eu não posso simplesmente pegar num Peão e investir contra o Rei em linha recta só porque imagino que isso seria uma coisa heróica para um simples soldado fazer. Em D&D, ou noutro RPG, eu tenho essa possibilidade...

Citação:
O que eu não entendo é porque é que os fans do D&D são tão sensíveis a qualquer comparação do seu jogo com outros e reagem: ou negando a comparabilidade; ou tentando à viva força dizer que o D&D faz tudo e mais um par de botas; ou atirando-se aos outros acusando-os de pseudo-intelectuais e coisas do género. Não dá.

Não se trata de sensibilidade, já imensas vezes vi neste forum gente a falar de D&D, com uma arrogância desmedida, como um jogo que apenas coitadinhos que não conhecem outros jogos "que são obras de arte" jogam, e nunca decidi intervir com comentários. D&D tem limitações como é óbvio, mas não aceito que me digam que é apenas Hack & Slash porque eu sei que campanhas corro quando sou DM e qualquer jogador que tenha participado nas minhas campanhas sabe que detesto Hack & Slash e que as minhas campanhas nunca se centram nas exploração de dungeons, mas sim nas interacções entre personagens e na história. Se me perguntarem se há combate, sim há. E ainda bem que tenho o sistema de regras de combate de D&D a apoiar-me quando esses combates surgem.

E não, não sou um cavaleiro andante nem um paladino, sou apenas um gamer que deu a sua opinião sobre um jogo entre os vários que gosta bastante de jogar.

Apenas alguns pontos, antes de seguir

Isto faz-me lembrar as minhas antigas discussões com o DemonKnight, que eram muito mais picantes que estas trocas de galhardetes. :-)

Lord_of_Blades escreveu:

Lord_of_Blades escreveu:
D&D não é um RPG abrangente que dá para tudo. É simplesmente um RPG sobre fantasia medieval e se o objectivo é usar outro tipo de ambientes, sejam Sci-fi, Cyberpunk ou o que seja, existem outros jogos bem melhores para isso.

Acho que já ficou aqui amplamente demonstrado, parece-me que por três pessoas diferentes, que não se falava em ambientes, mas naquilo que as regras suportam. Que é, como tu próprio dizes, isto:

Lord_of_Blades escreveu:
as core rules de D&D sempre se centraram na questão do combate

A mais nova edição do jogo é muitas vezes comparada (e por mim também, mas isso não me tira vontade a jogar Dark Sun) a um MMORPG, porque atribui papéis de combate aos personagens que não existiam, ou não eram tão vincados, em edições anteriores. O caso do ladrão DPSer, o caso do mago Controller, o caso do clérigo Healer, o caso do guerreiro Tank. Estou convencido que nesta discussão também já se falou sobre isto. Adiante.

Lord_of_Blades escreveu:
Um RPG inclui a utilização de uma coisa chamada Imaginação como utensílio para interpretar uma personagem e imaginar as situações descritas pelo DM. Haverá sempre aqui este elemento que não se pode confinar em regras.

Verdade, mas...

Lord_of_Blades escreveu:
Um jogo de tabuleiro, como o Xadrez é isso mesmo, um jogo de tabuleiro, é o que está no tabuleiro e não passa daí, logo as regras têm que definir isso mesmo e o que se pode ou não fazer. Eu não posso simplesmente pegar num Peão e investir contra o Rei em linha recta só porque imagino que isso seria uma coisa heróica para um simples soldado fazer. Em D&D, ou noutro RPG, eu tenho essa possibilidade...

...isto não é totalmente verdade. Pessoas melhor versadas no xadrez que eu podem opinar sobre isto, mas do que sei sobre a história do xadrez é que este começou por ser uma representação de exércitos em batalha, uma forma de ensinar táctica e estratégia a jovens nobre pretendentes a generais. Não é de todo descabido imaginar grandes batalhas entre exércitos inimigos, neste sentido.

Eu não usaria xadrez para jogar rpg sobre exércitos, garantidamente, mas olha que cada vez mais há rpgs que incluem regras para combates entre exércitos, e ainda outros que incluem regras para gerir nações. Entre estes incluo o Exalted e o Reign, mas há de certeza outros.

Talvez fosse engraçado colocar a questão de porquê o D&D 4ed ter tanto enfoque em combate nas suas regras, e cada vez mais rpgs terem regras sobre combate de exércitos.

Por último, não vejas isto como um ataque pessoal, e também não vejas isto como um ataque ao D&D; neste momento considero o D&D 4ed como o melhor rpg para combate táctico, mas se for para fazer outras coisas, então tens muito mais e melhores opções no mercado.

Dito isto, estou curioso por ver como é o DMG2, depois de ler esta crítica (http://critical-hits.com/2009/09/13/review-dungeon-masters-guide-2/), e salientando isto:

Citação:
This chapter is worth the price of admission alone, and from what I understand, is primarily the work of Robin Laws, no stranger to the world of writing about game mastering. Highlights of the chapter include the section on “Branching”, which talks about how the success or failure creates different options for how to progress with a story, and by introducing interesting complications into a story even when the PCs fail. There’s some resemblance to the GUMSHOE RPG, which should come as no surprise as it was also written by Mr. Laws.

The chapter continues with collaborative ways with your players to structure your campaign. There are suggestions on how to tie your PCs together with a theme and get motivations out of them, as well as establishing interrelationships between the PCs. (All things I did when starting my last campaign.) There are also suggestions on how to creative a collaborative plot with your players, and how to avoid a lot of the pitfalls of such a game. (You’ll hear that idea done a little at the beginning of one of our podcasts.)

--~~--

Em breve coisinhas novas!

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Lord_of_Blades escreveu:

Lord_of_Blades escreveu:

Aqui houve uma falha de expressão minha, o que eu queria dizer é: Porquê a 4th edition é considerada MMORPG ou Hack & Slash e as edições antigas não o são pelos jogadores actuais, tanto que muitos jogadores actualmente preferem continuar a jogar as edições anteriores (3.5, 2nd e anteriores).

Enfim, questões lá deles, dos jogadores de D&D. Curiosamente eu que nunca joguei MMORPGs, quando li e pensei sobre o D&D4 fiquei até mais com a impressão de que ele iria ser uma aproximação aos jogos de tabuleiro estilo Runebound. O que faz de novo sentido pois estes, como os MMORPGs, foram beber imenso ao D&D estilo dungeon hack & slash... Fiquei desde logo com a impressão de que seria uma questão de tempo até começarem a aparecer cartas para o D&D4, como veio a acontecer.

Citação:
D&D teve sempre ao longo dos anos core rules, centradas sim em combate, e expansões em livros separados, com ambientação e histórias, os chamados Campaign Settings.

Citação:
Eu até tenho a «Red Box» na sua versão portuguesa. Não, não encontro la muita coisa que seja «bem mais do que isto». E tenho o D&D4. É verdade, há lá «mais do que isto», o que não há lá é «bem mais do que isto». Quer dizer, o rácio de regras para combate vs. as regras para tudo o resto é tão desequilibrado a favor das regras para combate que não posso de forma alguma dizer que D&D4 «é bem mais do que isto».

Mas o Greyhawk e o Blackmoor começaram por ser nomes para mapas em branco onde se foram multiplicando os dungeons. Nada de errado nisso, diga-se de passagem. Mas isso distingue-os de outros universos de jogo, como Glorantha, por exemplo, que foram pensados primeiro como universos de fantasia, e depois como universos onde se podia jogar.

Sem prejuízo disso, até apontas aqui para uma questão importante quando se analisa D&D (ou o rpg em geral): não se pode olhar apenas para o livro de regras, tem de se ter em conta o que se faz com esse livro de regras. Por exemplo, por muito que o World of Darkness se venda como um storytelling profundo, o que ele é é fundamentalmente superheróis com dentes afiados...

Voltando ao D&D, é natural e compreensível que ele exprimisse na origem um roleplay muito incipiente. Afinal, era um conceito novo e em evolução. Mais que os autores do jogo, foram os jogadores que viram as possibilidades e que ultrapassaram largamente o jogo. Isso foi surgindo nos suplementos, mas encontrou expressão fundamentalmente noutros jogos, concebidos precisamente para incorporarem o que não havia no D&D. A partir de certa altura os designers do D&D (e os proprietários dos direitos que lhes dão instruções sobre o que fazer) passaram a viver num dilema: acompanhar a concorrência e incorporar conceitos que não existem no D&D; ficarem-se pelo que define o D&D desde a origem e que é a chave do seu sucesso, ou seja, não se meterem em modernices.

Comparando, o Windows da Microsoft não tinha um vrowser da internet desde a origem. O IE surgiu para colmatar uma «falha» não antecipada nem antecipável quando o Windows foi concebido. Seria descabido um fã do Windows vir dizer que o Windows sempre teve a capacidade de browsing...

Citação:
Eu também tenho a Red Box e todas as edições desde essa à 4th ed. E mais uma vez digo que eu afirmei que as core rules de D&D sempre se centraram na questão do combate e que actualmente a única edição de D&D considerada MMORPG e Hack & Slash por muitos é a mais recente, facto o qual não compreendo.

Sinceramente, nem eu. Aliás, nunca disse isso.

Citação:
Um RPG inclui a utilização de uma coisa chamada Imaginação como utensílio para interpretar uma personagem e imaginar as situações descritas pelo DM. Haverá sempre aqui este elemento que não se pode confinar em regras. Um jogo de tabuleiro, como o Xadrez é isso mesmo, um jogo de tabuleiro, é o que está no tabuleiro e não passa daí, logo as regras têm que definir isso mesmo e o que se pode ou não fazer.

O problema são os exemplos que demonstram que esta regra não o é. Por exemplo, o jogo francês Rêve de Dragon (tem edição inglesa com o nome Rêve: The Dream Ouroboros). O sistema de magia incorpora como ferramenta fundamental... um jogo de tabuleiro do século XVII! Outro exemplo ainda mais antigo: o D&D original. Nem sequer tinha um sistema de combate digno desse nome, pelo que os jogadores começaram a usar o sistema de combate de minis Chainmail.

O que isto quer dizer é que um rpg incorpora subsistemas que com frequência podem ser autonomizados e jogados por si. E se isso suceder, esses subsistemas vivem como jogos de tabuleiro, como jogos de miniaturas, como jogos de cartas, etc.

Isto quer também dizer que é possível transformar um jogo de tabuleiro num subsistema de rpg. O Xadrez, por exemplo, poderia ser transformado neste sentido, por hipótese para os combates de massa. Basta dar um nome ao rei, rainha, etc.; individualizar a forma destas peças; pôr um desenho bonito no tabuleiro; configurar situações de partida ao estilo do que fazem aqueles exercícios de xadrez que aparecem nos jornais; e aí temos o xadrez, transformado em componente do rpg.

Em suma, estás a colocar fronteiras absolutas onde o que há, quando há, são fronteiras porosas, pontos de passagem.

Citação:
Eu não posso simplesmente pegar num Peão e investir contra o Rei em linha recta só porque imagino que isso seria uma coisa heróica para um simples soldado fazer. Em D&D, ou noutro RPG, eu tenho essa possibilidade...

Depende das regras de combate. Eu não posso fazer isso livremente no D&D, por exemplo. Não posso simplesmente dizer, «invisto contra o rei e dou cabo dele». No D&D há todo um conjunto de regras que transformam essa expressão numa série de passos definidos pelo sistema. Ora eu posso fazer isso mesmo, sem mais entraves, com outros sistemas de jogo. E posso conceber um sistema de combate para rpg a partir das regras do Xadrez onde o comportamento do peão e do rei são executados de acordo com as regras do Xadrez. Mais uma vez, as fronteiras são porosas.


Citação:
já imensas vezes vi neste forum gente a falar de D&D, com uma arrogância desmedida, como um jogo que apenas coitadinhos que não conhecem outros jogos "que são obras de arte" jogam, e nunca decidi intervir com comentários.

Até pode ser verdade, mas não fui eu. Daí que ...

Citação:
eu sei que campanhas corro quando sou DM e qualquer jogador que tenha participado nas minhas campanhas sabe que detesto Hack & Slash e que as minhas campanhas nunca se centram nas exploração de dungeons, mas sim nas interacções entre personagens e na história. Se me perguntarem se há combate, sim há. E ainda bem que tenho o sistema de regras de combate de D&D a apoiar-me quando esses combates surgem.

Óptimo. Agora diz-me, qual é a mediação ou contributo das regras de DD para a componente do vosso jogo que se centra nas interacções entre as personagens e na história? Em que medida é que jogariam essas componentes de jogo de modo diferente se não estivessem a jogar com o sistema de D&D?

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

smascrns escreveu:

.

Sérgio

Não se vão já embora..

..que, pode não parecer, mas estamos todos practicamente de acordo.

Lord_of_Blades escreveu:
Não se trata de sensibilidade, já imensas vezes vi neste forum gente a falar de D&D, com uma arrogância desmedida, como um jogo que apenas coitadinhos que não conhecem outros jogos "que são obras de arte" jogam, e nunca decidi intervir com comentários.

Espero que este tópico também possa servir para enfim esclarecermos este mal-entendido que no ano passado levou a que algumas pessoas ficassem com esta impressão errada que no AbreoJogo haverá uma suposta opinião generalizada contra D&D.

Entre essas imensas vezes, queres apontar uma que evidencie essa arrogância desmedida? Não quero interpretar à partida o que isso quer dizer, mas será, por exemplo, alguém falar daquilo que não conhece? Será talvez fazer declarações demasiado generalizadas? Ou serão certas provocações e galhardetes a que aqui nos habituamos, mas que podem ter sido levadas a mal?

De resto, muita gente aqui joga e jogou D&D nas várias edições e nunca fiquei com a ideia que o considerassem um jogo menor - muito pelo contrário, a sua importância e popularidade são inegáveis. Agora, também muita gente aqui gosta de RPGs em geral, um pouco como - e eu já fiz esta comparação antes - como a malta do Top Gear gosta de carros, ou seja, à partida simpatizamos com qualquer coisa que tenha um motor, quatro rodas e um volante e quando dizemos mal ou bem ou fazemos comparações é de uma forma apaixonada e com uma linguagem por vezes exagerada. Isto não tem nada de artístico, arrogante ou pseudo-intelectual.

Não é natural que a maior parte destas conversas sejam acerca de possíveis comparações? E de falarmos exactamente do que é que está escrito e proposto nos livros de RPG que tanto gostamos e de como é que diferentes jogos lidam com diferentes questões concretas?

Além disso, como seria de esperar, ao tentarmos estas generalizações começamos a falar de conceitos esotéricos que só os mais viciados tentam discutir - coisas como "controlo de tracção" ou "potência real" ainda no caso dos carros - ou coisas como "regras", "ambiente" ou "roleplay". Como acontece em todas as áreas que practicamente têem um vocabulário próprio, muito tempo se perde com estas coisas, mas a malta tanto gosta disto que precisa de arranjar uma maneira de falar sobre todos os RPGs ao mesmo tempo e não só de um caso isolado e em absoluto.

Aqui está-me a parecer que, quando alguém começa a puxar para este lado mais geek do RPG, há sempre alguém que pensa "lá estás tu com essas esquisitices" e começa a levar a mal. Será isso?

Também se dá o caso que membros mais antigos do AbreoJogo já falaram não-sei-quantas vezes sobre o mesmo assunto e, quando voltam a um tópico semelhante, não querem repetir aquilo que já foi dito e então partem daquela atitude que é "toda a gente já sabe de que é que estamos a falar" quando podem não saber. Poderá também estar a acontecer isto.

Obrigado, Rick!

Não poderia haver post mais moderado do que esse.

Eu por mim só ainda não participei neste thread porque ele em si não fala de nada de novo (já o vi ser debatido uma meia-dúzia de vezes por aqui) e porque no fundo estão todos a concordar com a ideia geral mas a discordar nos "rótulos" e a tentar adivinhar erradamente as intenções por detrás dos discursos uns dos outros.

Por isso avancem lá com o "aperto" e não me obriguem a pôr aqui aquele cartoon do "Someone is wrong in the Internet".

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Algumas considerações finais

Creio que existe muito de verdade no discurso do Lord of Blades que entretanto foi refutado pelo smascrns e entretanto contra-refutado pelo LoB. O Rui levantou (e bem) algumas questões que referem que havia suporte em D&d nos settings ao nível da história, mas não haveria do ponto de vista de regras de roleplay. Mas uma leitura do Dungeon Master Guide 2 (muito bem lembrado, Rui) deverá surpreender muitos que afirmam que o foco das REGRAS de D&d é exclusivamente de combate. Estamos a falar de um livro dedicado a dicas de storytelling e de orientação de roleplay puro e duro. E é aí que uma vez mais se desmonta o argumento do MMO.

Mas não façamos confusões:nunca foi aqui dito que D&d era o que tinha as melhores regras para roleplay! Certamente que outros sistemas terão isso mais desenvolvido, o que não me faz confusão nenhuma. Disse isso uma carrada de vezes, só não lê quem não quer. O que houve aqui foi um conjunto de argumentos que pretendia mostrar que D&d não era só hack and slash ou um MMO, mas sendo sim como «bem mais do que isso». É nesse aspecto que assumirei sempre uma postura defensiva em relação a um dos meus jogos favoritos. Não o considero uma questão de sensibilidade, é apenas o meu direito de expressão de opinião num fórum «á la Top Gear» onde esse tipo de atitude deve ser encorajada.

Rick, evidentemente que o Abreojogo não tem uma opinião generalizada sobre D&d. Cada qual é responsável pelo que diz aqui e não se pode assim generalizar opiniões. Elas são bem diversas aqui. E hoje ficaram a conhecer a minha.

Jrnmariano, a discussão que aqui teve lugar é antiga e não trouxe nada de novo, é certo. Mas relembro que inicialmente apenas me propus a esclarecer algumas confusões relativamente a 4ª edição. Outros intervenientes aqui colocaram-me questões que orientaram a conversa nesta direcção. Não há absolutamente nada de mal nisso, mas se colocam uma questão é óbvio que vou-me sentir inclinado a responder, prolongando assim o debate.

Bem, agora sim parece que disse tudo o que tinha a dizer!

Claro...

Não há nada mal em discutir as coisas... Eu só estava a tentar fazer-vos falar mais acerca de MIM, eh eh. :D

De resto, e concordo com o Sérgio, acho que deviam abrir outro tópico pois este não tem nada a ver com "primeiras impressões sobre D&D 4ª edição".

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Grande Sensei

O Grande Sensei Psy diz:

FALEM MENOS!

JOGUEM MAIS!

And there was much rejoooooooooooooooooooooooooooooooooice!!!!

P.S. E sim, Rick, existe de facto um movimento anti-D&D neste fórum. Sabes isso tão bem como eu, mas não vale a pena estar a voltar a esta discussão. Se queres melhor prova disso, cada vez que aparece alguém a dizer algo tão simples como "olá, sou novo, quero aprender D&D", a resposta imediata, em avalanche é: "Esquece o D&D! Os jogos A, B, C, D, E, F (...) é que são bons. Isto não é especulação. Isto são factos.

Quase todos nós começámos pelo D&D. Porque não dar essa oportunidade aos que agora chegam, e então depois deixá-los experimentar outros jogos?

Não vale a pena estarmos todos novamente a trocar bocas, até porque, tal como diz o Grande Sensei Psy:

FALEM MENOS!

JOGUEM MAIS!


---------------------------------------------------------

"D&D" http://sites.google.com/site/jrc589

---------------------------------------------------------

"D&D" http://grou.ps/silverymoon

tipo o último fã de D&D que tentamos convencer a ir ao Game Day?

Em poucas palavras então...

Psygnnosed escreveu:
Isto são factos.

Link, por favor.

...

Que haja por aqui alguns "cromos" (será mesmo plural?) que gostam tanto de um dado RPG que são capazes de desenvolver um texto extenso que demonstra sine qua non os méritos louváveis do mesmo em pretérito do Dungeons & Dragons ainda acredito (caso do smascrns com o BRP neste thread: http://www.abreojogo.com/forum/rpg_dd/2009/04/novo_em_rpg) mas daí a haver um "movimento anti-D&D neste fórum" não me parece.

Por um lado esse ímpeto em afirmar que aquilo do que uma pessoa gosta é melhor do que os outros gostam não é nada que não tenha ouvido antes acerca de RPGs mais populares ou até dos mais obscuros. E por outro lado parece-me um fenómeno típico de tudo o que é uma paixão e move as pessoas.

E sim, enquanto não apresentares factos (leia-se transcrições ou até links) não passa de especulação que em nada ajuda a esta discussão (não te preocupes que não foste o único a desviá-lo, eu incluído).

Aliás acho que devíamos abrir um thread para discutirmos essa ideia provavelmente errada do "grupo activo do Abre o Jogo que se dedica a movimentar-se contra o D&D" que tantas vezes é replicada ou até, quem sabe, colocarmos um "disclaimer" acerca disso na secção do "Sobre nós".

Nota: Editei partes do post original pois achei que estava demasiado "engraçado", o que nem sempre ajuda a estas discussões.

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jrmariano escreveu: Que

jrmariano escreveu:
Que haja por aqui alguns "cromos" (será mesmo plural?) que gostam tanto de um dado RPG que são capazes de desenvolver um texto extenso que demonstra sine qua non os méritos louváveis do mesmo em pretérito do Dungeons & Dragons ainda acredito (caso do smascrns com o BRP neste thread: http://www.abreojogo.com/forum/rpg_dd/2009/04/novo_em_rpg) mas daí a haver um "movimento anti-D&D neste fórum" não me parece.

A questão é um pouco mais complexa do que apontas e não é uma questão, como o Lord of Blades pensa, de dizer mal do D&D por dizer ou de tentar impor à viva força outros jogos em lugar do D&D. A questão de fundo, como eu indico claramente no sítio para onde vai o teu link, é que há muita gente que chega ao rpg de mesa apenas tendo conhecimento do D&D e sem saber que há opções. O que eu fiz (nomeadamente no sítio para onde lincas), faço e continuarei a fazer é tentar esclarecer um ponto: a pessoa está interessada em jogos de personagens em geral, ou está interessada em jogar especificamente D&D? No último caso, como aconteceu no tal sítio, eu calo-me. No primeiro caso, apresento alternativas e por uma razão simples: nós não somos assim tantos a gostar de rpg. Por vezes pode ser mais fácil encontrar um grupo que jogue jogos diferentes do D&D do que um grupo que jogue D&D. Se a pessoa estiver disposta nesse caso a experimentar o que o grupo joga, tanto melhor.

Como é evidente, não há nisto qualquer tentativa de denegrir o D&D ou de o substituir à viva força por outros jogos. Curiosamente os posts sobre jogos de tabuleiro estão cheios de coisas destas («quero jogar o jogo X», «ouve lá, porque não jogas antes Y?») e nunca me dei conta de que ouvesse quem visse nisso uma cabala para denegrir um jogo a favor de outros...

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Pois...

Eu sempre interpretei essas tuas observações como tendo a intenção que tu exactamente apontas, o que para MIM não tem absolutamente nada de mal.

Espero que agora que a clarificaste elas também não causem mais ressentimento a quem as lê.

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boas...

boas tardes

não tenho por habito envolver-me nestas eternas(e cíclicas)discusões k algumas vezes até começãm com algum objectivo ou ponto relevante e k acabam ou alongam-se por varias discussões pessoais e muito fúteis!!!!

dito isto kem me conheçe sabe k poucas pessoas gostam mais de d&d k eu...Ja jogo desde 2.0 edição,e ja joguei em varios setting's diferentes para saber do k falo.........................ainda assim tenho lucidez suficiente para reconhecer k tens as suas falhas....claro....k rpg(ou outra coisa feita pelo homem[para alem da Megan Fox]é perfeita!!!)

tudo o k foi dito aki(bom as coisa k não eram tanto de o meu é maior k o teu....mas sim considerações reais)é sempre saudavel...é assim k as coisas avançam.

e como o grande mestre mariano disse,não me pareçe k exista um "movimento anti-d&d".

ainda assim,claro k é engraçado ver como em tudo o k a Humanidade esta envolvida e numa altura de "conflito" ou desacordo,existe essa tendencia sempre primaria de dizer "eles adem ai"!!! LOLOLL

acho k todos os Rpg's têm o seu merito e fazem o seu "trabalho"....divertirem-nos..

penso k so os humanos podem causar estas discussões....em tudo o k envolva paixão(komo ja foi dito)seja no Rpg seja no futebol seja na politica!!!!

para a frente a ideia de falar menos(ou neste caso...com relevância)e jogar mais....

PS:desculpem erros mas tou a meio de uma severa gripe!!!!!

"Spartans! Enjoy your breakfast, for tonight we dine in Hell!"

Barendd escreveu:

Barendd escreveu:

PS:desculpem erros mas tou a meio de uma severa gripe!!!!!

Não chega, tens que ser mais específico, gripe de que nível?

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Movimento anti-D&D, uma realidade?

Bom, em jeito de declarações finais vou apenas responder a algumas questões que ficaram em aberto.

A primeira tem que ver com a componente do jogo que mais influência a parte de interacção de personagens e da história nas minhas campanhas de D&D. A resposta a isto é sem dúvida o Campaign Setting de Eberron, onde o nosso grupo de jogo se vai inspirar tanto na criação de personagens como de NPCs e onde é que eles se inserem no mundo que os rodeia.

O DM guide2 como já muito bem referiram é um manual onde se fala sobretudo da componente de campaign building e de como gerir roleplay, jogadores e uma série de questões que pouco têm que ver com a componente de combate. Este livro também o consulto por vezes para inspiração.

Um exemplo de que em medida estas componentes de jogo seriam diferentes usando um sistema diferente é um pouco difícil de responder sem experimentar na prática. Posso supor por exemplo, que se usássemos o sistema de Cthulhu, que as personagens seriam talvez um pouco mais cuidadosas e menos heróicas porque os confrontos físicos são muito mais letais neste sistema do que em D&D. Mas isto é muito vago e sujeito a infindáveis discussões...

D&D não é de maneira nenhuma um jogo perfeito e nem provavelmente o melhor RPG que existe, mas não é apenas hack&slash ou MMORPG como muita gente quer fazer crer, e foi sobretudo a refutação desta ideia o objectivo das minhas intervenções.

Tenho de enviar uma palavra de apreciação à intervenção do "grande mestre psy" mas respondendo directamente à tua pergunta Rick, realmente não se pode falar directamente de um "movimento anti-D&D". Eu sei que a grande maioria dos utilizadores deste forum são neutrais ou tolerantes em relação a qualquer jogo mesmo quando a sua opinião não é favorável. Mas parece que D&D é daqueles jogos que sempre que é mencionado consegue provocar um comentário qualquer de cariz negativo, na sua grande maioria das vezes não inserido no contexto do tópico.

Para colmatar a lacuna do "grande mestre psy" eu vou deixar então aqui uns exemplos e os tais links:

1- Temos aqui um thread sobre a Red Box que a Wizards planeia reeditar para 4th edition, onde um inspirado compara D&D a um pedaço de cócó. Parece-me relevante para o tópico e sobretudo revela uma maturidade elevada. Também dignas de nota são as intervenções de um senhor que tem uma raposa vestida com uma farda como avatar que a mim me parecem sensatas. É ver aqui:

http://www.abreojogo.com/blog/nazgul/2010/02/red_box

2- Quando se falou em organizar jogos para levar para o encontro nacional de RPGs e se falou em D&D 4th edition houve logo quem quis expressar a sua opinião pessoal negativa sobre este jogo apesar dessas opiniões, positivas ou negativas, não surgirem para mais nenhum jogo e de não terem sido necessárias para aquilo que estava a ser discutido no tópico que era pura e simplesmente "que jogos querem jogar no encontro de RPG?":

http://www.abreojogo.com/LeiriaCon2010RPG

Estas duas situações são dois exemplos que me lembro assim de repente, mas mais há de aí haver. Isto para não falar dos inúmeros tópicos em que alguém anda à procura de um grupo para jogar D&D e tem de vir sempre alguém dizer: "D&D? Não preferes jogar antes o jogo X ou Y?" Não preciso de postar aqui links é só fazer search nos tópicos.

Concluindo, não há realmente um movimento anti-D&D nem nenhuma cabala contra D&D, o que há sim, indubitavelmente, é um conjunto de indivíduos que fazem questão, e muitas vezes de maneira desagradável e off-topic, de exibir o seu desagrado por este jogo.

Bem, quanto ao segundo ponto...

Eu pessoalmente (nada pessoal pois não conheço a pessoa em si e acho que se pode criticar as mensagens escritas até certo ponto) não apreciei a intervenção do Psy' pois intervir numa discussão apelando à não-discussão e sugerindo outra acção alternativa preferível é um pouco contra-produtivo. Se as pessoas estão a discutir ideias é porque o querem fazer. Provavelmente dão na mesma importância a essa acção alternativa e têm pessoas com quem o podem fazer. Provavelmente até apoiam a iniciativa do "Go Play" que significa isso mesmo (ícone incluído no avatar e tudo).

No Abre o Jogo irão sempre existir conjuntos de indivíduos que precisam isoladamente de manifestar a sua opinião e por vezes fazem-no de maneira crassa e com pouca diplomacia. Um dos critérios de admissão no site não é de certeza a sensatez e o dom da palavra. Aliás não existem mesmo critérios de admissão!

Quem vier postar aqui tem mesmo de se aguentar à bronca e a às "bocas". Não há possibilidades logísticas nem "políticas" para se garantir o contrário. Eu por vezes deixo-me levar pelas provocações e arrependo-me logo a seguir quando lhes dou resposta. Imagino os outros! :)

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E estamos a falar de D&D.

E estamos a falar de D&D. Imagino se estivéssemos a falar de "indies."

You're the Keeper...

Ainda bem que nos lembras do que é estávamos mesmo a falar. Com o tamanho deste thread podíamos ter perdido o fio à meada.

Por acaso até podíamos estar a falar de Savage Worlds, Mouse Guard ou Vampire: The Requiem nesta thread. Mas não seria mais prático um thread à parte?

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Lamento

Mariano,

Se de alguma forma a minha intervenção te incomodou, então apresento as minhas desculpas.

A minha intenção era "arejar um bocadinho", recorrendo à paródia, e dar a minha opinião quanto a um sub-tema ("um certo ambiente anti-D&D). Como sabes sou um entusiasta do jogo, e quando vejo pessoas a minar-lhe o interesse, ressinto-me.

Não querendo alimentar mais polémica neste tópico, reforço o pedido de desculpas.

---------------------------------------------------------

"D&D" http://sites.google.com/site/jrc589

---------------------------------------------------------

"D&D" http://grou.ps/silverymoon

No worries...

A tua intervenção não me incomodou nem tens nada que pedir desculpas.

Eu disse que não a apreciei no sentido que não concordo muito com ela. Realcei que era "pessoalmente" para reforçar a minha opinião como um indivíduo e evitar confusões recentes.

Podemos discordar a nível intelectual sem termos que enquadrar as coisas de maneira emocional, certo? Porque aliás "nem tudo o que as pessoas gostam lhe fazem bem", eh eh. Reservo meu direito de estar perfeitamente enganado e ser corrigido por ti. :)

Se achares que mesmo assim devemos falar mais sobre este assunto manda-me uma mensagem pelo serviço aqui do Abre o Jogo.

Acho que o problema (se que é um problema)é mesmo esse. O entusiasmo não pode ser confundido como legitimação de verdades absolutas ou tentativas de ridicularização dessas mesmas verdades. Mas é o que alimenta este hobby, para o bem e para o mal.

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Nem por isso

jrmariano escreveu:
Quem vier postar aqui tem mesmo de se aguentar à bronca e a às "bocas". Não há possibilidades logísticas nem "políticas" para se garantir o contrário. Eu por vezes deixo-me levar pelas provocações e arrependo-me logo a seguir quando lhes dou resposta. Imagino os outros! :)

Não podia discordar mais. Se não há nenhum tipo de controle de comportamentos, como se mantêm um site?

A título de exemplo e se quiseres, eu mesmo começo por aqui a avalhacar todos os tópicos de rpg que não sejam sobre D&D ou que não digam bem do jogo.

O que se passa em relação ao D&D é muito simples; algumas pessoas aparentam não suportar que os outros se divirtam a jogar um jogo como gostam, para essas pessoas, o D&D deve ser jogado como elas o entendem e quem não o faz está errado! Como justificação, vêm para o abreojogo dizer meia dúzia de baboseiras pseudo intelectuais que davam para fazer um manual de RPG, já com alguns suplementos, que provavelmente só meia duzia de iluminados iria conseguir jogá-lo...

Não sei...

Apesar de tudo ele tem-se mantido de pé, certo? :|

Eu por mim apenas constatei um facto, o que não quer dizer que concordo que tal aconteça... Pelo contrário. Contudo não sei bem como havemos de proceder quanto a isso. E não, começar a proceder como os que já são maus exemplos não é solução.

Normalmente eu chamo à atenção de quem insulta verbalmente e faz ataques pessoais directos a outros utilizadores (leia-se pessoas e não ideias ou jogos em particular). Aliás já tive um mega-encadeamento de posts por causa de pedir a alguém para não chamar "mentecaptos" a outros comentadores.

Eu pessoalmente sou anti-censura e anti-controlo estrito de expressão de opiniões. Por outro lado acho que moderação, bom senso e diplomacia são qualidades e não sinais de fraqueza. Especialmente nesta "impunidade" que é estar atrás dum quase anonimato sem se discutir as coisas cara-a-cara.

Mas por acaso essa "comichão" tipo "popular game envy" ultrapassa-me. Não percebo a necessidade e lamento a sua intensidade.

Nota: Editei o post porque enviei-o sem ter escrito tudo o que queria.

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Bravo

jrmariano escreveu:
Mas por acaso essa "comichão" tipo "popular game envy" ultrapassa-me. Não percebo a necessidade e lamento a sua intensidade.

QFT!

E já agora...

Todos somos reais por detrás da internet: http://sivers.org/real

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Vocês sabem do que estou a falar...

Nazgul escreveu:
O que se passa em relação ao D&D é muito simples; algumas pessoas aparentam não suportar que os outros se divirtam a jogar um jogo como gostam, para essas pessoas, o D&D deve ser jogado como elas o entendem e quem não o faz está errado! Como justificação, vêm para o abreojogo dizer meia dúzia de baboseiras pseudo intelectuais que davam para fazer um manual de RPG, já com alguns suplementos, que provavelmente só meia duzia de iluminados iria conseguir jogá-lo...

Rick Danger escreveu:
O Nazgul até conseguiu mandar uma boca indirecta ao Rui por causa de um tópico que ainda consegue ser mais antigo que este

Perdão? :-)

Eu por acaso ainda mantenho essa opinião, mas esta não é, nem era à época, exclusiva ao D&D.

--~~--

Em breve coisinhas novas!

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Lord_of_Blades escreveu:

Lord_of_Blades escreveu:

Concluindo, não há realmente um movimento anti-D&D nem nenhuma cabala contra D&D, o que há sim, indubitavelmente, é um conjunto de indivíduos que fazem questão, e muitas vezes de maneira desagradável e off-topic, de exibir o seu desagrado por este jogo.

Isto está a ficar clubístico! Só tenho a dizer...

NINGUÉM PARA O BENFICA... Ups! NINGUÉM PARA D&D, NINGUÉM PARA D&D, NINGUÉM PARA D&D ALLEZZZZ OHHHHHH!!!

Próximo encontro nacional eu visto a camisola dos Super "Dragões" e vou dar pedradas aos carros de adeptos de outros rpgs que não sejam o D&D!!!!!!

links

Lord_of_Blades escreveu:
Para colmatar a lacuna do "grande mestre psy" eu vou deixar então aqui uns exemplos e os tais links

No primeiro link, há um grande número de opiniões e algumas parecem ser pró-OD&D e contra o D&D actual. O tom pode ser considerado ofensivo, mas isso foi devidamente moderado. Não me parece que os comentários fossem off-topic. Há frases depreciativas, mas há também elogios factuais nesse tópico, inclusivé uma chamada de atenção para os prémios de melhor jogo que D&D recebeu no ano passado.

No segundo link, não estou a encontrar essa opinião pessoal negativa off-topic, a menos que consideres para isso a tua própria intervenção que certamente não tem nada de mal a dizer nem está propriamente fora de tópico.

Quanto aos comentários dirigidos a quem procura um grupo para jogar, é difícil de generalizar uma apreciação sobre todo esse tipo de tópicos. Agora, estamos completamente de acordo quanto ao facto de ser possível jogar qualquer tipo de RPG com D&D e, por isso, chegar aqui e dizer só "quero jogar D&D" pode querer dizer muita coisa. Assim sendo, eu costumo fazer algumas perguntas para obter mais informação em benefício de quem poderá estar interessado em recrutar jogadores. As pessoas normalmente não dizem se têem tempo para uma campanha curta-longa, das experiências que já tiveram ou do estilo de jogo que preferem e, por isso, a minha intenção é pô-las a falar um pouco mais sobre o que elas querem. Além disso - se for alguém que nunca jogou antes um RPG - acho importante pôr essa pessoa a jogar seja o que for antes que perca esta vontade inicial de experimentar. Claro que já houve tópicos em que a pessoa expressou em primeiro lugar um interesse pelo mundo de D&D e não tanto pelos RPGs em geral - aí já é diferente. A pessoa pode estar tão motivada para jogar D&D que o facto de se calhar precisar de aguardar ou de se esforçar mais para ter a sua primeira sessão lhe será indiferente.

Haverá mesmo um conjunto de indivíduos que estão à espreita para darem facadas despropositadas? Não me parece, mas, se houvessem, estou certo que fariam parte da grande diversidade de opiniões que se encontra aqui, não fosse esta uma comunidade de roleplayers de todos os géneros. Entretanto, vão-se organizando eventos, fazendo-se reviews, criando-se campanhas e D&D em geral continua a ser o RPG mais falado e promovido no AbreoJogo. A isto chama-se um movimento pró-D&D

"Parecenças"...

Rick Danger escreveu:

Haverá mesmo um conjunto de indivíduos que estão à espreita para darem facadas despropositadas? Não me parece...

Pois a mim parece que há...mas provavelmente devo ser o único a ver isso...

pró-D&D

Nazgul escreveu:
Rick Danger escreveu:
Não me parece...

Pois a mim parece que há.

É bastante mais evidente o quanto o D&D é apoiado neste site do que estas parecenças. Não é uma frente unida a uma só voz, mas é uma comunidade que não deixa nenhum RPG para trás e, em particular, tem levado o D&D bem na frente, mesmo quando não há um entendimento generalizado sobre o que é o D&D.

A frente unida jamais será vencida!

Na verdade, o que me parece é que o apoio ao D&D é movido pela carolice de quem, efectivamente, joga, faz jogar e promove o jogo. Sem esta força motriz todo o apoio dado pelo site vai dar onde sempre deu...a meses de silêncio, pontualmente interrompidos por algo que agita o monstro, mas que volta a adormecer.

carolas unidos

Nazgul escreveu:
Na verdade, o que me parece é que o apoio ao D&D é movido pela carolice de quem, efectivamente, joga, faz jogar e promove o jogo.

Todo este site é movido pela carolice de quem joga, faz jogar ou promove o jogo. Não há "apoio dado pelo site" para além daquilo que os seus utilizadores fazem com ele. Qualquer pessoa pode chegar aqui e criar um grupo, montar um evento, anuncíá-lo na página principal, colocá-lo a votação, afixar um poster e depois mostrar fotos e vídeos, deixar um report, fazer uma review, etc., etc. etc. Daí ser bom discutir isto abertamente para chegarmos à conclusão que estamos a puxar todos para o mesmo lado. Mas tudo isto acho que tu já sabes.

Lord_of_Blades escreveu:

Lord_of_Blades escreveu:

1- Temos aqui um thread sobre a Red Box que a Wizards planeia reeditar para 4th edition, onde um inspirado compara D&D a um pedaço de cócó. Parece-me relevante para o tópico e sobretudo revela uma maturidade elevada. Também dignas de nota são as intervenções de um senhor que tem uma raposa vestida com uma farda como avatar que a mim me parecem sensatas. É ver aqui:

http://www.abreojogo.com/blog/nazgul/2010/02/red_box

Viva! Antes de mais, obrigado pela atenção

Podes interpretar a linguagem que usei como imaturidade, e não tenho mais do que aceitar a crítica, mas gostava acima de tudo se lesse o que escrevi: algumas pessoas (pelos vistos até frequentadoras desde fórum) podiam ver o colocar do D&D4 na red box semelhante a colocar um pedaço de cocó dentro de um objecto acarinhado, com intuito de provocar. Uma espécie de profanação.

Não quis com isto transmitir a minha opinião pessoal do D&D4 nem a de ninguém em particular. E desculpas se a linguagem te ofendeu, não era essa a intenção. Até aqui acho que a conversa tem sido bastante cívica e construtiva (sou recém-chegado e não tinha visto o tópico ser discutido antes). Estou a seguir a questão, a gostar das opiniões e concordo com o que se tem dito.

<Aviso: dissertação meio despropositada>

Se querem saber a minha opinião pessoal, usar o D&D4 como plataforma de roleplay é como fazer safari fotográfico com um tanque. Bem vistas as coisas tem tudo para fazer safari fotografico, e até é porreiro para o todo-o-terreno, dá para fugir aos leões e tal... mas sejemos honestos, não foi para isso que foi feito: o objectivo é mais destruír cenas, toda a gente sabe. E claro, como temos um tanque, mesmo que a ideia inicial tenha sido tirar fotos, temos ali um canhão para disparar. E toda a gente curte, porque é uma sensação bestial que não se conseguia com outro veículo. E é contagiante, toda a gente quer experimentar, com vários obuses, depois com a metralhadora de topo, e já se diz que para o próximo safari vamos trazer um canhão ainda maior e aí é que vai ser. E quando uma pessoa dá por si já nem se lembra que vieram tirar fotos. Mas foi divertido! :)

No fundo acho que não se pode culpar as pessoas de se divertirem deste modo (notem que os animais são a fingir...). Quanto muito pode-se criticar a honestidade de quem parte para um safari fotográfico de tanque -- está-se mesmo a ver que o que eles gostam é de disparar o canhão e ver coisas a explodir. Mas se se divertem, quem sou eu para criticar?

dpontes escreveu: ...

dpontes escreveu:

... mas sejemos honestos, não foi para isso que foi feito: o objectivo é mais destruír cenas, toda a gente sabe.

Eu não sei... e olha que sou do mais honesto que há!

era boa era

Nazgul escreveu:
dpontes escreveu:
... mas sejemos honestos, não foi para isso que foi feito: o objectivo é mais destruír cenas, toda a gente sabe.

Eu não sei... e olha que sou do mais honesto que há!

A metáfora do tanque é outra alternativa ao "A questão é, tudo isto ocorre num jogo de D&D por causa das regras de D&D ou apesar das regras de D&D?" do Sérgio ou ao martelo que o Rui, referiu, mas como o tanque tem nele um autocolante com o versículo FUN! já citado pelo Tularis ele deixa de ser um tanque É pena, porque eu até gosto de tanques, mas aparentemente isso é interpretado como mais um insulto a D&D, uma mera questão semântica que demonstra um desmedido pseudo-intelectualismo arrogante que indubitavelmente te coloca dentro de um conjunto de indivíduos que fazem questão, e muitas vezes de maneira desagradável e off-topic, de exibir o seu desagrado por D&D. Pessoas que aparentam não suportar que os outros se divirtam a jogar um jogo como gostam, pois, para essas pessoas, o D&D deve ser jogado como elas o entendem e quem não o faz está errado! Ficas já avisado

E com isto acho que resumimos a terceira quarta parte deste thread. A última parte espero que seja reconhecer que se pode continuar a ter estas discussões sem duvidar que aqui todos os RPGs têem o seu lugar e que D&D por vezes até acaba por ficar num pedestal mais acima do que os outros, algo que é natural tendo em conta a sua imensa populariedade e dimensão económica.

Ah!Ah!

Quando os talibãs descobrirem que se colarem um autocolante com o versículo !FUN num tanque ele deixa de ser um tanque é que vai ser! E o Tularis vai ter a CIA à perna...Mas se ele pedir ajuda aos tipos certos, eles, utilizando semântica repleta de pseudo intlectualismo, cimentada por anos de prática, mostram à CIA, de um modo off-topic e bastante desagradável, que se eles colarem autocolantes com o versiculo UN antes do outro autocolante, como toda gente que percebe de colagem de autocolantes sabe, o tanque volta a ser um tanque! Voilá!

Já tenho um aviso de navegação? Finalmente!

?

Não me parece que colar a cuspo opiniões de alguns dos intervenientes (os «pro-D&D») deste thread constitua um resumo da terceira quarta parte do mesmo. Depreendo que estejas a usar um tom de brincadeira e como tal não considero que o comentário tenha um cariz inflamatório, mas não deixa de ser uma subversão discutível e algo jocosa dos comentários aqui tecidos.

O reconhecimento que todos os rpgs têm aqui o seu lugar nunca foi posta em causa por nenhum dos intervenientes (até porque isso seria visto como censura a esses jogos). O que foi colocado em causa foi o modo como alguns membros desta comunidade se dirigem a d&d de um modo passível de ser reconhecido como demagogia. ALGUNS membros, repito, não todos.

Não estou à espera que alguém mude de ideias nesta discussão e já vi que esta não vai dar em nada. Resta-me agora fazer o que sempre tenho feito: promover o meu hobby favorito participando e organizando sessões de rpg. Porque a verdade é que não são estas discussões que propelem a comunidade rpgista para a frente, é a participação e a organização de encontros. Os fãs de D&d mexem-se nesse sentido e espero sinceramente ( e garanto aqui que não há qualquer resquício de ironia no meu discurso) que aficionados de outros rpgs consigam fazer o mesmo.

dar em tudo

Estou a desviar a discussão na minha direcção, já que o tópico original é meu se alguém tiver mais alguma coisa a acrescentar.

Darth_TaQuinas escreveu:
Não estou à espera que alguém mude de ideias nesta discussão e já vi que esta não vai dar em nada.

Este tópico serviu o seu propósito já em Junho de 2008 e tudo o que foi dito recentemente é muito bem-vindo para arejar estes assuntos. O Nazgul até conseguiu mandar uma boca indirecta ao Rui por causa de um tópico que ainda consegue ser mais antigo que este mas é natural que a discussão comece a perder relevância quando, não só demasiados adjectivos começam a ser usados, como quando estes se começam a dirigir mais ás pessoas e aos seus argumentos do que aos jogos em si.

Este ponto já foi ultrapassado há muito tempo, pelo que a única razão pela qual ainda insisto neste tópico é porque nele se conseguiu pôr grande parte dos roleplayers aqui do site a discutir e já era mais que altura de quebrar o silêncio em que se encontrava a questão da suposta cabala contra D&D.

Entretanto, eu estou diponível a que tu me faças mudar de ideias, mas pensei que estávamos practicamente de acordo, não?

Citação:
Resta-me agora fazer o que sempre tenho feito: promover o meu hobby favorito participando e organizando sessões de rpg.

Tenho a certeza que não estarás sozinho e que poderás usar este site para tudo o que precisares.

Citação:
Porque a verdade é que não são estas discussões que propelem a comunidade rpgista para a frente, é a participação e a organização de encontros.

Organizar todo o tipo de eventos é prioritário, mas ficarmos todos caladinhos sem paciência para nos aturarmos também não seria bom para a comunidade.

Rick Danger escreveu: O

Rick Danger escreveu:

O Nazgul até conseguiu mandar uma boca indirecta ao Rui por causa de um tópico que ainda consegue ser mais antigo que este

Neste ponto estás claramente equivocado.

O que disse não só não era uma boca, como não se dirigia a ninguém em particular, é apenas a constatação de uma atitude generalizada que insiste em "iluminar" os outros em como o D&D deve ser jogado, pois se não o fizermos não estamos a usar o jogo com a finalidade para que foi inventado.

Quando não há nada nas regras, em qualquer edição de D&D, que indique qual a maneira correcta de jogar D&D (se é que isso pode existir) e que se não o fizermos não estamos a jogar D&D, cada um aplica as regras nos moldes que o seu grupo de jogo prefere.

Pegando numa analogia já aqui referida, nós efectivamente podemos fazer um safari de tanque, ou mesmo de bicicleta ou patins e ninguém tem nada a ver com isso.

Panzer Drach!

Não que eu acredite que o D&D não é uma plataforma do RPG mas segundo essa analogia o que é o D&D 3ª Edição? Um daqueles veículos blindados com lagartas e rodas? :D

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jrmariano escreveu: Não

jrmariano escreveu:
Não que eu acredite que o D&D não é uma plataforma do RPG mas segundo essa analogia o que é o D&D 3ª Edição? Um daqueles veículos blindados com lagartas e rodas? :D

Já vi que escrevi D&D4 na parte do tanque, queria referir-me ao D&D em geral. Se quiseres continuar na analogia, podiamos dizer que começou com um Sherman ranhoso e agora é daqueles que anda a 200 à hora e calcula a trajectória sozinho.

(se calhar agora estou a ofender os wargamers... bolas. :D )

A metáfora foi no sentido de dizer que é uma plataforma válida de RPG sim senhor, mas não foi desenhado para isso. Podes fazer safari fotográfico de tanque, claro, e se for um tanque moderno até pode ser um veículo bestial. Mas tem um canhão gigante.

Claro que se qualquer pessoa te vir a andar de tanque nunca vai achar que estás só a passear e a tirar fotografias. E se vieres dizer que sim, tiras fotografias bestiais e divertes-te imenso as pessoas até vão acreditar, e provavelmente é verdade, mas não dizem que foi por causa do tanque e não andaste só a tirar fotografias (ninguém resiste a disparar o canhão).

Ok...

O que será então para ti uma plataforma válida de RPG especialmente desenhada para o efeito?

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Opiniao pessoal

Pessoalmente achei o Storyteller System da White Wolf dos anos 90 (Vampire, Werewolf, Mage, Wraith e Changeling) muito bom neste aspecto. Porque as ferramentas que tinhas, os skills, etc não só eram funcionais como eram todas destinadas a desenhar o personagem do ponto de vista de personalidade. Tinhas também uma mecânica de alterações de comportamento embutida no próprio jogo dependendo da tua espécie. Tinhas também uma "tribo" que te inseria num contexto social. Achei genial.

Claro que o sistema tinha problemas a vários níveis, mas do ponto de vista de dar uma mecânica ao roleplay, that was it.

Já agora, estou a falar de experiência própria que infelizmente parou um bocado no tempo. Acredito que entretanto sido feito melhor.

Drive-by shooting

Não conheço este cavalheiro, mas tenho que proclamar-lhe a minha devoção.

What? Sempre tive um fraquinho pelo Storyteller System...

Bom, considerei por um moment entrar de sorrelfa, mandar a boca e fugir, mas há muito tempo que não agitava as águas, por isso aqui estou.

Falando de D&D. Eu já joguei muito D&D: ADD, 3.0, 3.5, 4th. Ainda há de nascer a edição de D&D que me faça gostar de Fantasia Medieval. Entretanto vou deixar aqui as verdades que aprendi sobre a vida (e o D&D) a ler o AbreOJogo:

1 - D&D está orientado para o combate acima de tudo.O que se faz mais em D&D (numa campanha normal) é Dar Dano, Evitar Dano e Curar Dano.

ADENDO - Orientação para o combate não é uma coisa má ou inferior (veja-se a popularidade de jogos de video como o Street Fighter).

ADENDO SEGUNDO - Se não acreditam, digam-me quantas stats são inclinadas a dar e receber dano. Até o Charisma pode dar bonus para esta actividade.

2 - É possível não ter combate em D&D, e, em vez disso, ter campanhas orientadas para o romance, a diplomacia e a dança de tamancos.

ADENDO - Lá porque podemos usar um martelo para martelar um parafuso num buraco, não quer dizer que não haja ferramentas mais adequadas para o fazer ou que o façam de forma mais satisfatória -- e não se surpreendam se vier um bando de pessoas dizer isso mesmo.

3 - D&D é Portugal. Por isto quero dizer, entre os roleplayers tugas, os campos dividem-se, muita gente diz mal, muita gente diz bem, discutimos montes sobre o tópico e no final, vamos todos para casa e continuamos a gostar dos nossos jogos. Mas se alguém de fora (ou seja, não roleplayer) vier e sequer SONHAR em dizer mal de D&D, levanta-se o malharal todo e temos o caldo entornado. D&D pode ser UMA SECA para muitos, mas é "Nosso" , e ai que quem se atreva a dizer que tem a culpa por actos satânicos de miúdos mimados.

4 - Eu não gosto de D&D, e ninguém me consegue convençar do contrário. Abomino o sistema "Chapa 4", odeio Fantasia Medieval. Já joguei muito e continuo sem gostar, por isso não é por falta de tentar.

ADENDO - Nunca NUNCA na vida vou achar que alguém é inferior a mim, ou menos esperto\interessante\digno de salvação quando o Amargedão chegar só porque essa pessoa gosta de D&D.

ADENDO SEGUNDO - NUNCA vou admitir que qualquer pessoa me chame de pretenciosa\intelectualoide\convencida ou seja o que for porque não partilho do amor por D&D e sou vocal sobre isso. O primeiro que tente tá tramado.

5 - RPG é uma actividade social. Apesar de eu não gostar de D&D, sou perfeitamente capaz de fazer um PC, sentar-me à mesa, e divertir-me montes a jogar. Continuo a não gostar do jogo, mas não quer dizer que não consiga divertir-me imenso. Eu também sempre odiei jogos de cartas, e perguntem ao senhor Psygnosed quem era a menina que se metia no Alfa Pendular aqui no Porto, fazia 6 horas de viagem de ida e volta para Lisboa no mesmo dia só para poder ir jogar Legend of the Five Rings (cartas) com ele e os outros mouros. E tem montes de saudades desses tempos.

Aqui ficam as minhas duas moedas de ouro. (Ou deviam ser de cobre).

___________________________________________

"HOUSE FLAMBEAU - where you teach your apprentices by pissing them off until their will to set you on fire overcomes the stactic paradigm"

"I still miss my ex-wife, but my aim is improving!"

___________________________________________

Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

Bullseye!

Belo fecho a este thread. :)

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Errr...

E não estava já fechado?

Se calhar, a realidade, é que é só uma questão de contabilizar o tempo que demora a ser reaberto ou mesmo quanto tempo demora a um novo tópico voltar ao mesmo assunto...

É uma verdadeira teoria da "comichão"!

A velha arte da necromancia

LadyEntropy escreveu:

Não conheço este cavalheiro, mas tenho que proclamar-lhe a minha devoção.

Finalmente! Sempre quis ter um clube de fãs... :)

LadyEntropy escreveu:

What? Sempre tive um fraquinho pelo Storyteller System...

Ah, bolas :(

Já agora, estava a falar do sistema no geral e não do World of Darkness em particular, que sim, tem muito charme mas é uma discussão à parte.

LadyEntropy escreveu:

1 - D&D está orientado para o combate acima de tudo.O que se faz mais em D&D (numa campanha normal) é Dar Dano, Evitar Dano e Curar Dano.

ADENDO - Orientação para o combate não é uma coisa má ou inferior (veja-se a popularidade de jogos de video como o Street Fighter).

ADENDO SEGUNDO - Se não acreditam, digam-me quantas stats são inclinadas a dar e receber dano. Até o Charisma pode dar bonus para esta actividade.

Apesar do elogio inicial vejo-me obrigado a discordar aqui de uma coisa: não acho que o D&D seja particularmente orientado ao combate. É sim orientado a encontros tácticos, o que é um bocado diferente e infelizmente mais triste do ponto de vista do RPG.

Se fosse orientado ao combate terias isso mais bem detalhado, por exemplo, onde é que acertaste, quais as consequências reais do ataque, se partiste a tua própria espada, se o golpe de maça acertou na cabeça e deixou o adversário desiquilibrado, se a bola de fogo assustou as criaturas e fugiram em pânico, etc. O sistema traduzia os numeros em realidades concretas com muito pouco lugar a interpretação. O Rolemaster da ICE é um RPG meio jurássico que é um bom exemplo disso, por ir mais para além do táctico e permitir uma melhor simulação dos detalhes do combate (com sessões intermináveis de consulta de tabelas, mas pronto). Quanto a mim a imersão nestes sistemas é normalmente maior.

O D&D é orientado aos desafios tácticos cujos personagens têm de superar, normalmente por combate, sim, mas de uma maneira abstracta onde tentas simplesmente gerir recursos. Não há maneira de retirares detalhes do desafio através do sistema, o que o jogador faz é simplesmente ditar o seu posicionamento e gerir as oportunidades (com cada vez menos coisas a gerir agora com as novidades da 4a ed.) e o resultado só é interpretado se quiseres (o sistema só está interessado nos XP, não no facto do bicho ter ou não a cabeça intacta).

E é isto que se perde no D&D: o realismo está completamente alheio ao sistema e é 100% implementado pelo DM. Acho que é por isso que quando surgem estas guerras se diz tanto "ah mas se o DM for bom o jogo é muito divertido". Eu diria mais, sem um bom DM o jogo não é sequer um RPG, é um jogo de tabuleiro. Nada contra os jogos de tabuleiro, também gosto, mas há que separar.

Até posso nem discordar mas...

... o teu contra-exemplo dá-me que pensar. Eu não conheço o Rolemaster directamente (que, diga-se de passagem, começou por ser um suplemento para DD), apenas o conheço por interposto MERP... e está muito longe do meu conceito de roleplaying «imersivo», digamos. Por várias razões:

A consulta às tabelas que mencionas (quebram a fluidez do jogo).

O excesso de detalhes. Eu não gosto particularmente do gore pelo gore. Não sou dado a descrições detalhadas da forma como as tripas são desfeitas com uma estocada no estômago.

O «realismo». O realismo para mim é psicológico, não é visual. O que me interesa é o que as personagens sentem, não o que vêem. Isto é voyeurismo, não é ambiente narrativo.

O bocejo. Uma descrição até pode ser interessante uma vez. Mas duas? Três? A partir de que momento é que uma pessoa se farta de reler a mesma descrição «gráfica» dos efeitos de um golpe e se diz, «quero é saber a consequência, os detalhes que vão para o diabo»?

Em suma, os sistemas tipo Rolemaster podem ser uma boa base de dados para um jogo de computador, funcionam bastante pior como veículos para o jogo à volta da mesa.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Imersividade narrativa?

Mesmo sabendo que o thread já vai longo, queria só perguntar uma coisa:

smascrns escreveu:

O «realismo». O realismo para mim é psicológico, não é visual. O que me interesa é o que as personagens sentem, não o que vêem. Isto é voyeurismo, não é ambiente narrativo.

Aqui perdi-me. Não achas possível incutir sensações nos jogadores através de descrições visuais? Achas que não é possível transmitir a história descrevendo apenas visualmente as consequências das acções dos jogadores?

Chama-lhe nomes se quiseres, mas não entendo isso prejudica o ambiente do jogo, muito pelo contrário. Ao fim ao cabo estás a descrever o ambiente físico que internamente cada jogador traduz em ambiente psicológico. Diria até que para mim grande parte do gozo advém daí, desses mind games entre jogadores e DM. Podes dar-me um exemplo para me ajudar a perceber?

Obrigado!

dpontes escreveu: Aqui

dpontes escreveu:
Aqui perdi-me. Não achas possível incutir sensações nos jogadores através de descrições visuais? Achas que não é possível transmitir a história descrevendo apenas visualmente as consequências das acções dos jogadores?

Atenção, a palavra chave é «realismo». O problema é que a consciência das consequências das acções vem depois das acções. No momento da acção tal como vivida pelo agente as coisas funcionam de maneira diferente. Uma pessoa a ver um combate de tae kwon do e o tae kwon doca no combate têm percepções muito diferentes (para usar um exemplo que experimentei pessoalmente). A pantufada que o tae kwon doca leva é percebida de maneiras diferentes. O tae kwon doca não tem a percepção dos aspectos «gráficos» da pantufada até porque não é isso que tem em mente. O espectador está lá precisamente para apreciar os aspectos gráficos.

Como, do meu ponto de vista, a personagem de rpg está no lugar do tae kwon doca e não do espectador, um sistema de jogo modelado sobre a percepção do espectador não é «realista», é só isto.

Citação:
Chama-lhe nomes se quiseres, mas não entendo isso prejudica o ambiente do jogo, muito pelo contrário.

Ao fim ao cabo estás a descrever o ambiente físico que internamente cada jogador traduz em ambiente psicológico. Diria até que para mim grande parte do gozo advém daí, desses mind games entre jogadores e DM. Podes dar-me um exemplo para me ajudar a perceber?

Ora a criação de um sistema de jogo modelado sobre a experiênca do espectador em lugar de ser modelado sobre a experiência do agente prejudica o ambiente de jogo. Porquê? Porque leva os jogadores a perderem muito tempo com coisas que são deslocadas na perspectiva do agente e que são pensadas em função do espectador.

Olha para as coisas desta maneira, muitos dos sistemas de jogo de combate dão-nos uma câmara lenta do combate, como num filme de Western Spaguetti. Tudo é feito m-u-i-t-o lentamente com m-u-i-t-o detalhe, como certos filmes fazem para que o esctador não perca todas as minúcias. Isso pode ser fantástico do ponto de vista do tipo na terceira fila. Mas é isso que se passa do ponto de vista das personagens? Não! Do ponto de vista destas todo ocorre a 100km. No fim ele apenas se lembra de uns detalhes chave e particularmente significativos. O impacto final do punho na tromba do vilão, por exemplo. É depois do combate que ele vai ver que deslocou o maxilar ao bandido.

Um sistema de jogo como o Rolemaster até pode ser satisfatório do ponto de vista do espectador. E, é verdade, todos somos também espectadores quando estamos a jogar rpg. Mas, para mim, somos acima de tudo agentes e o que eu espero de um sistema de jogo é que modele este ponto de vista. O que é o oposto do que o Rolemaster (ou o MERP) faz.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Sobre o "Nunca NUNCA na

Sobre o "Nunca NUNCA na vida vou achar que alguém é inferior a mim, ou menos esperto\interessante\digno de salvação quando o Amargedão chegar só porque essa pessoa gosta de D&D"... isso até me inclui a mim? Ena!!! Já ganhei o dia!

Quanto ao "Eu também sempre odiei jogos de cartas, e perguntem ao senhor Psygnosed quem era a menina que se metia no Alfa Pendular aqui no Porto, fazia 6 horas de viagem de ida e volta para Lisboa no mesmo dia só para poder ir jogar Legend of the Five Rings (cartas) com ele e os outros mouros. E tem montes de saudades desses tempos."... testemunho sobre juramento a veracidade das declarações da Senhora Cerejinha. E era sempre uma das jogadoras mais animadas (e que mais animava) o espaço de jogo.

Sobre o resto... já desisti de comentar. Estou demasiado ocupado a criar a história mais espectacular que alguma vez foi vivida numa campanha de D&D (e que já vai em três sessões sem um único combate, e duas delas sem rolar um único dado.)

/Mouro Esquizofrénico out

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"D&D" http://sites.google.com/site/jrc589

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"D&D" http://grou.ps/silverymoon

divergir também é bom

Agora que chegamos a uma centena de comentários, acho que há muitas questões levantadas aqui e sugiro então que estes assuntos sejam desenvolvidos criando outros tópicos, de forma a ser possível distinguir-se de que é que se está a falar. Nomeadamente..

dpontes escreveu:
não acho que o D&D seja particularmente orientado ao combate. É sim orientado a encontros tácticos

..esta que é uma questão sobre as chamadas agendas creativas, neste caso gamist vs simulacionist. D&D é orientado para o combate dentro de uma agenda jogadora enquanto outros RPGs poderão ser orientados para combate dentro de uma agenda simuladora. Ambas as agendas são válidas, conforme o gosto e a disposição de cada um. No entanto, não deixa de ser uma discussão interessante pelo que peço que origine então outro tópico e não se fique por aqui.

Obrigado a todos.

Outra casa

Criei então um novo post, aqui